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Vai dar um nó!

E, por falar na semana que passou, tivemos outra vez votações até de madrugada. Aprovou-se a cláusula de barreira, o fim das coligações e a instituição das federações. Aprovações feitas por acordos, para que vocês saibam, porque ninguém quer o fim das coligações em 2018. No entanto, o PP está obcecado pelo distritão e ameaça não votar o Fundo, que é um pleito do PT. Eles falam, e eu até concordo, que colocar Fundo Eleitoral sem alterar o sistema eleitoral não faz sentido, porque no sistema proporcional não há dinheiro que o sustente. Enfim, esta é essa briga. Aprova-se esses itens para os deputados entrarem em pânico, porque não vai ter mais coligação, e votarem o distritão nesta semana. Agora, vejam que situação interessante se criou: os destaques (partes polêmicas do projeto que são votadas após a aprovação do texto principal) desta PEC 282 (que veda coligações para eleições proporcionais e cria uma cláusula de barreira) serão votados depois da votação da PEC 77 (que trata do sistema eleitoral). Suponhamos que se aprove o distritão e depois as polêmicas (emendas) da PEC 282, que podem mudar muita coisa. Vai dar um nó!

 

Cansaço, mau humor e clima seco

Já começou a troca-troca de partidos, mesmo sem ter a janela de transferência. Por isso, passa-se muito tempo em articulação. Acrescente as reuniões e os debates da Reforma Política, que tem também tomado muito tempo, e também as comissões permanentes e legislativas, que igualmente estão em ritmo intenso de trabalhos. Coloque tudo isso num caldeirão de excessivas atividades ao mesmo tempo e o resultado é alta dose de cansaço. Fora o mau humor, porque a toda hora te puxam pra falar de um assunto, é Reforma Política, é resolver problema da bancada, outra não sei o quê. Fora o clima que está mais seco do que nunca, com baixa unidade no ar. O nariz chega a sangrar por causa da baixa umidade do ar. Tá difícil!

Uma dupla e tanto!

Encontrei alguém que tem mais medo de avião do que eu. Indo para Brasília, sentei ao lado do amigo e também deputado federal Alex Manente (PPS-SP). Ele foi a viagem inteira com celular ligado e olhos grudados num aplicativo que mostra a altura em que está o avião, se está descendo ou subindo, se está caindo (rs). Fizemos uma dupla e tanto nesse voo, eu tensa e coração acelerado e ele sem desviar os olhos da tela do celular. Foi desesperador! Kkkkkkk

Nada bom, nada bem!

Semana passada foi muito difícil para mim. Peguei uma gripe daquelas, meu pai, Zé de Abreu, foi para o hospital e teve de ser submetido a cirurgia de emergência, bancada parlamentar em conflito, articulações pendentes e a Reforma Política rolando sob enorme pressão. Não estava nada bom e eu não estava nada bem. Minha vontade era largar tudo, e acabei fazendo um pouco isso. Não atendi quase ninguém, deixei meu celular com a assessoria e regressei de Brasília direto para a missa, rezar. Acho que estava distante da minha espiritualidade, muita coisa dando errado. Cancelei minhas agendas do final de semana para ficar com meu pai no hospital e com minha família. Dificilmente tenho crises de estresse, mas desta vez, veio com tudo, e a equipe inteira teve de aguentar meu super mau humor (rs).

Aprovado sem discussão

Como o relator não colocou o Distritão em seu relatório, houve amplo debate que resultou na reconstrução do texto final pelos deputados integrantes da Comissão Especial. Com isso, a sessão estendeu-se por muitas e muitas horas. De madrugada, todo mundo cansado e com fome. Eu também, e acabei pedindo um McDonald’s. A deputada Laura Carneiro entrou no recinto carregando uma bandeja cheia de hambúrgueres. Esse ‘destaque’ (lanches) todo mundo provou e aprovou sem discussão (kkkkkk).

