nov 10, 2015 - câmara dos deputados    5 Comments

Críticas infundadas

Tem um site sobre projetos de leis que gosto muito de acompanhar. Dias atrás estava vendo algumas propostas de vereadores de São Paulo e fiquei impressionada com a postura dos internautas. Tem um projeto propondo a mudança do nome de uma praça e um outro sobre a proibição do Foie Gras (fígado gordo de ganso ou pato, iguaria típica da culinária francesa) em que os comentários vão desde ‘tantos problemas neste bairro e o vereador preocupado com o nome da praça’ a ‘o senhor não tem mais o que inventar?’. A grande verdade é que o povo xinga, mas não lê o histórico do político. Muitos desses vereadores têm centenas de projetos cadastrados. O mesmo acontece com os deputados. Eu, por exemplo, protocolei diversos projetos de lei, mas, quando a imprensa resolve falar de um, só vai em busca de ‘algum senão’ para detonar. Por que não abre espaço e briga, por exemplo, pela proposta de inclusão da Educação Cívica nas escolas? Não se fala nisso. Mas, quando se protocola uma proposta que a mídia entende como supérflua (embora a análise seja uma inverdade), aí dão visibilidade enorme, para dar a entender que a gente só faz coisas supérfluas. Uma das funções do vereador, além de tantas outras atribuições, é a questão de propor nomes a praças, vias públicas e outros patrimônios municipais. Mas, quando alguém faz um projeto desse, a mídia e a população tratam como algo inútil, embora se localize nas ruas graças a essas propostas. Protocolei um projeto de lei que proíbe os candidatos de se vestirem de palhaços, desmoralizando a política e enganando os eleitores, porque com os milhares de votos que recebem travestidos de um personagem acabam por eleger vários fichas sujas, ludibriando o povo. Então, fiz essa proposta e uma revista publicou reportagem destacando na matéria: ‘você paga esse político para protocolar um projeto desse’. Desculpa, hello imprensa, eu não acho que esse projeto inútil. Eu queria ouvir vocês: um projeto que proíbe um candidato aparecer de palhaço, com roupas vulgares para chamar a atenção, num programa eleitoral que deveria ser sério, é ruim para o País? Não entendi a posição dessa revista. É sempre assim, se protocolar 1000 projetos bons e um que seja mais simples, porque isso faz parte também da nossa atribuição, vão lá falar só desse, né! Esse vereador do projeto do Foie Gras foi entrevistado e, ao ser questionado se não tinha projetos ‘mais úteis’, respondeu: “Sim, por que você não me entrevista sobre os meus 199 outros projetos?”. Achei ótima a resposta. É interessante ficar atento a isso, quando se deparar com uma proposta que aparentemente tenha pouca relevância, veja o histórico do político, o que mais ele protocolou. É fundamental saber o que ele está fazendo para só depois emitir uma opinião.

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5 Comentário

  • Cara Deputada, saudações! Poderia indicar o endereço do site que a senhora comentou, ou outro do gênero? Pois não tenho conhecimento de sites assim e gostaria muito de acessar.

    Sobre o projeto de roupas de palhaço, creio que é um desrespeito à política e à sociedade, porém, pode ferir a liberdade de expressão. Ou seja, é assunto controverso e um projeto nesse sentido é completamente válido.

    Agora, considerando as potencialidades do marketing nos dias de hoje, e que os políticos dependem muito de marketing, gostaria de saber se a senhora, individualmente, seu partido e/ou as casas do congresso possuem algum site eficiente para promover e divulgar ideias e debates. Pergunto no intuito de aprimorar o debate democrático mesmo.

    Obrigado pelo que vem fazendo neste espaço.

    • Oi, Fabio Mathias, o site que detalha projetos de lei de São Paulo e do Congresso é o vote na web, que você pode acessar pelo http://www.votenaweb.com.br/

      • Obrigado.

  • Deputada, infelizmente assim faz a mídia, desde os tempos do império nosso imperador era ridicularizado, passaram-se anos para que tivesse o justo reconhecimento, sua devoção à educação e ao conhecimento
    O polêmico vende, a ridículo atrai, gera a manchete e precisam fazer isso, não que seja correto
    Se propuser a regulação da mídia, será chamada de censuradora, assim nos resta, como dito em comentário anterior, mais comunicação por parte dos nossos legisladores, mais interação – como excelente blog – com nossos eleitores
    Devemos divulgar esse mecanismo e incentivar. É de baixo custo e tem um tom mais informal, com a linguagem de internautas!

    Sucesso 😉

  • Sempre enxerguei os personagens circenses como verdadeiros artistas, o palhaço, é para mim uma figura de alegria, me faz lembrar da minha infância na minha terra natal, onde ia com muita frequência aos circos.
    Guardo grandes recordações dos circos, por isso, todo ano passo o dia do meu aniversario, assistindo um espetáculo circense.
    Quando vai aproximando o meu aniversario, já procuro um circo, para poder ir no dia e, quase sempre, vamos toda a família.
    Portanto, não vejo a figura de um palhaço, pejorativamente!
    Acho que a senhora não foi muito feliz nesse seu projeto, mas não tem nada a ver, é só minha opinião.
    A figura do palhaço é como um ídolo para mim, me trás muita alegria e me faz lembrar da minha infância.

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