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maio 25, 2017 - câmara dos deputados    2 Comentário

Incerteza no ar

Nem bem pus os pés em Brasília e senti o clima pesado e tenso que dominará toda a semana política na Capital brasileira. Posso afirmar que a incerteza paira no ar. A sensação é de navegação em alto mar sem direção, a base está perdida, todo mundo sem saber direito o que vai acontecer. Mas já se fala muito nos bastidores em eleição indireta, com forte inclinação para o Rodrigo Maia.

Ontem, Brasília pegou fogo! De um lado, manifestantes contra o governo; do outro, as Forças Armadas, para conter atos de violência e vandalismo. Desde a semana passada, quando vazaram os áudios entre Michel Temer e o empresário Joesley Batista, a crise governamental aumentou e o presidente tem sido alvo de protestos e pedidos de renúncia. Hoje, aparentemente, a capital federal amanheceu dentro da normalidade. Com a ordem restabelecida, as Forças Armadas deixaram o esquema de prontidão e retornaram às suas bases.

Forças Armadas deixam os prédios públicos e retornam à base

Forças Armadas deixam os prédios públicos e retornam às suas bases

 

 

 

Independência responsável

Com a chegada de dois senadores, nós, do Podemos, lançamos nota oficial de independência ao governo federal. Só que mal anunciamos isso já começou o falatório de que o partido saiu da base e rompeu com o governo. Não é isso! Gente, independência é independência. Não significa oposição. É importante que fique bem claro, porque sou muito contra ser oposição a tudo. Se o projeto é importante pro País, eu vou votar contra só porque sou oposição? Não, claro que não! Não tem cabimento, acho isso tremenda irresponsabilidade. O que pintar de bom para o País é óbvio que vamos votar a favor. Temos de ter essa postura em qualquer governo. Mesmo sendo um partido considerado pelos outros como sendo da base, a postura independente sempre foi a nossa marca. Nós temos, inclusive, dentro do próprio partido quem é bem oposicionista. Apoiar as coisas boas para o Brasil exige responsabilidade muito grande. E disso não abrimos mão!

podemos imagem

Podemos no Senado

São nas crises que aparecem as melhores oportunidades para mudar o jogo, mudar o cenário ou o rumo das coisas. E é o que nós estamos fazendo, com novo reposicionamento do partido, nova proposta e com duas importantes adesões anunciadas nesta semana, que bombaram na grande imprensa: a chegada dos senadores Álvaro Dias e Romário ao time do Podemos. É grande a alegria, principalmente para mim que, quando assumi a presidência, o partido nem tinha representatividade no Congresso. Batalhamos muito e conseguimos eleger quatro deputados federais. Um ano depois já éramos 13 parlamentares na Câmara. E agora, a vinda de senadores para somar com a gente. Isso me deixa muito animada. Queremos apresentar uma alternativa para o País, queremos ter um candidato majoritário, para que o Brasil possa ter uma alternativa para sair da bipolarização PT-PSDB de tantos anos.

Estamos vivendo o momento do surgimento de novas lideranças, de novas caras. Estou bem otimista. Tenho me animado muito porque, apesar da crise política, os brasileiros estão discutindo política, indo pra rua manifestar seu desejo. Esse é o momento para que a população repense sua postura, sua ação, sua cidadania e participe diretamente da democracia do nosso País. O problema se agravaria se vozes silenciassem. Já a boa democracia só evolui quando as pessoas se envolvem, falam o que pensam e, unidas, escolhem o melhor caminho para a Nação em que vivem.

alvaro e romario

Direitos Autorais: avançando

direito autoralComecei a semana no Rio de Janeiro, onde estive com o deputado Marcelo Aguiar, que é músico, conversando com associações, compositores e artistas sobre Direitos Autorais, tema do qual sou a relatora da Comissão Especial instaurada na Câmara. Eu apanhei muito nesse papel, fui bastante criticada porque as pessoas não conhecem o processo legislativo e se atrapalham com essa questão de projeto de lei. Numa comissão, tem o projeto original e têm os apensados. Quando se pega a relatoria, o parlamentar designado para a função não vai dizer se aprova ou desaprova a proposta principal, mas, em seu relatório final, poderá apresentar um substitutivo a todos aqueles projetos que estão em análise, sugerindo um novo texto, acatando ou não as demais proposituras. E foi o que eu fiz. E acabei sendo muito criticada. Acontece que divulgaram como sendo o meu relatório o resumo de todos os projetos. Isso causou enorme confusão! Desde então, tenho me sentado com profissionais do meio artístico e cultural para chegar a uma composição, mas não é fácil, porque cada um pensa de um jeito, cada um tem um interesse. Conciliar todos os segmentos é muito difícil. Enfim, estamos trabalhando para chegarmos a esse consenso e apresentar o texto da relatoria.

