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Balcão de negócios (1)

E sobre a votação em si, muito saiu na imprensa que deputados da base do governo estavam em plenário de caderninho em punho anotando a troca de voto pela liberação de recursos por meio de emendas ou por cargos. Isso é verdade, viu, estava um balcão de negócios na Câmara. Ridículo! O que me irrita muito é a oposição (leia PT) criticar essa postura do governo. Quando do impeachment da Dilma, eles fizeram a mesma coisa. É muita hipocrisia. Eu sou muito contra esse negócio de oposição a tudo. A gente tem de parar com essa briga de Direita x Esquerda, PT x PSDB x PMDB. Isso é péssimo para o País. É preciso ter coerência.

Têm muitas coisas que o governo propõe que eu concordo. Não se pode ser oposição ao Brasil. Essa inconsistência me irrita muito na política. Têm coisas que o governo vai propor, que são boas pro Brasil, a gente tem mais é que apoiar. Vejam a incoerência do PT: hoje, porque é oposição, é contra as mesmas coisas que apoiava quando era governo.

Rinha de galo

Essa talvez seja a melhor definição do que ocorreu na Câmara dos Deputados assim que o Eduardo Cunha realizou a eleição secreta para formação do colegiado da Comissão Especial que analisará o impeachment. Na semana passada, os líderes partidários haviam entrado em acordo para não permitir candidaturas avulsas. No entanto, na segunda-feira, deputados da oposição e dissidentes do PMDB reivindicaram a possibilidade de lançar chapa avulsa. O objetivo da chapa alternativa era compor um grupo com deputados do PMDB que são críticos ao governo Dilma, já que o então líder da bancada na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), apresentou apenas nomes mais em sintonia com o Palácio do Planalto. Eduardo Cunha aceitou os argumentos dos queixosos e marcou para terça-feira a eleição. Já em plenário, integrantes da base aliada tentaram obstruir, com uso de força física, a votação, o que gerou empurrões, troca de ofensas, cabeçadas e depredações. briga na votacao

O PC do B recorreu ao STF para garantir a votação aberta, mas, enquanto a resposta do Supremo não chegava, aliados do governo ficaram dentro das cabines de votação para impedir que os parlamentares votassem. Duas urnas foram quebradas e três desinstaladas. Nos entreveros, alguns parlamentares perderam a compostura, se ofenderam e chegaram a trocar safanões. O plenário parecia arquibancada em dia de final de campeonato de futebol. Gritos de guerra dos dois lados, Pixuleco, bandeiras tremulando, cartazes pró e contra Dilma, um barulho ensurdecedor. No fim, a chapa alternativa de deputados de oposição e dissidentes da base aliada foi eleita por 272 votos a 199. Horas depois o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin suspendeu o andamento do impeachment na Câmara. Fica tudo parado até o dia 16, quando haverá o julgamento pelo plenário do STF das ações de governistas, que questionam o início do pedido de afastamento da presidente.

O clima está pesado demais por aqui e tudo gira em torno do pedido de impeachment. Tem a discussão sobre ter ou não o recesso parlamentar e agora a carta que o vice-presidente escreveu para ela, mostrando claramente que a relação entre Michel Temer e Dilma Rousseff está estremecida. temer e dilmaTrata-se de uma carta pessoal que, estranha e curiosamente, veio a público. O foco da correspondência é o atual cenário político. O vice-presidente escreve que nos últimos dias a presidente tem insistido em falar na confiança que deposita nele, mas a indicação é a de que ela não confia. No texto, Temer enumera momentos em que se sentiu como ‘decorativo’ e reclama da desconfiança da presidente.

Com toda essa história do impeachment, tudo ficou muito complicado por aqui. Os partidos não têm consenso, salvo PT e PSDB, está uma guerra geral. Os deputados do Nordeste, onde o PT acabou fazendo muita coisa por lá, estão bem divididos. Vamos ver o que vai dar. Eu acho que as ruas, a pressão popular, vão dar a destinação desse processo de impeachment. As ruas vão dizer. Aguardemos!

Oposição e Situação

Se tem uma coisa que me irrita muito em Brasília é essa questão de ser situação ou oposição. Tinham os vetos presidenciais a serem votados, e muitos deputados da oposição eram a favor da derrubada um deles. Só que era importante manter o veto, por uma questão de economia do Brasil, de credibilidade. Eu, logo no início do mandato, votei a favor do Ajuste Fiscal. Independentemente dos erros cometidos pelo PT, e ele os cometeu mesmo, isso inegável, a gente não pode querer ‘fritar o governo’, ou ‘prejudicar o governo’, o governo é o Brasil, então, o que for necessário para resgatar de vez a credibilidade e melhorar a política no País acho que é justo fazer. E quando não for a favor do proposto pelo governo, quando aquilo vai ser prejudicial ao País, então, vota contra. Um deputado da oposição me disse: “Isso é um absurdo, esse veto tem de ser mantido”. “Mas como você vai votar?”, perguntei. “Eu vou pela derrubada, porque eu sou oposição, e aí a gente pode bater um pouquinho no governo, né?” Ah, gente, isso é demais, vamos votar pela nossa consciência, pelo que achamos certo. Eu fiquei muito chateada pelo veto do Judiciário, tenho uma pessoa muito próxima, que me ajudou muito, sabe, uma grande amiga, que é servidora do Judiciário, era importante para a categoria o reajuste salarial, mas eu ficava preocupada pelo resto do Brasil, sabe. Então, a dúvida foi enorme, tinha um lado pessoal forte, mas também tinha um sentimento de responsabilidade pelo País tão forte quanto. Agora, você ter consciência do seu voto e votar contra ou a favor só porque é oposição ou situação, aí eu acho demais. Temos de ser independentes e votar naquilo que acreditamos ser bom para o Brasil. Infelizmente, aqui são poucos os que têm essa independência de fato. Ser oposição ao governo é uma coisa, ser oposição ao País é outra!

