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Cara de Mona Lisa

Entrar no plenário em dia de sessão me assusta um pouco. É muita coisa para ser votada, textos enormes para ser lido. Eu faço questão de ler tudo mesmo. E foi durante essa minha leitura que fui interrompida por um deputado: “Ah, brincadeira que você vai ler todo o projeto de lei? No máximo, a gente lê o resuminho. E daqui há três meses, nem isso lê mais.”

Afe!!!  Só fazendo cara de Mona Lisa (sem expressão) para ouvir uma coisa dessa. Pensei com meus botões: Você vai votar um projeto de lei que pode mudar a vida de tanta gente e nem quer se informar do que se trata?  Nunca vou mudar esse meu jeito. Vou continuar lendo, entendendo e debatendo tudo, porque todo projeto de lei representa muito para muita gente deste país. Gente que merece o nosso respeito, a nossa dedicação.

Desfiz minha expressão Mona Lisa e indaguei o nobre colega: “Então, por que estamos sendo pagos? O povo paga caro para que nós nos importemos com as coisas que estão indo a plenário e que poderão se tornar lei neste país”.  Não obtive resposta.

Agradável surpresa

Começa a segunda semana de trabalho na Câmara dos Deputados. Mal cheguei ao meu gabinete, no 7º andar, eis o que vi: a placa de identificação na porta. Até sexta-feira, quando encerrei os trabalhos, ali havia apenas uma folha de sulfite. O pessoal da Comunicação da Casa me proporcionou agradável surpresa. Agora, sim, uma placa novinha, com nome, Estado e partido.  Agora estamos bem melhor identificados, não é mesmo? Quem estiver por Brasília e quiser tomar um cafezinho comigo, pode vir, afinal a casa é sua. Ou melhor, o gabinete seu!

porta de gabinete

Futebol no salão verde

Felipinho, de 4 anos, causou no salão verde e quebrou o protocolo do lugar. Jogou bola com os deputados, sentou na mesa do secretário, não parou um minuto. Deu muito trabalho. Tomara que ele tenha sensibilizado o deputado Alex Canziani, da 4ª secretaria da Mesa Diretora. Estive lá com o Felipinho e o Rafinha, 2 anos, pedindo um apartamento funcional mais perto do Congresso. Assim, conseguiria dar uma fugidinha na hora do almoço para almoçar com meus meninos. Ah, detalhe: Felipinho deu muito olé nos ‘adversários’. Garoto é bom de bola! Palavra de mãe!

Pop Star em Brasília

O Congresso tem um pop star: meu pai, José de Abreu. É incrível como as pessoas o admiram e fazem questão de vir sempre falar com ele. Os abraços fortes e a expressão de felicidade ao encontrá-lo mostram o quanto meu pai é querido aqui, principalmente pelos servidores. De ascensorista, balconista, garçom, todos, sem exceção, o reverenciam com carinho. É impressionante como ele é conhecido, e reconhecido, aqui em Brasília. E olha que ele deixou de ser deputado federal em 2002. Só faltam pedir autógrafo. Acho até que vou providenciar óculos escuros. Ídolo que é ídolo costuma sair na rua de óculos escuros, não é mesmo? Quem o conhece sabe o quanto o sr. José de Abreu é amigo, companheiro, paciente e atencioso. Quem nem eu (kkkk)!

O sangue ferveu

Um trator atropelou os partidos menores na Câmara, terça-feira à noite. Colocar em pauta a admissibilidade da PEC 352/13, que trata da reforma política, já na primeira sessão, foi um atentado à democracia. Essa PEC propõe esmagar os partidos pequenos com a cláusula de barreira. Um absurdo, porque as eleições são realizadas em condições desiguais. Quando se concorre com fundo partidário pífio e tempo de TV quase zero, imputar aos pequenos partidos essa cláusula de desempenho é o mesmo que ter uma prova de atletismo entre um velocista e um concorrente com as pernas amarradas.

Não é essa reforma política que o povo quer, tanto que elegeu muita gente dos pequenos partidos, justamente para renovar e oxigenar esta Casa. Diante da fragmentação do Congresso, só posso deduzir que o  que eles pretendem é esmagar qualquer renovação de política futura.

