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Derrotado pelo cansaço

O nosso senador José Medeiros (MT) não aguentou a maratona de semana tão agitada no Congresso, com as votações finais da Reforma Política e outras pautas polêmicas no Senado, fora todos os preparativos dele, como anfitrião, para o lançamento do Podemos em Mato Grosso. Foi justamente em Cuiabá que ele pestanejou enquanto aguardávamos para conceder entrevista ao Repórter MT. Foram apenas alguns segundinhos de cochilo. Nem quem é de ferro aguenta jornada tão estafante! E foi mesmo uma semana bem cansativa. No domingo, eu estive no Piauí, lançando o Podemos em Teresina, na segunda-feira já estava em Brasília e quinta-feira à noite desembarquei em Cuiabá, para o lançamento do partido no Mato Grosso. Cheguei sexta-feira à noite em São Paulo, louca para ver meus dois filhos, mas antes ainda tive agenda na Zona Norte. E, por causa do temporal e do costumeiro trânsito da Capital, peguei engarrafamento monstro. Afe, que cansaço!

Janela partidária não passa

Minha maior frustração era que estava lutando para a janela partidária. Tema que quase derrubou a sessão na Câmara. Eu apresentei uma emenda porque a última janela partidária resultou em distorções enormes. O PMB (Partido de Mulher Brasileira), que hoje não tem nenhum deputado na Casa, tem um tempo e um fundo proporcionais a 22 parlamentares e o Podemos, com 18 deputados, tem um tempo e um fundo de 4. Como a gente tem uma campanha presidencial, esse tempo de TV, que eu considero um absurdo e é distribuído conforme o número de eleitos pelo partido na eleição anterior, gera o maior abuso de poder econômico já visto, por isso sempre acabam eleitos os majoritários dos partidos grandes, porque são beneficiados por essa distribuição.

Lutei muito pela janela partidária, para corrigir essa distorção, mas, além dos grandes não quererem a janela, pelos motivos óbvios expostos acima, o tumulto deu-se por medo de ocorrer uma votação nominal. Já eram 3h30 da madrugada e o plenário não tinha mais quórum para nominal. Se ocorresse, e sem quórum, a sessão cairia e tudo o que havia sido votado não valeria mais, não dando mais tempo de se cumprir o prazo de as mudanças valerem para as eleições de 2018. Tentou-se, então, um acordo de só recalcular o tempo de TV, mas o PSDB não quis e, aí, foi minha burrice, fiquei dois dias sem dormir de raiva. Ao invés de propor, então, uma janela geral agora, sem portabilidade de tempo de TV, para poder trazer os vereadores que querem vir para o Podemos, eu fiquei com receio de cair tudo e não fiz nada. Que raiva!

Apresentei emenda para tentar corrigir enorme distorção na janela anteior

 

Hóspedes estrelares

Essa foi uma semana de estrelas no meu apartamento em Brasília. Estão hospedados em casa Marcelinho Carioca, o Pé de Anjo do Corinthians, e a Érica Paz, atriz da TV Globo e campeã mundial de jiu-jitsu. O Marcelinho já faz parte do Podemos e a Érica veio especialmente para a Capital federal só para se filiar ao nosso partido. Os dois vão ajudar muito no projeto Podemos, aliás, está muito legal o crescimento do partido, uma coisa que gosto de construir. Mas, gente, dá um trabalho tremendo: cuidar de bancada, de deputados, de articulação, é todo mundo em cima de você, é muito complicado. Eu gosto disso tudo, mas que dá trabalho dá, e muito!

 

 

Podemos no Pará

Fui para o Pará, no lançamento do Podemos, mas mal fiz o check-in no hotel e recebi a notícia que meu pai estava passando mal. Embarquei de madrugada para São Paulo e não pude participar da solenidade do partido, que soube ter sido um sucesso. Estamos viajando o Brasil ao lado do senador Alvaro Dias e dos demais deputados federais da bancada, levando o nosso projeto do Podemos e a pré-candidatura do nosso senador à Presidência da República. A receptividade tem sido estupenda e isso me deixa muito otimista.

