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De molho no PS

Machuquei o braço ao salvar meu filho da porta automática

Machuquei o braço ao salvar meu filho da porta automática

Hoje cheguei empolgadíssima para trabalhar na comissão especial da Reforma Política, mas fiquei com febre, passando mal. Estou com dor no corpo, enjoo, frio, batendo os dentes. Tudo por causa de uma ferida no braço ao salvar meu filho da porta automática no Carnaval. Esses filhos dão um trabalho pra gente (rs). Ah, tive de tomar também vacinas antitétano e antirrábica, porque fui mordida por um cachorro. Medicada e de repouso (nada grave, viu), estou vendo a comissão pela TV direto do PS da Câmara. Enfim, conheci o PS que meu pai tanto frequentou. Poderia ter conhecido o pronto-socorro da Casa de uma maneira menos dolorida, né? kkkkkk.

Tudo combinado antes

Têm coisas que a gente só fica sabendo estando no Congresso. Como por exemplo a eleição da mesa que ia compor a comissão especial da Reforma Política. Foi feita votação em cabine, como se faz nas eleições mesmo. Só que é tudo definido antes quem vai ser a chapa e quem são os eleitos. Então, você vai lá pra confirmar seu voto. É estranho isso. Só tem um candidato e do lado branco. Mas, se só tem um candidato, então, por que eu vou lá na urna eletrônica votar? Têm coisas que só na política deste País!

Falando pra ninguém

Aqui, no Congresso, tem o pequeno expediente e o grande expediente, que são as sessões que antecedem as sessões de votação. Servem para os deputados discursarem. O engraçado é que o deputado se inscreve para falar e, ai, quando ele vai ao microfone, não tem ninguém ouvindo. Então, quando aparece na TV Câmara aquele parlamentar discursando, esculhambando, falando da tribuna, você acha que ele está falando para uma plateia de deputados, mas não é nada disso. Ele está falando pro nada, para uma sala vazia. É hilário demais. Não tem ninguém ali. É só para aparecer na televisão. Eu, hein!!!

Doido, muito doido

Esqueci de contar um fato inusitado ocorrido no dia da posse. Dou muita risada sempre que lembro do episódio. Nessas articulações loucas de formação de bloco, um amigo deputado esqueceu de tomar posse. Só descobriu isso quando a gente protocolou o bloco e o partido dele acabou ficando de fora porque ele não tinha tomado posse. Ele assinou o documento, mas oficialmente ainda não era deputado. Essa política deixa a gente doida (hahaha).

Aqui, jabuti sobe em árvore

Estou estudando pra caramba o Regimento Interno da Câmara, inclusive com professor, um rapaz que manja muito de assessoria técnica e que está me ajudando a entender e assimilar tudo o que está escrito ali. É muita coisa, muitos detalhes. Por isso, tive a ideia de fazer um Regimento na prática, que é completamente diferente do Regimento escrito. Uma ótima é a MP, a Medida Provisória, que nada mais é que o Executivo travando tudo na Casa para aprovar as leis que são de interesse dele.

Quando o governo entra com uma Medida Provisória, a Casa para até que se vote essa MP. Então, para aprovar seus projetos de lei (PLs), os deputados propõem emendas. Por exemplo, a MP do governo é sobre aumento do imposto de comida de passarinho, aí alguém propõe uma emenda regulamentando a TV aberta. Na hora de votar, essa emenda, esse destaque, acaba indo no fluxo da votação. Ai aprova-se o jabuti subindo na árvore: ou seja, a MP do Executivo sobre o tema A e, na mesma leva, a emenda B, que não tem nada ver com o tema proposto pelo governo. Convenhamos, é uma estratégia bem inteligente. Esse jabuti…

Um dia mágico, muito especial

Sabe aquele dia em que tudo dá certo, muito certo? Aquele dia em que você se sente extremamente feliz por todas as coisas que aconteceram, justamente porque elas foram por demais positivas? Pois bem, esse dia foi 10 de fevereiro de 2015. Jamais me esquecerei dessa data. Tudo foi perfeito demais.

Consegui a titularidade na comissão especial da Reforma Política. E numa condição maravilhosa: com a bandeira que defendo há muitos anos, que é a de representar os pequenos partidos e lutar por uma democracia mais justa, mais igualitária para todos os candidatos. É muito raro um partido pequeno conseguir titularidade em comissões tão importantes como esta, a da Reforma Política.