Função distorcida

E o bastidor político dessa votação sobre o Temer? Foi muita articulação, gente! Nossa, se vocês tivessem ideia do que foi aquilo, pressão demais. Muita gente telefonando, deputado do PMDB, que votaria contra o Temer, escondido, escondido mesmo, porque estava sendo procurado pelo pessoal do governo, governador ligando, a base telefonando pra votar a favor da denúncia (ou contra), ministro oferecendo liberação de emenda parlamentar em troca de voto. O triste foi ouvir de muitos parlamentares o seguinte: “Renata, não importa o que você vota aqui. Esse voto não te dá nem te tira voto eleitoral. O que importa é a estrada que você vai fazer. Se o ministro te liberar, por exemplo, R$ 10 milhões pra fazer uma estrada ou para pavimentar ruas numa comunidade, é isso que o povo quer e vai se lembrar depois”. No fundo, gente, eles têm razão. Triste demais. Eu, por convicção, prefiro não fazer as melhorias, que, aliás, nem são funções de deputado federal (isso é função do prefeito, do governador, do Executivo). A percepção do que a sociedade quer tem que ser mais ampla. O papel do deputado federal é cuidar da legislação do país, nós não podemos ter e nem compactuar dessa visão eleitoreira.

O valor do voto

Quando eu fui votar nessa questão do Temer, fiquei bem nervosa. É um momento em que você pensa o quanto um voto faz diferença. Tem gente que não dá valor ao voto, que pode ser o suficiente pra eleger alguém ou pra manter ou derrubar um presidente da República. Mais do que isso até: o meu voto, naquele momento, representava muito. Foi uma responsabilidade imensa com o futuro da Nação, futuro do Brasil, futuro dos nossos filhos. Eu, como mãe, não tinha como não me sensibilizar e não pensar nisso naquele instante. Não era simplesmente um voto.

Balcão de negócios (2)

Ah, estava esquecendo. Durante a sessão, apareceram várias malas etiquetadas com ‘Fora Temer’ e atoladas de papéis imitando dinheiro, com a efígie do presidente estampada nas cédulas de mentirinha, que foram jogadas no plenário, enquanto cartazes eram erguidos com a seguinte frase: “Apoio comprado é vergonhoso”. Teve também um Pixuleco, aquele bonequinho inflável do Lula, que acabou murchando porque foi mordido por um petista.

Balcão de negócios (1)

E sobre a votação em si, muito saiu na imprensa que deputados da base do governo estavam em plenário de caderninho em punho anotando a troca de voto pela liberação de recursos por meio de emendas ou por cargos. Isso é verdade, viu, estava um balcão de negócios na Câmara. Ridículo! O que me irrita muito é a oposição (leia PT) criticar essa postura do governo. Quando do impeachment da Dilma, eles fizeram a mesma coisa. É muita hipocrisia. Eu sou muito contra esse negócio de oposição a tudo. A gente tem de parar com essa briga de Direita x Esquerda, PT x PSDB x PMDB. Isso é péssimo para o País. É preciso ter coerência.

Têm muitas coisas que o governo propõe que eu concordo. Não se pode ser oposição ao Brasil. Essa inconsistência me irrita muito na política. Têm coisas que o governo vai propor, que são boas pro Brasil, a gente tem mais é que apoiar. Vejam a incoerência do PT: hoje, porque é oposição, é contra as mesmas coisas que apoiava quando era governo.

Contrariou a Executiva

A semana foi dose. Foram dias sem parar um minuto e, sem tempo até pra falar com o marido, entrei em crise no meu relacionamento (rs). Foram dias muito corridos. Estava muito envolvida em nosso projeto majoritário, percorrendo vários Estados com nosso pré-candidato a presidente da República, senador Alvaro Dias. Quem conhece política sabe que é o líder do partido na Câmara quem cuida da bancada. Quando a gente voltou dessa maratona de compromissos pelo Norte do país, reunimos a bancada num café da manhã. E qual a nossa surpresa? O líder já tinha levado muitos deputados nossos a votarem a favor do presidente, contrariando a recomendação da nossa Executiva de se posicionar contra Temer. Resultado: uma crise muito grande na liderança e o partido dividido. Isso acontece muito em todos os partidos também. Após-votação, a bancada voltou a se reunir e entendeu por bem trocar o líder. E ponto final!

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