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Ligado não é ser aliado

Tem uma coisa que me chamou muito a atenção na eleição da Câmara: a galera vinculando os candidatos ao Eduardo Cunha. Fulano é aliado do Cunha, Sicrano é o candidato dele. Gente, vamos acordar e ser sensatos! O Cunha foi o presidente da Casa por mais de um ano. Todo e qualquer deputado tinha relação com ele, não tem como negar esse convívio, afinal, ele era o presidente da Casa. E foi um bom comandante, independentemente das questões pessoais dele. Agora, é puro delírio ficar dizendo que o cara que concorreu ou quem ganhou era aliado dele. Isso é besteira! Eu não vejo hoje, falando em bastidor, essa pressão do Cunha sobre a Casa como costumam falar por aí. Sinceramente, eu não vejo isso. O próprio Rodrigo Maia, que durante a campanha foi tratado como opositor de Cunha, era ligado ao ex-presidente, foi o relator da Reforma Política, presidiu importantes comissões da Casa, ou seja, teve muito apoio do Cunha nessa legislatura. O Rogério Rosso também tem amizade com Eduardo Cunha. Enfim, a maioria dos deputados tinha ligação com ele, justamente pela questão da presidência da Câmara. É a mesma coisa que uma empresa, onde todos os funcionários, de um modo ou de outro, têm ligação com o presidente. Ter ligação não significa ser aliado.

rosso e maia

Rosso e Maia disputaram o 2º turno para presidente (Foto: J.Batista)

Sem voz

O deputado Rogério Rosso mudou de nome nessa reta final de campanha à presidência da Câmara. Virou Rogério Rouco. É que ele falou tanto nesta semana, principalmente hoje, com os deputados-eleitores e ao telefone, em busca de votos para ser eleito, que perdeu a voz.

Quem vai ocupar a cadeira?

Todo mundo me pergunta quem vai ocupar a cadeira da presidência da Câmara. Está difícil fazer uma previsão. A bolsa de apostas muda a cada hora, porque a cada hora surge um fato novo, um nome novo. O PSDB tem um papel grande nisso e até agora não se definiu. Eu acho que o Rogério Rosso (PSD-DF) está bem cotado, o Fernando Giacobo vem trabalhando bem, tem Rodrigo Maia (DEM-RJ), o Marcelo Castro (PMDB-PI), enfim, os partidos grandes acabam tendo peso, embora não esteja em jogo os demais cargos da Mesa Diretora e nem as composições nas comissões permanentes e especiais da Casa, pois se trata de um mandato-tampão de presidente (por causa da renúncia do Eduardo Cunha), que vai só até fevereiro. Fora isso, a votação de hoje é secreta e o voto é muito pessoal, então, não tem como prever o resultado. Posso dizer apenas que vai ser uma disputa bem difícil. E nesse jogo legislativo eleitoral, tem até um bolão de quem vai ter menos votos. Afe, essa eu quero ver. Façam suas apostas!

Cadeira do presidente da Câmara dos deputados e deputadas, com o brasão da República. Foto Orlando Brito

Hoje, saberemos quem ocupará essa cadeira até 2017 (Foto:Orlando Brito)

Candidato por metro quadrado

Que bagunça nesta Casa! A cada minuto surge um candidato à principal cadeira da Câmara dos Deputados. Tem um candidato por metro quadrado. É impressionante como política é uma nuvem mesmo. Diziam que os mais fortes eram Rodrigo Maia (RJ) e Rogério Rosso (DF) e, do nada, surgiu a candidatura do Marcelo Castro (PI), com comentários que ele concorreria com o apoio do Lula, do PT e do PCdoB. Há boatos também de Orlando Silva (PCdoB-SP) colocar seu nome na disputa, o que dividiria ainda mais os votos. A cada instante o cenário muda e por aí vamos indo até meio-dia, quando se encerra o prazo para o registro de nomes à presidência da Câmara, cuja eleição acontece hoje, a partir das 16h.

cabine de votação

Cabines para a votação secreta já estão instaladas no plenário

 

Milagre da multiplicação

Gente, se somarmos os votos que dizem ter os candidatos à presidência da Câmara, dá 1.500 parlamentares na Casa. Cada um garante ter em média 100 votos. É o milagre da multiplicação, porque somos, oficialmente, 513 deputados. E nesse agito eleitoral interno, um deputado chegou pra um candidato e disse: “Olha, está preocupante esse negócio. Um concorrente tem a Brunny (MG) como cabo eleitoral e, se só a beleza dela não bastasse, ainda colocou a seu lado mais uma bonitona. Concorrência desleal. Assim fica difícil conquistar votos, hein?” (risos)

As ‘gaguetes’ do Gaguim

gaguim candidatoO PTN tem um deputado que registrou sua candidatura avulsa à presidência da Câmara dos Deputados, e agora nós o estamos apoiando. É o Gaguim, que foi deputado estadual duas vezes e governador do Tocantins. Ele é uma figura! Elétrico, impulsivo, sai fazendo as coisas sem perder tempo, ele é demais mesmo. Quando chegamos hoje na sala da liderança do partido, ele já havia dominado o espaço, com suas ‘gaguetes’. Sensacional! Segundo jornalistas setoristas no Congresso, se depender das ‘gaguetes’, o Gaguim já ganhou. Mas já tem descontentamento. Funcionárias da Câmara estão reclamando que o Gaguim esqueceu delas: Cadê os ‘gaguetos’? Kkkkkkk.

gaguetes 2

Até o Tiririca foi tietar as ‘gaguetes’, que estão fazendo o maior sucesso

 