maio 20, 2017 - câmara dos deputados    2 Comentário

Resetando a política

“Que caos, estamos caminhando pro fundo do poço.” Comentários nessa linha têm sido ouvidos pelos quatro cantos do Brasil nos últimos dias, por causa da divulgação de áudio das conversas gravadas entre dono da JBS e o presidente Michel Temer e do empresário com o senador Aécio Neves. Mas não, gente, eu não vejo assim.  Acho até que o Brasil tinha de passar por essa chacoalhada geral.  Sim, é um triste e histórico momento na política nacional, mas que eu considero muito importante. E sabe porquê? Se voltarmos a uma década mais ou menos, o que víamos? Uma geração inerte e afastada da política, que odiava se envolver com política e repudiava quem quisesse falar sobre o assunto em roda de amigos, num bate-papo informal no bar, na escola, onde quer que fosse.

Hoje, a política domina as conversas da nossa juventude. Todo mundo antenado no que anda acontecendo. O Brasil está sendo passado a limpo. As grandes lideranças que se perpetuaram no poder estão caindo ou vão cair. Novos líderes surgirão.

Estamos vivendo uma revolução, talvez muita gente nem perceba isso, porque todos estão perplexos por tudo o que está acontecendo, mas já estamos vivendo essa revolução na prática. Vivendo o desabrochar de uma nova geração. Não existem grandes revoluções sem rupturas. As rupturas são necessárias para um novo amanhã, um novo momento político, com um novo perfil de políticos, uma nova mentalidade, uma nova forma de participação, uma nova forma de chegar ao poder, num sistema democrático mais inclusivo e coletivo, trazendo a população dentro, pra fazer parte disso tudo.

Talvez  tudo o que está acontecendo hoje no País seja muito positivo. Eu prefiro pensar assim, acreditar, de forma otimista e esperançosa, que novos e bons tempos estão chegando. Estamos resetando a política!

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Que legislatura! Isso dá um livro

jbs el clarinIndependentemente de o áudio das denúncias da JBS ter sido divulgado com cortes ou não, se implica ou não o presidente da República, muita gente dentro e fora do Congresso está falando sobre a questão da governabilidade, e que vai ser difícil sustentar o governo. O mesmo ocorreu com Dilma. A situação dela naquele momento do impeachment era de ingovernabilidade irreversível. Hoje, nós temos, de fato, um problema. Está tudo parado! Bolsa de Valores em queda, dólar subindo, muita gente preocupada com o poder e poucos preocupados com o Brasil. Se Temer cair, teremos eleição indireta para a escolha do novo presidente. Isso está na Constituição, mas não há lei regulamentando. Loucura! A única eleição indireta que tivemos foi na época dos militares. Nem a consultoria da Casa sabe como conduzir o processo para a escolha indireta do presidente.

Gente, que legislatura histórica! Eu, que nunca fui vereadora, nem deputada estadual e estou em meu primeiro mandato como deputada federal, já votei um impeachment de presidente da República, talvez possa a vir a votar o segundo impedimento, votei no processo de cassação do mandato de um parlamentar, votei para três presidentes da Câmara, votei reformas e mais reformas. House of Cards, aquela série de TV americana, é fichinha perto da nossa política. Isso dá um livro. Eu vou publicar esse livro!

 

maio 12, 2017 - câmara dos deputados    3 Comentário

A dor da separação

Mais uma semana pesada, com discussões sobre a Reforma Política, sobre a Reforma Previdência, muitas outras reuniões em paralelo e ainda articulando para o crescimento do partido, conversando com senadores que estão bem inclinados a somar com a gente nesse projeto inovador de fazer política no País, que tem o cidadão como protagonista. Dormido pouco, umas três horas por noite, mas tem válido a pena. Só pesa muito, dói demais, deixar meus filhotes distantes. Minha assessora até filmou a tristeza do meu pequeno Rafinha ao deixar-me no aeroporto. Foi muito sofrido tirá-lo do meu colo. O sofrimento foi tamanho que acabei perdendo o voo para Brasília.

Cheguei em cima da hora no Congresso, e não deu tempo de votar sobre o projeto da Vaguejada. Ao entrar no plenário, a votação nominal estava encerrada. Em parte, foi bom. Admito para vocês que não saberia como votar nesta questão. Eu defendo muito a causa animal, não gosto que fiquem puxando o rabo dos bichos, mas tenho um marido baiano, uma família nordestina, região onde essa cultura é muito forte.

