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Sem fisiologismo, por favor!

Olha, gente, conviver aqui tem me deixado triste e com raiva. Sinceramente, chega a embrulhar o estômago ver deputado se vendendo o tempo todo, negociando privilégios. De verdade, há uma enorme distância da cabeça dos parlamentares com o que deseja a sociedade. Nem todos os deputados estão voltados a interesses escusos, é bom deixar isso bem claro, mas têm muitos que agem sem pensar no povo. Gostaria de pedir uma coisa aos eleitores: peguem a lista dos que votaram pelo impeachment da Dilma, pela cassação do mandato do Eduardo Cunha e pela admissibilidade das investigações contra Michel Temer. Mesmo que vocês não concordem com as posições tomadas, vejam que foram os parlamentares que se portaram de forma independente e não foram fisiologistas, porque não negociaram com o governo do PT, não negociaram com o governo do PMDB e não negociaram com o então presidente da Câmara Eduardo Cunha. A gente precisa muito disso no Brasil, desse tipo de atitude. E, em 2018, vamos tentar eleger pessoas mais preocupadas com o interesse da população.

 

Agimos rapidamente

Um dos nossos deputados foi convidado para ser ministro das Cidades, e aceitou. A gente quase entrou em pânico, porque o nosso partido não é situação nem oposição, é independente, e não faz parte do governo. Esse deputado foi aquele destituído da liderança da bancada por ter feito uma construção pró-governo quando da votação da primeira admissibilidade da investigação de Temer pelo STF. Na época, ele chegou a anunciar sua saída do partido, mas acabou não fazendo. Pois bem, tão logo foi anunciado como ministro, prontamente fizemos sua desfiliação do Podemos, não dando tempo para o falatório de que o nosso partido estaria alinhado com o governo, inclusive com um ministério em mãos. Tomamos rapidamente uma decisão e evitamos o diz-que-me-diz sem fundamento, mas, afe, foi um sufoco!

Vetado limite de doação

O presidente da República vetou o limite de doação de pessoa física em campanha eleitoral, recentemente aprovado pelo Congresso. Na discussão da Reforma Política, aprovou-se o limite de 10% do rendimento bruto do ano anterior, declarado no IR, ou 10 salários mínimos, valendo o que for menor. Mas isso foi vetado pelo presidente da República, ou seja, tirou-se o limite de doação individual. Essa questão do imposto de renda, eu acho ruim, porque as pessoas mais simples que queiram doar pouco muitas vezes não têm esse controle, e a multa é grande. O limite deveria especificar um valor, por exemplo, um salário mínimo, R$ 1 mil ou R$ 2 mil, um fixo especificado, que facilitasse a arrecadação e a atuação de pessoas físicas no financiamento de campanha, que tem de ser cada vez mais a forma de financiamento das democracias, mas para isso precisa ser desburocratizado, regulamentado, enfim, tornado mais fácil e mais claro para que aconteça.

Desânimo passageiro

O mundo político às vezes me enoja. Chego até me perguntar porque estou aqui, mas, quando visito as comunidades e vejo a esperança que as pessoas te depositam, quando votei a favor da investigação contra o Temer e as pessoas fizeram questão de dizer que eu as representava, volta a vontade enorme de continuar lutando. Entretanto, tenho de revelar que é um universo bem desgastante. A gente é atacada publicamente, fica longe da família, isso desgasta muito, só que em contrapartida recebe esses estímulos de pessoas do bem para seguir em frente. Aliás, estou bem motivada com o projeto do nosso senador Alvaro Dias, pré-candidato a presidente da República. Temos de assumir um protagonismo para lutar por aquilo que a gente sonha, e não ficar apoiando por fisiologismo. Estou me empolgando muito com isso. Vou para a reeleição, e já estou trabalhando para isso.

