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Medo da janela de transferência

Na PEC 282, passou um texto que ninguém percebeu. Eu mesma só vi isso depois, mas não tinha mais destaques a ressalvar, não dava para fazer mais nada, regimentalmente falando. Trata-se de um artigo que regulamenta as causas de fidelidade partidária e as que permitem a saída da legenda sem perder o mandato. Nós temos uma janela de transferência, que ocorre seis meses antes de cada eleição. Pois bem, esse texto da PEC, que passou sem ninguém se tocar, quer restringir as causas para a mudança de partidosem perder o mandato, a ponto de acabar com todas as janelas de transferência possíveis, inclusive a que está em vigor atualmente. Na reunião de lideres, PSD e PP defenderam que tivesse apenas uma única janela com portabilidade (quem muda de partido leva fundo e tempo de TV). Só que o PSDB não quer, porque entende que o cenário não está bom para ele e pode perder muitos parlamentares. Nessa reunião o Baleia Rossi, líder do PMDB, partido do presidente da República, manifestou-se contra a janela de transferência. Agora, cá entre nós, se o partido do presidente da República está com medo da janela com portabilidade, tendo na mão a caneta da máquina governamental, então eu sou kamikaze geral. Kkkkkk

O nosso partido não tem nada para oferecer, a não ser um programa consistente que a gente desenhou, uma pesquisa e um sonho de um projeto que se difere dos demais. É isso! Os deputados que vieram para o Podemos não têm cargo, não têm ministério, não têm dinheiro, não têm nada, eles vieram por causa da nossa união, a maioria de primeiro mandato, por gostarem da gente e de como trabalhamos. Somos o partido que mais cresceu no Congresso. Elegemos quatro deputados, perdemos dois na janela e hoje somos 18 deputados federais e três senadores. Meu trabalho é corpo a corpo, é de convencimento, é mostrar para o deputado que ele precisa estar num projeto limpo, transparente, de participação popular e democracia direta no mais amplo sentido da palavra democracia. Tenho conseguido com trabalho atrair mais e mais filiados, não com negociação escusas ou barganhas. Agora, é surpreendente ver um partido que está na Presidência da República temer a janela de transferência. Inconsistência total!

Balcão de negócios (1)

E sobre a votação em si, muito saiu na imprensa que deputados da base do governo estavam em plenário de caderninho em punho anotando a troca de voto pela liberação de recursos por meio de emendas ou por cargos. Isso é verdade, viu, estava um balcão de negócios na Câmara. Ridículo! O que me irrita muito é a oposição (leia PT) criticar essa postura do governo. Quando do impeachment da Dilma, eles fizeram a mesma coisa. É muita hipocrisia. Eu sou muito contra esse negócio de oposição a tudo. A gente tem de parar com essa briga de Direita x Esquerda, PT x PSDB x PMDB. Isso é péssimo para o País. É preciso ter coerência.

Têm muitas coisas que o governo propõe que eu concordo. Não se pode ser oposição ao Brasil. Essa inconsistência me irrita muito na política. Têm coisas que o governo vai propor, que são boas pro Brasil, a gente tem mais é que apoiar. Vejam a incoerência do PT: hoje, porque é oposição, é contra as mesmas coisas que apoiava quando era governo.

PTN na comissão

Muita gente tem me questionado a posição do PTN na Comissão Especial que analisa o processo de impeachment contra Dilma, porque o nosso representante, Bacelar (BA), aparece como indeciso. A minha posição, todos sabem, sou a favor do impeachment, eu represento a voz do povo. Acontece que a nossa bancada acabou de ser formada, com ingresso de deputados do PMDB, do PSDB, do PSD e do PTB. Muitos estão se conhecendo agora e a gente ainda está discutindo isso. Cada um tem sua opinião sobre impeachment, mas está decidido que o voto do PTN na comissão será de acordo com o grupo.

