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Vou encerrar a votação

Quando tem votação nominal na Casa, as pessoas que têm interesse no projeto ficam desesperadas em ganhar. E o Eduardo Cunha, presidente da Câmara, é meio terroristinha (rsrs), cria todo um clima. Ele coloca pra votar e, um minuto depois, já começa a anunciar no microfone ‘vou encerrar a votação, vou encerrar a votação’. Ai, todos os líderes que têm interesse na votação começam a articular, pedir voto, fica aquele bafafá no plenário. E ele faz de propósito, sabe, só pra ver a galera correr, se matando, brigando. É muito engraçado porque ele fala ‘vou encerrar votação’ e dá uma risadinha de lado.

Parece casa de doido!

Tem uma coisa muito maluca aqui no plenário. Os líderes dos partidos têm por prerrogativa falar em qualquer sessão, mas têm vezes, em que estamos votando um projeto de lei, com todo mundo discutindo a proposta em questão, que um líder sobe na tribuna e começa a falar sobre um assunto nada a ver. Parece casa de doido! Há de se supor que os líderes subam à tribuna para falar do assunto referente à matéria em discussão e que está sendo votada. Que nada, eles vão lá para falar de outra coisa, de alguma bandeira que defendem, de um tema que lhes interessa, pra se mostrar, pra aparecer. Raramente falam sobre o que estamos discutindo na sessão. É engraçado demais!

 

À meia-noite, tudo se apaga

Já quwe gosto de trabalhar até tarde, melhor providenciar uma lanterna

Já que gosto de trabalhar até tarde, é melhor eu providenciar uma lanterna

 

Quem me conhece sabe que eu gosto de trabalhar noite adentro, beeemmm adentro.  Ontem, fiquei até bem tarde trabalhando. À meia-noite, descobri que todas as luzes se apagam e a gente fica isolada no prédio. Fiquei na escuridão. Poucas luzes mal iluminando meu caminho na garagem, à espera do carro. Não tinha mais ninguém por aqui. Acho que vou providenciar uma lanterna para ficar na minha bolsa, vai ser muito útil daqui pra frente.

Sem mulher na mesa

Sabe aquele deputado que eu falo que é doido, doido, doido? Aquele que adora sentar ao lado do presidente Eduardo Cunha? Que se inscreve todos os dias para falar na tribuna e que, ao discursar, ninguém entende nada do que ele fala? Pois bem, no dia da votação do segundo turno do projeto de lei da deputada Luiza Erundina, que garante vaga feminina nas mesas diretoras da Câmara e do Senado, todo mundo votou a favor. Foi a maior festa, com a bancada feminina invadindo a mesa diretora e festejando muito, tamanha conquista para as mulheres, importantíssima. Bem, quando olhamos o painel da votação, cinco deputados votaram contra. Um deles, o nosso Delegado Edson Moreira. Loucura!!! Ele é do PTN, o partido que proporcionalmente tem mais mulheres na Câmara. Dos quatro deputados do PTN, 50% são mulheres. E ele votando contra. Vai entender… Só depois que a gente descobriu que ele, quando falou na tribuna, defendeu o ‘não’ à participação da mulher nas mesas. Como fala todo enrolado, ninguém entendeu nada do que ele disse.  Até as meninas que digitam todas as falas colocam a mão na cabeça quando o orador é o Edson Moreira. Elas dizem que, com ele, não fazem taquigrafia, mas sim psicografia. Hahahaha!

Os bons agem nos bastidores

Na Câmara dos Deputados existem vários tipos de parlamentares. Há aqueles que só se preocupam em aparecer e ficar brigando. Só que briga falada não é briga efetiva. Nesta Casa, para as coisas acontecerem, você não tem de subir na tribuna, esculhambando e batendo. Aquele que mais aparece tem muita dificuldade de fazer acontecer. Os bons deputados são aqueles que agem nos bastidores, articulando e fazendo com que seus projetos, suas propostas, efetivamente aconteçam. É importante essa noção da realidade. Quem muito aparece, não necessariamente é quem mais faz.

Hã? O que disse? Como é?

O Delegado Edson Moreira, meu querido deputado, é mesmo muito engraçado. A alegria dele é falar na tribuna e sentar-se à mesa diretora ao lado do presidente Eduardo Cunha. Ele chega todos os dias às 7 da manhã no plenário só para se inscrever para discursar em todas as sessões. Só que, com seu sotaque mineirinho, ninguém entende o que ele fala. Fica todo mundo com cara de interrogação. Ele fala muito enrolado. Depois, ele fica por ali, atrás da mesa, como quem não quer nada, esperando alguém se levantar para, rapidamente, tomar assento ao lado do presidente da Casa. É hilário vê-lo em ação. O culpado é o Augusto, chefe de gabinete dele, que ensinou isso pro deputado: “Ensinei mesmo, mas não era pra fazer todo dia”. Hahahaha. O Delegado Moreira é uma figura!

Rejeitado por ciúme. Lamentável!

