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Repondo energia

Feriado para político também é dia de compromissos. Desfile cívico, final de torneios esportivos, visita a entidades, reuniões… Mas, felizmente, consegui tempo no fim de semana para descansar, passear, curtir e me divertir muito ao lado dos meus filhos, marido e amigos. Momentos que fazem muito bem e repõem a energia para enfrentar mais uma semana de muito trabalho em Brasília.

Povo deveria decidir em plebiscito

O valor do Fundo, aquele que se andou divulgado por aí, de R$ 3,6 bilhões, já foi excluído da PEC 77 da Reforma Política. O que se pretende agora é aprovar a instituição do Fundo, que vai ser definido no orçamento da União, o que deveria ter sido feito desde o início, que é o correto. Aliás, todo mundo me pergunta sobre o financiamento público, e eu acho ideal esclarecer. Considero o financiamento privado uma atrocidade. Empresa não vai investir em político se não tiver interesse comercial, e aí os políticos entram no poder comprometidos com causas que muitas vezes não batem com suas próprias ideologias. O poder econômico influi diretamente no poder político, e isso é um erro. Na minha visão, esse é o epicentro da corrupção que estamos vendo hoje. O financiamento público, não nos valores que estão sendo propostos, daria mais transparência – acho que é isso que o Brasil precisa – e mais igualdade de condições para que novos concorrentes entrem na disputa. Isso seria muito bom para o país. Imaginem alguém que está se lançando agora, sem nenhum apoio do setor privado. Se puder ter o mínimo do setor público, esse candidato vai ter mais dignidade para fazer sua campanha. Em qualquer sistema eleitoral, em qualquer democracia é preciso ter algum tipo de financiamento. Defendo o sistema público, mas também defendo um plebiscito para que a população decida qual tipo de financiamento eleitoral quer.

 

Articulações intensas

Ultimamente, Reforma Política é o assunto dominante. Até parece que tem pouca votação em plenário, mas o que ocupa tempo mesmo são as articulações de bastidores. Para chegar ao consenso em plenário dá muito trabalho, porque cada um quer e defende uma coisa, ainda mais quando se trata de Reforma Politica.

Vai dar um nó!

E, por falar na semana que passou, tivemos outra vez votações até de madrugada. Aprovou-se a cláusula de barreira, o fim das coligações e a instituição das federações. Aprovações feitas por acordos, para que vocês saibam, porque ninguém quer o fim das coligações em 2018. No entanto, o PP está obcecado pelo distritão e ameaça não votar o Fundo, que é um pleito do PT. Eles falam, e eu até concordo, que colocar Fundo Eleitoral sem alterar o sistema eleitoral não faz sentido, porque no sistema proporcional não há dinheiro que o sustente. Enfim, esta é essa briga. Aprova-se esses itens para os deputados entrarem em pânico, porque não vai ter mais coligação, e votarem o distritão nesta semana. Agora, vejam que situação interessante se criou: os destaques (partes polêmicas do projeto que são votadas após a aprovação do texto principal) desta PEC 282 (que veda coligações para eleições proporcionais e cria uma cláusula de barreira) serão votados depois da votação da PEC 77 (que trata do sistema eleitoral). Suponhamos que se aprove o distritão e depois as polêmicas (emendas) da PEC 282, que podem mudar muita coisa. Vai dar um nó!

 

Cansaço, mau humor e clima seco

Já começou a troca-troca de partidos, mesmo sem ter a janela de transferência. Por isso, passa-se muito tempo em articulação. Acrescente as reuniões e os debates da Reforma Política, que tem também tomado muito tempo, e também as comissões permanentes e legislativas, que igualmente estão em ritmo intenso de trabalhos. Coloque tudo isso num caldeirão de excessivas atividades ao mesmo tempo e o resultado é alta dose de cansaço. Fora o mau humor, porque a toda hora te puxam pra falar de um assunto, é Reforma Política, é resolver problema da bancada, outra não sei o quê. Fora o clima que está mais seco do que nunca, com baixa unidade no ar. O nariz chega a sangrar por causa da baixa umidade do ar. Tá difícil!