Blogueiro mentiu

Brasília viveu um dia de Carnaval em Salvador, com direito a carro de som e muito agito. Tudo por causa da votação para liderança do PMDB, que chegou a envolver até mesmo gente de outros partidos. A disputa foi entre o Leonardo Picciani (foto), que tinha o apoio do governo, e o Hugo Motta, apoiado por Eduardo Cunha. Picciani acabou vencendo por 37 a 30 votos. Eu não participei disso, até porque não dizia respeito ao meu partido, mas indiretamente o nome do PTN foi usado.  Saiu uma notinha num blog político que o Eduardo Cunha ameaçava esvaziar o PMDB, levando 15 deputados federais para o PTN, caso seu candidato não conquistasse a liderança da legenda. Hello, blogueiro, eu sou a vice-presidente nacional do partido e não soube nada disso. Que notícia plantada, hein? Gerou um bafafá no Congresso, todo mundo me perguntando. Interessante como essas informações surgem do nada, as pessoas plantam isso e o povo da mídia nem checa? Simplesmente publica, doa a quem doer. Me parece ter sido feito pra pressionar o grupo não alinhado com o Eduardo Cunha, tipo ‘se vocês não me ajudarem a eleger o líder, eu tiro uma galera do PMDB’.  Não sei a razão de terem usado o nome do meu partido, mas quero deixar bem claro aqui que o PTN não se sujeita nem se submete a esse tipo de jogo, picuinhas e mentiras para pressionar quem quer que seja.

Matemática ilógica: 1+1=1

Gente, acabamos de sofrer um golpe no plenário. Lembra que conseguimos impedir o fim das coligações, que prejudicava demais os pequenos partidos? Pois bem,  acabam de fazer uma amarração aqui, mudando a quantidade de candidatos que cada partido poderá registrar nas eleições proporcionais (vereador e deputado). Atualmente, cada partido pode indicar até 150% de candidatos em relação ao número das vagas em disputa, enquanto que as coligações podem indicar até 200%. Explicando: vamos supor uma cidade com 10 vereadores. A agremiação partidária pode lançar 15 candidatos se concorrer sozinha; se coligar, pode lançar o dobro, ou seja, 20 candidatos. A proposta mantém os 150% para quem concorre sozinho e, incrível, reduz para 100% em caso de coligação. Ou seja, quem vai querer coligar? Coligar para concorrer com menos? Qual a lógica? Fiquei possessa. Com essa emenda, não só teremos muito mais candidatos como também os custos das eleições se manterão elevados, porque os partidos vão concorrer sozinhos. Não entendo: colocam uma Reforma Política em votação, aprova-se a manutenção das coligações e, semanas depois, criam (e aprovam) essa emenda ilógica. Incrível como vira e mexe manobram algo para atingir os pequenos partidos. Parece que ainda não aceitaram a renovação no Congresso proporcionada por essas legendas partidárias. Essa emenda é um dos maiores absurdos políticos que poderia estar acontecendo no Brasil. Nós tínhamos de brigar por uma Constituinte. Não tem como esse Parlamento fazer essas leis. É sério, tá ridículo isso!

Davi vence Golias

A última votação da semana foi a cláusula de desempenho do relator de plenário. Eu lutava pela cláusula de um representante eleito no Congresso. Entendo que um partido, mesmo sem Fundo Partidário, mesmo sem rádio/TV, passou pelas urnas porque o povo colocou representantes desse partido no Congresso, não poderia agora ser penalizado por uma cláusula de 2%, com seus deputados perdendo os direitos fundamentais, que é ter direito a voz. Para aumentar a nossa tensão em plenário, no último minuto o PSDB protocolou emenda, aumentando a cláusula de desempenho, que era para acabar, literalmente, com os pequenos. Foi uma briga de cão. Se a proposta em votação não fosse aprovada (precisávamos de, no mínimo, 308 votos), entraria a emenda tucana. A Casa registrava quórum baixo, o pessoal já estava indo embora, estava no final da sessão. Fui de um a um, pedindo voto… um sufoco! No final, conseguimos 369 votos. Foi uma explosão de alegria, assessores chorando, eu pulando de felicidade. Foi a vitória de Davi contra Golias. Não posso deixar de registrar aqui o apoio do PT e do PMDB, que foram solidários à nossa causa e isso nos ajudou muito nesta vitória.

votacao micrfone

Fui ao microfone defender essa cláusula, que é a mais justa

votacao expetativa

Expectativa e tensão,  acompanhando o painel eletrônico da votação …

votacao comemora 1

… e a nossa explosão de alegria quando saiu o resultado final no plenário