Agora, mais do que isso, são as atrocidades jurídicas que se comete, porque a manutenção da vaquejada foi colocada na Constituição Federal. Onde na Carta Magna vamos tratar essas questões tipo vaquejada, rodeio…? Uma anomalia! Enfim, a vaquejada foi aprovada, para a alegria dos nordestinos.

 

Obstrução da base aliada

O assunto da semana é a Reforma da Previdência, com o texto-base aprovado pela Comissão Especial por 23 a 14, mas os destaques (para mudar alguns itens) ficaram para a próxima semana. O governo vem fazendo um trabalho acirrado para ter os votos necessários para a aprovação, mas não está fácil. O Planalto tem adotado postura de dama de ferro para sair-se vitorioso. Acredito que vocês acompanharam, pelo site da Câmara ou pela TV Câmara, a votação na comissão, que começou na manhã de quarta-feira e se estendeu até a madrugada do dia seguinte, como tem sido praxe por aqui quando está em pauta um tema polêmico.

No meio da discussão e votação do relatório do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), tinha uma emenda para incluir os agentes penitenciários na mesma regra destinada à aposentadoria dos policiais, com 55 anos de idade mínima. Havia um acordo para isso, mas um partido da base aliada do governo deu pra trás e o presidente da comissão suspendeu a votação para renegociar. Visualizem mentalmente a cena: aquela sala lotada, com titulares e suplentes do colegiado, assessores e credenciados, tudo parado para que a presidência renegociasse o acordo com um aliado que ‘desacordou’.

Diante de fato inusitado, a deputada Jandira Feghali (PCdoB) saiu-se com essa: “É, nós estamos aqui numa obstrução da base governista, e não da oposição”. Não teve como segurar o riso. Você olha aquela bagunça, todo mundo brigando e falando ao mesmo tempo, aquela confusão, uma hora da madrugada, dá vontade de rir. Meu Deus, um caos, as pessoas perdem a noção, perdem a estribeira… é terrível!

 

 

Quase me dei mal!

E se o ambiente já estava pegando fogo, a votação da Reforma da Previdência na Comissão Especial transformou-se num pandemônio, com a invasão de agentes penitenciários (assista o vídeo), contrariados com a retirada deles das regras de aposentadoria especial dos policiais, que têm 55 anos de idade mínima. Eles chegaram aos gritos e partindo pra cima dos parlamentares, agredindo verbalmente quem estivesse pela frente. Foram confrontados pelos policiais legislativos e, nisso, voou bala de borracha e bomba de gás lacrimogêneo pra tudo quanto é lado. Foi um corre corre danado em busca de proteção. Eu não fiquei parada, dando mole, também corri e fui me esconder no mesmo lugar onde estavam o presidente da comissão, gasCarlos Marun (PMDB-MS), o relator Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) e o líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). ‘Lascou!’, pensei, escolhi o pior lugar, vai cair uma bomba aqui (medo). E eu nem faço parte dessa comissão (o Alexandre Baldy, líder da nossa bancada, é o nosso representante), estava lá assistindo a votação. Felizmente, nenhuma bomba veio em nossa direção, mas só deu pra respirar um pouco melhor com um lenço no rosto. Como arde esse gás, que horror!

Nem esse nem nenhum outro

A Comissão da Reforma Política, da qual sou membro titular, se reuniu dias atrás com os ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para falar sobre o assunto. Na frente deles, todo mundo foi muito cordato, falando com entusiasmo que a lista fechada é a única solução e bla bla bla. Mas, mal saímos de lá e alguns já mudaram o discurso, dizendo “não voto em lista fechada”, “sou contra isso, sou contra aquilo”. Eu, que tenho boa interlocução com a maioria dos deputados, por causa do trabalho nacional de articulação que resultou no crescimento do nosso partido, conheço bem a cabeça de cada um, e, cá entre nós, lista fechada é algo bem difícil de passar na Câmara. O importante é entender que numa Reforma Política não existe fechamento de questão, não adiantar falar com o líder do partido para conseguir o consenso. Quando está em jogo a sobrevivência na política, os parlamentares não vão seguir o partido, então, é um a um pra saber se algo vai passar, é preciso falar com cada um. O deputado Marcelo de Castro, que foi relator da última Reforma, sempre faz uma pesquisa para saber qual o sistema eleitoral mais aceito pelos deputados. Ele chama essa pesquisa de ‘Marcelo Previ’. E o menos aceito pelo Parlamento é o atual, mas também não há maioria por nenhum outro sistema. Ou seja, não gostamos do atual, mas também não queremos nenhum outro.

tse

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