Volta em ritmo alucinado

E, encerrado o recesso, já estamos em Brasília, onde a semana promete ser bastante intensa e tensa. Ontem, das 6h até as 20h, fiquei fechada no gabinete escrevendo meu voto em separado da Reforma Política. É aquele sobre a Emenda Lula (ver post do dia 18 de julho), mas tem uma série de outras coisinhas que também não concordo, então, foi um dia muito cansativo, de muito estudo, para embasar bem o meu voto na comissão. Depois, fui à casa da deputada Jozi Araújo (Podemos-AP) pra conversamos sobre campanha presidencial, estratégias e planejamento, enfim, muita coisa pra cuidar. Afe, é muita coisa! E olha que estamos apenas na primeira semana do segundo semestre, que promete fortes emoções.

Recesso? Que recesso?

E terminou o recesso de parlamentar. Ao contrário do que muitos pensam por aí, recesso não é férias, não. É período de muito trabalho! Aproveitei para colocar minha agenda em dia. Tinham muitos pedidos de reuniões e eu não estava dando conta de atender, até porque se passa metade da semana em Brasília. Também estive à frente dos eventos nacionais do nosso Podemos. Como estamos com a pré-candidatura do senador Alvaro Dias à Presidência da República, estivemos no Rio Grande do Norte e no Maranhão, apresentando o nosso projeto e o nosso presidenciável ao povo da região Norte. E, lógico, levei meus filhos a tiracolo, porque seria angustiante a saudade deles nessa maratona de compromissos.

Voto por convicção

Tivemos um dia nesta semana que passou que, realmente, foi muito cansativo, porque tudo aconteceu ao mesmo tempo. Começou com a reunião da Comissão da Reforma Política, na qual eu tinha de estar presente, por ser grande defensora de algumas situações, principalmente em defesa do pluripartidarismo. Ao mesmo tempo, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o deputado de nosso partido havia se manifestado favorável à não admissibilidade do processo contra Temer, indo contra o posicionamento do PODEMOS. Teve toda uma movimentação para que ele saísse da comissão e eu pudesse entrar e declarar o real voto do partido. Fomos o único partido que fez isso, outros trocaram seus membros, mas para votar a favor do presidente. Nós fizemos justamente o contrário.

Gente, fazer essa articulação não é fácil. Os líderes sofrem aqui demais, mas, felizmente, conseguimos maioria para posicionar a bancada. Vejo outros partidos fechando questão, aliás, apanhei muito na época do impeachment da Dilma Rousseff por não adotar essa postura. Eu respeito muito aqueles que são contra a denúncia a Michel Temer por convicção. Tem quem vota porque a denúncia não é consistente, ou porque acha que pode gerar mais instabilidade no país. Eu super apoio essas pessoas, mas desaprovo quem recebeu algo em troca. Isso é péssimo. Uma coisa que deixo muito claro em nosso partido é que os nossos deputados tenham suas convicções e que sejam julgados por seus atos. Eu sempre procuro o convencimento, e não a imposição. E tenho conseguido. Defendo a democracia na sua essência e, felizmente, isso tem dado muito certo.

Seu voto, minha decisão

Defensora da democracia direta, lancei uma ferramenta no site do PODEMOS (https://goo.gl/E9MPEv) onde as pessoas vão decidir o meu voto em plenário, no dia 2 de agosto, sobre o processo contra o presidente Michel Temer. Tenho certeza que quanto mais pessoas participarem desse momento ímpar na política nacional, mais motivaremos outros deputados que façam o mesmo, deixando que o povo decida com a gente os principais assuntos do Brasil.