Coração apertado e doído

E quem pensa que recesso parlamentar é tempo pra descansar… No fim de semana, para cumprir compromissos políticos, fui para Presidente Prudente, Presidente Epitácio e Santo Anastácio, nos extremos paulistas. Na quinta-feira, já tinha voado até Anápolis, em Goiás, retornado a Brasília, e horas depois, Brasília-São Paulo. Pra quem tem medo de voar, foi overdose de avião… e de pavor! Afe! Imaginem como estou? Meu mau humor está nas nuvens. Por causa do furdunço sobre a eleição da presidência da Câmara, já estou em Brasília. Nem vi meus filhos. Estou mal-humorada e triste. Podem ter certeza que quinta-feira, quando voltar para casa, vou tirar de uma vez meus únicos quatro dias de folga (lembram que falei que tinham apenas 4 dias de folga até outubro?) pra ficar com meus meninos. A saudade deles me arrebenta, gente, vocês não têm noção o quanto é ruim deixar nossos filhinhos em casa. Dói muito! Eu aguento ficar sem dormir, aguento ficar sem comer, mas ficar longe dos meus filhotes machuca demais.

Brasília no olho do furacão

Olha a confusão que está isso. Tá todo mundo meio perdido. Com a renúncia do Eduardo Cunha como presidente da Câmara, o Waldir Maranhão convocou a eleição para o mandato tampão (até fevereiro) para quinta-feira, mas os líderes não concordaram, porque a maioria quer que seja amanhã, pra que a Casa já tenha um presidente antes do recesso parlamentar, que começa na sexta.  Como o colegiado representa os parlamentares, os líderes também têm o poder de convocar a eleição. Então, a gente tem uma convocação para eleição amanhã e outra convocação para quinta. E nessa queda de braço sobrou para o secretário geral da Mesa Diretora, Silvio Avelino, um funcionário de carreira, expert em Regimento Interno da Casa, que já comandou por 15 anos o Departamento de Comissões da Câmara e chegou à Secretaria Geral com a eleição de Cunha. Quando os líderes o requisitam, o secretário tem de atender; quando o presidente chama, também tem de atender. Por ser um regimentalista de primeira, Avelino constatou a legitimidade da decisão do colégio de líderes, mas o Maranhão não gostou de o funcionário ter estado nessa reunião e o demitiu.  Agora estamos nesse impasse: ninguém sabe quando será a eleição do presidente-tampão e muito menos o que vai acontecer nesta semana. Pra vocês terem uma ideia como estão as coisas por aqui, na reunião de líderes chegaram a dizer que fazer a eleição na terça-feira era para atrapalhar a CCJC (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), que analisa a situação do Cunha e que pode retroceder todo o processo de cassação, que já foi aprovado na Comissão de Ética. Foi o bastante pra um bate boca intenso entre deputados. Enfim, esta semana teremos pela frente duas convocações de eleição. E sabem qual é a minha opinião? Isso tudo vai virar um imbróglio gigantesco, porque tem até partido avisando que vai entrar com recurso contra a decisão do colegiado. Vamos todos pra Brasília, os candidatos à presidência (por enquanto, são 13 que já manifestaram essa intenção) vão fazer campanha pelo voto, mas tudo indica que nada vai acontecer nesta semana.

maranhão e avelino

Maranhão (esq.) demitiu o secretário geral da Mesa Diretora, Avelino (dir.)

Tudo ao mesmo tempo

Essa semana que passou tivemos reunião da Comissão Especial do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, da qual sou membro titular. Eu defendo a liberação e a regularização dos jogos. A reunião foi bem polêmica, porque o relator fez um parecer bem restritivo, proibindo jogos on-line e caça-níqueis e, diante disso, tivemos uma discussão bem calorosa. Como sempre, no Congresso, tudo acontece na mesma hora. Você está lá no Ministério da Saúde, vendo a liberação de recursos de suas emendas para a base (Estado de sua representatividade), ao mesmo tempo tem reunião importante na comissão, precisa estudar o assunto, e também tem de atender as pessoas no gabinete, fora as demandas da liderança do partido. É muita pressão o tempo todo. Não paro um minuto.

marco regulatorio

Integro a Comissão Especial que discute a legalização dos jogos no Brasil

Discursos fora de hora

Sempre que tem sessão até tarde da noite, os parlamentares que estão no fundão começam a gritar ‘vamos votar, vamos votar, vamos terminar a sessão, vamos embora’. Semana passada, pelo andar da carruagem, tudo indicava que iríamos ficar madrugada adentro, uma vez que estava tendo obstrução (recurso usado para evitar a votação). Já passavam das 9 da noite e a gente nem tinha começado a votar a matéria principal, ainda estávamos nos requerimentos de obstrução. Faltando pouquinho para as 10 horas, enfim, foi fechado um acordo do governo com a oposição. Quem tinha apresentado destaques, os retirou e decidiu-se votar a matéria simbolicamente (lembram? Quem concorda permaneça onde está). Então, com o acordo feito, em cinco minutinhos poderia ser feita a votação e ir embora, e a nossa fome agradeceria imensamente. Eis que, ao invés disso, os deputados começaram a pedir a palavra, foram se dirigindo ao microfone da tribuna, primeiro um, depois outro, mais outro, discursando um, discursando outro. Resumo da ópera: votamos a matéria uma hora depois que o acordo havia sido feito. É incrível, têm dias que tudo corre sem atropelo, sem discursos fora de hora, mas, desta vez, com acordo firmado para encerrarmos a extensa jornada iniciada de manhãzinha, do nada começaram a subir na tribuna pra discursar. Vai entender, né?