Uma dupla e tanto!

Encontrei alguém que tem mais medo de avião do que eu. Indo para Brasília, sentei ao lado do amigo e também deputado federal Alex Manente (PPS-SP). Ele foi a viagem inteira com celular ligado e olhos grudados num aplicativo que mostra a altura em que está o avião, se está descendo ou subindo, se está caindo (rs). Fizemos uma dupla e tanto nesse voo, eu tensa e coração acelerado e ele sem desviar os olhos da tela do celular. Foi desesperador! Kkkkkkk

Nada bom, nada bem!

Semana passada foi muito difícil para mim. Peguei uma gripe daquelas, meu pai, Zé de Abreu, foi para o hospital e teve de ser submetido a cirurgia de emergência, bancada parlamentar em conflito, articulações pendentes e a Reforma Política rolando sob enorme pressão. Não estava nada bom e eu não estava nada bem. Minha vontade era largar tudo, e acabei fazendo um pouco isso. Não atendi quase ninguém, deixei meu celular com a assessoria e regressei de Brasília direto para a missa, rezar. Acho que estava distante da minha espiritualidade, muita coisa dando errado. Cancelei minhas agendas do final de semana para ficar com meu pai no hospital e com minha família. Dificilmente tenho crises de estresse, mas desta vez, veio com tudo, e a equipe inteira teve de aguentar meu super mau humor (rs).

Aprovado sem discussão

Como o relator não colocou o Distritão em seu relatório, houve amplo debate que resultou na reconstrução do texto final pelos deputados integrantes da Comissão Especial. Com isso, a sessão estendeu-se por muitas e muitas horas. De madrugada, todo mundo cansado e com fome. Eu também, e acabei pedindo um McDonald’s. A deputada Laura Carneiro entrou no recinto carregando uma bandeja cheia de hambúrgueres. Esse ‘destaque’ (lanches) todo mundo provou e aprovou sem discussão (kkkkkk).

Função distorcida

E o bastidor político dessa votação sobre o Temer? Foi muita articulação, gente! Nossa, se vocês tivessem ideia do que foi aquilo, pressão demais. Muita gente telefonando, deputado do PMDB, que votaria contra o Temer, escondido, escondido mesmo, porque estava sendo procurado pelo pessoal do governo, governador ligando, a base telefonando pra votar a favor da denúncia (ou contra), ministro oferecendo liberação de emenda parlamentar em troca de voto. O triste foi ouvir de muitos parlamentares o seguinte: “Renata, não importa o que você vota aqui. Esse voto não te dá nem te tira voto eleitoral. O que importa é a estrada que você vai fazer. Se o ministro te liberar, por exemplo, R$ 10 milhões pra fazer uma estrada ou para pavimentar ruas numa comunidade, é isso que o povo quer e vai se lembrar depois”. No fundo, gente, eles têm razão. Triste demais. Eu, por convicção, prefiro não fazer as melhorias, que, aliás, nem são funções de deputado federal (isso é função do prefeito, do governador, do Executivo). A percepção do que a sociedade quer tem que ser mais ampla. O papel do deputado federal é cuidar da legislação do país, nós não podemos ter e nem compactuar dessa visão eleitoreira.

O valor do voto

Quando eu fui votar nessa questão do Temer, fiquei bem nervosa. É um momento em que você pensa o quanto um voto faz diferença. Tem gente que não dá valor ao voto, que pode ser o suficiente pra eleger alguém ou pra manter ou derrubar um presidente da República. Mais do que isso até: o meu voto, naquele momento, representava muito. Foi uma responsabilidade imensa com o futuro da Nação, futuro do Brasil, futuro dos nossos filhos. Eu, como mãe, não tinha como não me sensibilizar e não pensar nisso naquele instante. Não era simplesmente um voto.

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