Bumbum de fora

E essa foi a semana da denúncia contra o Temer. A Câmara parou para votar o relatório do Bonifácio Andrada pela não admissibilidade da investigação do STF. Estava um clima muito apático. A população contrária a Temer não se mobilizou, não se manifestou, e aqui a pressão popular tem um peso enorme. Com certeza, se tivesse pressão popular o resultado poderia ter sido outro. O nosso Podemos orientou o voto `não` ao relatório, ou seja, favorável às investigações da denúncia pelo Supremo. Teve uma situação engraçada que ocorreu com um deputado. Ele estava no cafezinho do plenário e, quando foi se sentar, a calça prendeu no assento e rasgou do cós quase até o joelho. Ficou desesperado, telefonou para a esposa trazer urgente outra calça porque já estava ocorrendo a votação e logo seria chamado ao microfone para anunciar seu voto. Ele ainda estava no banheiro trocando de calça quando o presidente Rodrigo Maia chamou seu nome. Foi aquele furdunço, todo mundo telefonando para que se apressasse, mas ele acabou não chegando a tempo no plenário para votar. A base do governo entrou em pânico, achando até que o deputado tinha virado a casaca ou que não iria comparecer. Na verdade, o atraso deu-se porque tinha ficado de bumbum de fora (kkkk), mas, na segunda chamada, já de calça trocada, ele pode revelar seu voto.

Viagem perdida

Na semana passada, a última para apresentar as emendas parlamentares, muitos prefeitos e vereadores estiveram em Brasília para acompanharem as indicações de recursos federais empenhados para seus municípios. Só que não tinham ministros em seus postos, porque os que são deputados foram exonerados dos cargos para votarem em favor de Temer. Viagem perdida, prejuízo no bolso!

Função distorcida

E o bastidor político dessa votação sobre o Temer? Foi muita articulação, gente! Nossa, se vocês tivessem ideia do que foi aquilo, pressão demais. Muita gente telefonando, deputado do PMDB, que votaria contra o Temer, escondido, escondido mesmo, porque estava sendo procurado pelo pessoal do governo, governador ligando, a base telefonando pra votar a favor da denúncia (ou contra), ministro oferecendo liberação de emenda parlamentar em troca de voto. O triste foi ouvir de muitos parlamentares o seguinte: “Renata, não importa o que você vota aqui. Esse voto não te dá nem te tira voto eleitoral. O que importa é a estrada que você vai fazer. Se o ministro te liberar, por exemplo, R$ 10 milhões pra fazer uma estrada ou para pavimentar ruas numa comunidade, é isso que o povo quer e vai se lembrar depois”. No fundo, gente, eles têm razão. Triste demais. Eu, por convicção, prefiro não fazer as melhorias, que, aliás, nem são funções de deputado federal (isso é função do prefeito, do governador, do Executivo). A percepção do que a sociedade quer tem que ser mais ampla. O papel do deputado federal é cuidar da legislação do país, nós não podemos ter e nem compactuar dessa visão eleitoreira.

O valor do voto

Quando eu fui votar nessa questão do Temer, fiquei bem nervosa. É um momento em que você pensa o quanto um voto faz diferença. Tem gente que não dá valor ao voto, que pode ser o suficiente pra eleger alguém ou pra manter ou derrubar um presidente da República. Mais do que isso até: o meu voto, naquele momento, representava muito. Foi uma responsabilidade imensa com o futuro da Nação, futuro do Brasil, futuro dos nossos filhos. Eu, como mãe, não tinha como não me sensibilizar e não pensar nisso naquele instante. Não era simplesmente um voto.

Balcão de negócios (2)

Ah, estava esquecendo. Durante a sessão, apareceram várias malas etiquetadas com ‘Fora Temer’ e atoladas de papéis imitando dinheiro, com a efígie do presidente estampada nas cédulas de mentirinha, que foram jogadas no plenário, enquanto cartazes eram erguidos com a seguinte frase: “Apoio comprado é vergonhoso”. Teve também um Pixuleco, aquele bonequinho inflável do Lula, que acabou murchando porque foi mordido por um petista.

Contrariou a Executiva

A semana foi dose. Foram dias sem parar um minuto e, sem tempo até pra falar com o marido, entrei em crise no meu relacionamento (rs). Foram dias muito corridos. Estava muito envolvida em nosso projeto majoritário, percorrendo vários Estados com nosso pré-candidato a presidente da República, senador Alvaro Dias. Quem conhece política sabe que é o líder do partido na Câmara quem cuida da bancada. Quando a gente voltou dessa maratona de compromissos pelo Norte do país, reunimos a bancada num café da manhã. E qual a nossa surpresa? O líder já tinha levado muitos deputados nossos a votarem a favor do presidente, contrariando a recomendação da nossa Executiva de se posicionar contra Temer. Resultado: uma crise muito grande na liderança e o partido dividido. Isso acontece muito em todos os partidos também. Após-votação, a bancada voltou a se reunir e entendeu por bem trocar o líder. E ponto final!

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