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Saindo do armário

Depois da reunião de líderes com o Rodrigo Maia, tinha um grupo do LGBT, inclusive o Podemos Diversidade estava presente, que havia marcado uma reunião com a presidência da Casa para falar das pautas importantes para a causa. E eu fiquei para acompanhar. Um representante desse grupo começou a citar os partidos que apoiavam o movimento. O deputado Silvio Costa, que também estava lá, interrompeu a fala: “Pode colocar o Avante também nesta lista como apoiador”, disse com seu sotaque arretado e característico nordestino. O Rodrigo Maia relatou grupo das dificuldades das causas LGBT porque a bancada evangélica é muito organizada, e que o movimento deveria falar com os deputados para que não fizessem obstrução às propostas de diversidade. Foi quando o Lúcio Vieira Lima se manifestou: “Agora que o Silvio Costa saiu do armário, não vai mais ter crise, vai votar tudo”. Todos os presentes caíram na gargalhada, inclusive o Silvio Costa, que arrematou: “Vocês têm é que fazer o Jair Bolsonaro sair do armário também. Esse cara, com certeza, é enrustido!”. E a gargalhada explodiu novamente na sala de líderes.

Dama de vermelho

Às vezes, eu fico sozinha tentando construir um acordo, assumindo o papel de chata nessa Reforma Política de tanto que abordei os líderes. Na quarta-feira, acho que percorri uma maratona em plenário, falando aqui, argumentando acolá, debatendo diretamente com a mesa diretora. Usando um vestido vermelho, foi fácil me localizar no recinto. Me movimentei tanto que um deputado chegou a dizer: “A Renata já causa reboliço normalmente, imagina hoje que virou a Dama de Vermelho, ninguém segura ela neste plenário. kkkkkkk.

Medo da janela de transferência

Na PEC 282, passou um texto que ninguém percebeu. Eu mesma só vi isso depois, mas não tinha mais destaques a ressalvar, não dava para fazer mais nada, regimentalmente falando. Trata-se de um artigo que regulamenta as causas de fidelidade partidária e as que permitem a saída da legenda sem perder o mandato. Nós temos uma janela de transferência, que ocorre seis meses antes de cada eleição. Pois bem, esse texto da PEC, que passou sem ninguém se tocar, quer restringir as causas para a mudança de partidosem perder o mandato, a ponto de acabar com todas as janelas de transferência possíveis, inclusive a que está em vigor atualmente. Na reunião de lideres, PSD e PP defenderam que tivesse apenas uma única janela com portabilidade (quem muda de partido leva fundo e tempo de TV). Só que o PSDB não quer, porque entende que o cenário não está bom para ele e pode perder muitos parlamentares. Nessa reunião o Baleia Rossi, líder do PMDB, partido do presidente da República, manifestou-se contra a janela de transferência. Agora, cá entre nós, se o partido do presidente da República está com medo da janela com portabilidade, tendo na mão a caneta da máquina governamental, então eu sou kamikaze geral. Kkkkkk

O nosso partido não tem nada para oferecer, a não ser um programa consistente que a gente desenhou, uma pesquisa e um sonho de um projeto que se difere dos demais. É isso! Os deputados que vieram para o Podemos não têm cargo, não têm ministério, não têm dinheiro, não têm nada, eles vieram por causa da nossa união, a maioria de primeiro mandato, por gostarem da gente e de como trabalhamos. Somos o partido que mais cresceu no Congresso. Elegemos quatro deputados, perdemos dois na janela e hoje somos 18 deputados federais e três senadores. Meu trabalho é corpo a corpo, é de convencimento, é mostrar para o deputado que ele precisa estar num projeto limpo, transparente, de participação popular e democracia direta no mais amplo sentido da palavra democracia. Tenho conseguido com trabalho atrair mais e mais filiados, não com negociação escusas ou barganhas. Agora, é surpreendente ver um partido que está na Presidência da República temer a janela de transferência. Inconsistência total!

Mais agitação

Hoje o dia também já começou agitado no Congresso. Agentes da Polícia Federal estiveram cumprindo mandados de busca e apreensão no apartamento do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e no gabinete do deputado federal Ezequiel Fonseca (PP-MT). O sexto andar do anexo 4 da Câmara ficou interditado, tumultuando o ingresso dos funcionários.