Teve muita gente dizendo que uma andorinha sozinha não faz verão. De tanto lutar, conseguimos a nossa titularidade e representar os pequenos partidos e as minorias como um todo (os novatos, as mulheres), que não teriam voz no Congresso não fosse a nossa união, a nossa luta, a nossa dedicação.

Em meu primeiro pronunciamento à comissão (http://goo.gl/z0IgJC ), manifestei-me com o coração, falando das coisas que sempre defendi e que fizeram parte de minha monografia na pós-graduação em Direito Eleitoral. Tudo o que defendi na monografia, hoje, como deputada, posso defender no Congresso e ter a chance de que as mudanças que todos nós queremos se concretizem para, enfim, mudar o rumo da democracia deste país.

Não bastasse esse momento de explosão de felicidade, veio mais uma conquista, com a aprovação do Orçamento Impositivo. Agora não dependemos do Poder Executivo para liberar nossos recursos. Conquista nossa, dos prefeitos, dos vereadores, dos munícipes. Passaremos a ter mais liberdade para fazer as coisas aconteceram aqui. Isso dá muito mais independência para o Congresso.

Meu novo pingentinho

Transformei meu bottom de parlamentar num pingente. Vai facilitar minha vida, já que a peça na primeira semana de Congresso estragou algumas de minhas roupas (grrr!). Ficou lindo! Quem sabe a secretaria da Casa também não ache uma boa ideia para todas as nossas parlamentares. Usá-lo como bottom é ruim, porque fura a nossa roupa e, às vezes, até esgarça. Todo mundo sabe que roupa feminina é bem mais cara que a masculina, por isso, chateia demais para nós, mulheres, termos uma peça danificada e… inutilizada. E geralmente essas coisas ocorrem sempre nas roupas que a gente mais gosta, né? Daí a ideia do pingente, que, cá entre nós, ficou bem feminino, não acham? Eu, amei!

Botton como pingente: bem mais feminino

Bottom como pingente: bem mais feminino

Estudando o Regimento

Gente, estou estudando o Regimento Interno da Câmara. Quero saber tudo. Até porque o presidente da Casa, Eduardo Cunha, é um regimentalista de primeira. E ele pega no pé no cumprimento do regulamento. Estou recebendo ajuda de um professor bom à beça. Ele é da assessoria técnica do DEM. A primeira aula durou 5 horas. Tenho uma semana pra ficar craque no estatuto. Por isso, fiz um pacto com meu sono, que vai segurar as pontas enquanto eu estudo noite adentro. (zzzzzzzz)

Foi com medo de avião…

Não sei se já contei que tenho medo de avião. Medo, não, pânico. Imagine meu estado no voo para Brasília, ontem? Teve turbulência. Lembra da música do Belchior – “foi com medo de avião…” –, pois, bem, desembarquei com as pernas trêmulas, suando frio, coração saindo pela boca. Só consegui me recompor emocionalmente quando entrei no gabinete.

Cara de Mona Lisa

Entrar no plenário em dia de sessão me assusta um pouco. É muita coisa para ser votada, textos enormes para ser lido. Eu faço questão de ler tudo mesmo. E foi durante essa minha leitura que fui interrompida por um deputado: “Ah, brincadeira que você vai ler todo o projeto de lei? No máximo, a gente lê o resuminho. E daqui há três meses, nem isso lê mais.”

Afe!!!  Só fazendo cara de Mona Lisa (sem expressão) para ouvir uma coisa dessa. Pensei com meus botões: Você vai votar um projeto de lei que pode mudar a vida de tanta gente e nem quer se informar do que se trata?  Nunca vou mudar esse meu jeito. Vou continuar lendo, entendendo e debatendo tudo, porque todo projeto de lei representa muito para muita gente deste país. Gente que merece o nosso respeito, a nossa dedicação.

Desfiz minha expressão Mona Lisa e indaguei o nobre colega: “Então, por que estamos sendo pagos? O povo paga caro para que nós nos importemos com as coisas que estão indo a plenário e que poderão se tornar lei neste país”.  Não obtive resposta.

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