Espelho da sociedade

O que mais me frustra é que, ouvindo colegas de Parlamento, eles falam muitas verdades. “Renata, não importa o que você vota aqui ou fala aqui. O eleitor quer saber o que você faz lá na base dele. É a intermediação para conseguir uma cadeira de rodas, é o asfalto…” É triste isso, mas é verdade, gente. A mudança do Brasil depende da mudança de cada cidadão. Esse Congresso representa muito o que é a nossa sociedade. Me desculpem a franqueza, mas o eleitor, não todos, quer saber o que político pode dar para ele. Por que têm deputados trocando voto por emenda parlamentar ou cargo no governo? Porque eles sabem que o eleitorado não está preocupado como votam aqui. Na reta final, o que vai importar é o que eles entregaram na base, se conseguiram asfaltar a rua, se chegou não sei o que na UBS. Essa é a verdade! Então, eles terem cargos no governo é importante para que possam viabilizar o que os eleitores esperam deles. Infelizmente, acreditem se quiser, mas é a política no Brasil.

Quando vou debater com um deputado, eu vou na ideologia, vou justamente na defesa de que a população tem o direito de ser ouvida. Mas, quando ouço os argumentos e conhecendo campanha eleitoral como eu conheço, a gente sabe que os parlamentares têm certa razão. Isso é frustrante demais! Nós temos um problema cultural sério. Temos um problema de comportamento social, e o governo também faz parte disso. Uma das propostas do meu partido, o PODEMOS, a qual eu defendo muito, é a democracia direta. Por que? Se a população tivesse o poder de decidir os rumos do país, de decidir o voto junto com seus deputados, obviamente, esse tipo de situação não haveria mais, pois não haveria barganha nos bastidores.

A democracia direta é grande conquista para o Brasil. As pessoas poderem, por meio da tecnologia atual, decidir o país que quer. E não estou sendo radical não, sei que temos um sistema representativo, mas é preciso mais práticas, mais ações de democracia direta, mais participação direta do povo nas principais questões do país.

Congresso reflete a sociedade; a mudança depende do cidadão

Cenas desrespeitosas

A Reforma Trabalhista agora está nas mãos do presidente Michel Temer. O que aconteceu ontem no Senado foi muito triste. A instituição Senado foi desrespeitada e humilhada. Fez-me lembrar das tristes cenas de estádios de futebol ou dos confrontos de manifestantes na rua, com A e B ofendendo-se e agredindo-se mutuamente. Democracia é a arte de dialogar, discutir ideias e propostas, mas o que vimos foi uma bandalheira.

Envergonharam o Brasil. Defendo a Reforma Trabalhista, mas, talvez pelo delicado momento pelo qual atravessa o nosso País, não fosse a época adequada para colocarmos essa e outras reformas em cena. Isso, no entanto, não dá o direito de se desrespeitar e ridicularizar uma instituição. Que mau exemplo foi dado. Volto a insistir: pela delicada situação que atravessamos, não se pode transformar o momento numa guerra de torcidas, numa guerra de poder, de enfrentamento entre esquerda e direita. Isso só aumenta a nossa instabilidade como Nação, a nossa desgovernabilidade. E pior: jogam com o povo, divulgando informações erradas para confundir os brasileiros.

Não vou me alongar muito nessa dicotomia esquerda e direita, até porque não compactuou disso. Meu projeto, assim como do nosso Podemos, é ir em frente. É dividir com o povo decisões, não lados. A Reforma não tira nenhum direito dos trabalhadores! Tira sim a obrigatoriedade da contribuição sindical e, por isso, os sindicatos (que tem um lado político, e não é o lado do povo) estão bravos e transformando o debate em guerra. Respeito os parlamentares que não concordam comigo, respeito o direito de eles falarem sobre isso (não de ocupar uma Casa de Leis e impedir que os trabalhos prossigam), mas ressalto: a Reforma Trabalhista moderniza as relações de trabalho. Muitos brasileiros não trabalham mais sob o regime da CLT. E a proposta aprovada amplia a normatização de várias modalidades que hoje são realidades no Brasil, mas feitas de maneira ilegal e sem qualquer proteção e segurança ao trabalhador.

Senadoras impediram Eunício de Oliveira de ocupar seu lugar na mesa

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