 

Gás+pimenta+tosse

Ontem, quando anunciaram para votar em plenário, sai correndo da reunião para ir votar. O Marcelinho Carioca correu comigo. No meio do corredor fomos envolvidos por gás de pimenta, jogado pela polícia legislativa para conter manifestantes da Casa da Moeda que invadiram o prédio. O Marcelinho passou mal e precisamos levá-lo à sala da liderança do PTB para que se acalmasse. Eu, aliás, já estou acostumada a inalar esse gás por aqui (rs). Vou falar até para os médicos pesquisarem seu efeito, porque eu estava com uma tosse insuportável e, ao inalar o gás de pimenta, o desconforto melhorou. Deve ter alguma relação gás+pimenta+tosse (hahahaha).

Sebo nas canelas!

Aqui na Câmara dos Deputados é assim: são tantos compromissos ao mesmo tempo que não dá para esperar no trânsito. O negócio é sair do carro e correr em direção ao plenário da Casa, onde a discussão da Reforma Política continua pegando fogo.

Repondo energia

Feriado para político também é dia de compromissos. Desfile cívico, final de torneios esportivos, visita a entidades, reuniões… Mas, felizmente, consegui tempo no fim de semana para descansar, passear, curtir e me divertir muito ao lado dos meus filhos, marido e amigos. Momentos que fazem muito bem e repõem a energia para enfrentar mais uma semana de muito trabalho em Brasília.

Povo deveria decidir em plebiscito

O valor do Fundo, aquele que se andou divulgado por aí, de R$ 3,6 bilhões, já foi excluído da PEC 77 da Reforma Política. O que se pretende agora é aprovar a instituição do Fundo, que vai ser definido no orçamento da União, o que deveria ter sido feito desde o início, que é o correto. Aliás, todo mundo me pergunta sobre o financiamento público, e eu acho ideal esclarecer. Considero o financiamento privado uma atrocidade. Empresa não vai investir em político se não tiver interesse comercial, e aí os políticos entram no poder comprometidos com causas que muitas vezes não batem com suas próprias ideologias. O poder econômico influi diretamente no poder político, e isso é um erro. Na minha visão, esse é o epicentro da corrupção que estamos vendo hoje. O financiamento público, não nos valores que estão sendo propostos, daria mais transparência – acho que é isso que o Brasil precisa – e mais igualdade de condições para que novos concorrentes entrem na disputa. Isso seria muito bom para o país. Imaginem alguém que está se lançando agora, sem nenhum apoio do setor privado. Se puder ter o mínimo do setor público, esse candidato vai ter mais dignidade para fazer sua campanha. Em qualquer sistema eleitoral, em qualquer democracia é preciso ter algum tipo de financiamento. Defendo o sistema público, mas também defendo um plebiscito para que a população decida qual tipo de financiamento eleitoral quer.

 

Articulações intensas

Ultimamente, Reforma Política é o assunto dominante. Até parece que tem pouca votação em plenário, mas o que ocupa tempo mesmo são as articulações de bastidores. Para chegar ao consenso em plenário dá muito trabalho, porque cada um quer e defende uma coisa, ainda mais quando se trata de Reforma Politica.

Vai dar um nó!

E, por falar na semana que passou, tivemos outra vez votações até de madrugada. Aprovou-se a cláusula de barreira, o fim das coligações e a instituição das federações. Aprovações feitas por acordos, para que vocês saibam, porque ninguém quer o fim das coligações em 2018. No entanto, o PP está obcecado pelo distritão e ameaça não votar o Fundo, que é um pleito do PT. Eles falam, e eu até concordo, que colocar Fundo Eleitoral sem alterar o sistema eleitoral não faz sentido, porque no sistema proporcional não há dinheiro que o sustente. Enfim, esta é essa briga. Aprova-se esses itens para os deputados entrarem em pânico, porque não vai ter mais coligação, e votarem o distritão nesta semana. Agora, vejam que situação interessante se criou: os destaques (partes polêmicas do projeto que são votadas após a aprovação do texto principal) desta PEC 282 (que veda coligações para eleições proporcionais e cria uma cláusula de barreira) serão votados depois da votação da PEC 77 (que trata do sistema eleitoral). Suponhamos que se aprove o distritão e depois as polêmicas (emendas) da PEC 282, que podem mudar muita coisa. Vai dar um nó!

 

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