Eu defendo a reforma política, mas não da forma como querem, colocando-a goela abaixo. E já na primeira sessão. Caramba! Foi um desrespeito aos novos deputados, mais de 40% pisando pela primeira vez no Congresso, muitos dos quais ainda sem conhecimento pleno do funcionamento da Casa e muito menos do texto em discussão.

Foram horas de muito sofrimento e tristeza. Fiquei com os nervos à flor da pele, o sangue ferveu e nem mesmo o frio que passei, naquele ar-condicionado ligado no máximo, abaixou minha temperatura. Me senti atropelada, enganada no dia de ontem. É lamentável tentar tirar proveito da inexperiência dos novos.

 

Bancada feminina

Café da manha das mulheres da Câmara, celebrando o início dos trabalhos

Café da manha das mulheres da Câmara, celebrando o início dos trabalhos

Hoje teve café da manhã da bancada feminina da Câmara. Somos 51 mulheres. Senti que todas falam com coração, com a verdade. Têm posições firmes. Por isso, é tão importante defender maior participação da mulher na política. Eu defendo cota feminina no Parlamento, para que o futuro de nossos filhos esteja preservado. Eu vou me empenhar  para unir as deputadas na luta pela cota representativa na Mesa Diretora e nas comissões. Para ter uma ideia, essa é a primeira vez na história da Câmara que uma mulher ocupa cargo na mesa, agora com a Mara Gabrilli (PSDB) e a Luísa Erundina (PSB).

O bottom e a gravata

Esse bottom que a gente tem de usar, uma espécie de crachá de identificação de parlamentar, fura toda a nossa roupa. O apetrecho, certamente, foi planejado apenas para os homens, que têm lapela nos ternos. Para as mulheres, essa identificação deveria vir numa correntinha. Ficaria bem melhor e não estragaria tanto nossas roupas.

Outra coisa. Um de meus assessores acaba de ter negado seu acesso ao salão verde porque estava sem gravata. Sabia que não pode entrar aqui sem gravata? rsrs

Ai, que fome! E meus pés…tadinhos

Estou muito brava agora. Morrendo de fome, os lugares são distantes, o restaurante está lotado. Do meu gabinete ao restaurante tenho de caminhar uns 20 minutos. De salto alto!!! Meus pés estão doendo muito. Toda noite sou obrigada a fazer escalda-pés para aliviar um pouco essa dor.

Você não consegue se locomover. Todo mundo te para o tempo todo, seja a imprensa, alguém pegando sua assinatura, um parlamentar que quer te cumprimentar…

Tenho reunião daqui a pouquinho e a fila do restaurante está assustadora. Acho que vou ficar sem almoço. Tá difícil.

Comigo, não!

Incrível como a desconfiança impregna o ar no Congresso. Basta falar que é favor deste ou daquele para insinuarem que está levando algo. Que pena!

Senti isso. O zum-zum-zum foi forte. Indiquei o PRB para integrar o nosso bloco Renovação. Pois bem, sabe que tem gente achando que minha indicação é porque levei algo deles? Claro que rodei a baiana. Estão pensando o quê?  Não admito esse tipo de insinuação.

É triste, viu! Muitos não acreditam que alguém possa defender um grupo ou um lado da mesma maneira como defende sua família. Isso tem que mudar! Quando tivermos grupos unidos por afinidade e amizade, e não por interesses individuais, daremos um grande passo na política deste país.

Tenho fé que nosso grupo, de 17 deputados federais, vai espalhar pela Câmara esse sentimento de confiança, de ajuda e respeito mútuos, provando que podemos, sim, construir parcerias de forma diferente, com transparência, afinidade e, acima de tudo, com ideal e esperança de um Brasil melhor.

Olha a fila, deputada

Oito elevadores no saguão da Câmara, dois deles privativos, exclusivos para os parlamentares. Vi a fila e, quando a porta de um deles abriu, não perdi tempo e entrei. Não demorou muito para as pessoas reclamarem: “Ei, você, olha a fila. Não pode furar a fila”. Não entendi a manifestação.  Até chegar ao andar do meu gabinete, pensei com meus botões: ‘Por que estão chiando comigo? O que eu fiz?’

Só fui saber o motivo da chiadeira quando comentei com um dos meus assessores. Ai fiquei sabendo que havia entrado no elevador errado. Entrei no elevador público, em vez do privativo. É gente, furei a fila sem querer. Sorry!!!

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