Triste e decepcionada! O requerimento de urgência de meu projeto de lei de Educação foi rejeitado. Tive a maioria de votos (204), mas não a maioria absoluta (que seriam 257 votos). Minha tristeza não foi pelo resultado em si, mas pela maneira como aconteceu. Alguns partidos votaram contra. E por ciúme. Isso mesmo: CIÚME. Eu ouvi isso: “Como uma deputada que acabou de chegar consegue colocar um projeto pra votar em plenário?” Como? Simples, com muita dedicação, muita articulação e muita luta. É assim que se consegue. Um outro partido, que se diz defensor do País, se manifestou contra, alegando que é oposição ao governo federal e, se a situação votou a favor do meu projeto, seus deputados votariam contra. Fiquei aborrecidíssima com isso. Até porque não sou situação nem oposição; eu sou representante do povo. Lamentável tudo isso, viu! Ciúme e objetivos partidários não deveriam jamais sobrepor projetos de interesse para o nosso país.

Só que eu não joguei a toalha, não! Pelo contrário. Estou convicta da importância desse meu projeto, que inclui Política, Direitos Básicos, Educação Ambiental e Primeiros Socorros na grade curricular escolar, assegurando a formação de uma juventude politizada e sabedora de seus direitos e deveres. Portanto, a luta continua. Estou reapresentando meu requerimento e agora conversando com cada líder, um por um, mostrando a importância dessas matérias em nossa Educação. Vai dar certo, ou eu não me chamo Renata!

 

Discurso, com sapatos da assessora

Minha primeira experiência no Grande Expediente:

Minha primeira experiência na tribuna: falei por 25 minutos, com transmissão ao vivo

Cheguei terça-feira em Brasília e vim direto para a comissão especial da Reforma Política, onde a gente está nessa luta, debatendo várias questões importantes para o País. À tarde, era o meu pronunciamento no Grande Expediente. Estava tensa, não tinha lido meu discurso. Na verdade, eu gosto de falar o que está no meu coração, não gosto de ficar falando o que está no papel. Mas, na correria do dia, me esqueci do pronunciamento. Eu tinha ido para o Congresso, digamos assim, ‘mal vestida’. Esqueci maquiagem, sai caçando roupa e roubei até os sapatos de minha assessora, para ficar no mínimo bem vestida. Mesmo assim, vi depois o vídeo e fiquei gorda e feia (rs). Tudo bem, o importante é que as pessoas viram e ouviram o que eu estava dizendo. Fiquei muito feliz com a participação de vários deputados, como o Caetano (BA), Gilberto Nascimento (SP), Paulo Maluf (eu cresci vendo a história dele, foi deputado junto com meu pai), a nossa maravilhosa deputada Christiane Yared (PR) e o Espiridião Amim (SC). Foram participações ilustres, fiquei extremamente honrada. Foi uma grande experiência, minha primeira manifestação na tribuna, porque passo mais tempo articulando tudo, pra sair projeto, ler projeto etc. Foi a oportunidade que tive de transmitir minha mensagem, agradecer os votos que recebi e a confiança que as pessoas depositaram em mim.

PS:. No Grande Expediente, os oradores são escolhidos por sorteio e cada um tem 25 minutos de discurso na tribuna, com transmissão ao vivo pela TV Câmara. Tem também o Pequeno Expediente, onde cada um dispõe de 5 minutos. Os dois expedientes têm oradores todos os dias.

Eba!!! Meu projeto entrou na pauta

Uma notícia maravilhosa, hoje. Estou super feliz. Meu projeto de lei, para colocar nos Ensinos Básico e Fundamental as matérias de Direitos Básicos, Política, Educação Ambiental e Primeiros Socorros, foi incluído na pauta desta semana da Câmara. Sensacional!!! Estou transbordando de felicidade. Eu havia pedido requerimento de urgência. Uma coisa muito difícil de conseguir, mas estive na reunião de líderes e falei a eles que este é meu projeto de vida. Fui extremamente insistente com o secretário da mesa e com o presidente da Câmara e, de tanto lutar, consegui o requerimento de urgência. Agora, é articular pra que seja votado. Em breve, se Deus quiser, todas as crianças e os nossos jovens estudantes terão Educação Política dentro das escolas.

Ah, quando estava saindo na reunião de líderes, voltei a abordar o Eduardo Cunha: “Não esquece de mim, hein?”. E ele rebateu: “E você deixa?” É que eu fico mandando mensagem pra ele o tempo todo, pedindo para colocar meu projeto de lei na pauta. É isso, aí, ganhando pela insistência e persistência!

Não era hora desse acordo

Não é novidade para ninguém que o Brasil atravessa uma crise e, por conta da instabilidade econômica, somada à baixa arrecadação e aos elevados gastos públicos, precisa apertar o cinto. Por isso, fiquei irritada com o acordo entre Brasil e União Europeia para que o país ingresse na Organização Europeia para a Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO).  Entendo que a participação brasileira – único país não europeu na organização – é importante, mas não agora. Há tantas prioridades a resolver antes disso. Nossa bancada foi contra, mas parte da oposição votou a favor do encaminhamento da votação, agindo tipo ‘Deixa aprovar porque ai o governo vai ter de dar explicação pro povo brasileiro’. Poxa, nesse momento de crise, oposição e situação deveriam se unir para derrubar esse acordo, que tramitava na Casa desde 2010 e o próprio governo já não queria que fosse adiante, porque vai custar aos cofres públicos 270 milhões de euros (cerca de R$ 945 milhões). Não era o momento, foi muito impróprio. Agora, a matéria será analisada pelo Senado. Tomara que seja derrubada.