Educação sofre duro golpe

Foi um dia muito cansativo e frustrante. Assim que pus os pés em Brasília fui direto para o colégio de líderes articular o requerimento de urgência do meu projeto de lei de Educação, para que Educação Política e Direitos do Cidadão seja componente obrigatório nas escolas. A proposta é incluir essa disciplina na Lei de Diretrizes Básicas, que já trata de algumas matérias que ela considera fundamentais para formação do cidadão. Eu acho que conhecer os seus direitos e o que fazem os nossos representantes políticos são essenciais para a formação do cidadão. Educação é minha maior bandeira nesta Casa. Mas, olha, o resultado foi uma enorme frustração. Falei com os líderes, distribui folder explicando direitinho meu projeto, consegui o apoio de todos eles, mas, quando chegou no plenário, os filósofos educadores dos partidos passaram a ‘buzinar’ no ouvido dos líderes e eles foram orientando ‘não’. E vejam isso: PT e PSDB são adversários políticos, o que um vota a favor, o outro é sempre contra, mas, quando se trata de Educação, os dois caminham juntos. Votaram ‘não’ ao meu requerimento, ou seja, unidos na decisão de não educar politicamente o nosso povo. Eu fico revoltada com isso, sabe. Temos de repensar a Educação e que tipo de cidadãos queremos formar neste País. Queremos jovens que passem nas melhores universidades, mas que desconhecem seus direitos e deveres como cidadãos? Que são obrigados a votar, mas que não sabem com exatidão o que faz cada governante? Como podemos cobrar dessas gerações que votem corretamente se não damos a elas o mínimo de conhecimento para isso? Como podemos responsabilizá-las por atos ilícitos se mal sabem seus deveres como cidadão?

No plenário, muitos deputados foram contra o requerimento de urgência alegando que incluir disciplina nas escolas é de competência do Conselho Nacional de Educação. A minha briga é que, enquanto essa matéria não for tratada como componente obrigatório e inclusa na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, a gente jamais vai ter a garantia que ela será ensinada. Hoje, a LDB já prevê o ensino da realidade social e política do Brasil, mas ninguém tem essa matéria nas escolas, justamente por ser tratada apenas como conteúdo.

É uma luta muito grande. Eu pedi urgência no plenário porque a Comissão de Educação tem muita gente filosofando e, para mim, Educação tem que ser pragmática, as coisas tem de acontecer, não dá pra ficar falando que há muitas matérias nas escolas. Então, cortem as matérias inúteis e colocam as úteis, que formem o cidadão do amanhã. Enfim, agora é continuar lutando por esse projeto, porque acredito que o futuro do Brasil depende de uma juventude mais politizada, mais ciente de seus direitos. Eu fico triste porque situação e oposição só se unem neste País para ir contra um projeto de Educação, o que é uma pena!

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Colégio de líderes aprovou, mas no plenário deputados votaram contra

Davi vence Golias

A última votação da semana foi a cláusula de desempenho do relator de plenário. Eu lutava pela cláusula de um representante eleito no Congresso. Entendo que um partido, mesmo sem Fundo Partidário, mesmo sem rádio/TV, passou pelas urnas porque o povo colocou representantes desse partido no Congresso, não poderia agora ser penalizado por uma cláusula de 2%, com seus deputados perdendo os direitos fundamentais, que é ter direito a voz. Para aumentar a nossa tensão em plenário, no último minuto o PSDB protocolou emenda, aumentando a cláusula de desempenho, que era para acabar, literalmente, com os pequenos. Foi uma briga de cão. Se a proposta em votação não fosse aprovada (precisávamos de, no mínimo, 308 votos), entraria a emenda tucana. A Casa registrava quórum baixo, o pessoal já estava indo embora, estava no final da sessão. Fui de um a um, pedindo voto… um sufoco! No final, conseguimos 369 votos. Foi uma explosão de alegria, assessores chorando, eu pulando de felicidade. Foi a vitória de Davi contra Golias. Não posso deixar de registrar aqui o apoio do PT e do PMDB, que foram solidários à nossa causa e isso nos ajudou muito nesta vitória.

votacao micrfone

Fui ao microfone defender essa cláusula, que é a mais justa

votacao expetativa

Expectativa e tensão,  acompanhando o painel eletrônico da votação …

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… e a nossa explosão de alegria quando saiu o resultado final no plenário

 

 

Ratos no plenário

Gente, pânico total no plenário da CPI da Petrobras. Quando o João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, entrava para depor, um homem que acompanhava a reunião soltou ratos no local. Foi um corre corre geral, uns caçando os roedores; outros, fugindo dos roedores. Terça-feira, o clima aqui já estava quente, por causa da regulamentação da terceirização, com manifestações e protestos. Eu estava na Comissão Especial da Reforma Política e lá fora era gente passando de maca, gente gritando, gás de pimenta nos corredores. Eles ficavam gritando “aqui só tem bandido”. Eu pessoalmente não me sinto nem um pouco ofendida, porque a carapuça não me serve. Acho que as pessoas têm essa mania de generalizar, de ‘tô brava com um, tô brava com outro, tô brava com o projeto e é tudo bandido’. Enquanto a gente não soube valorizar cada um com suas diferenças, é muito difícil lidar com o ser humano. Eu sempre trato isso meio que ignorando, mas é triste porque as pessoas não podem e nem deveriam generalizar.