dez 10, 2015 - câmara dos deputados    4 Comments

Rinha de galo

Essa talvez seja a melhor definição do que ocorreu na Câmara dos Deputados assim que o Eduardo Cunha realizou a eleição secreta para formação do colegiado da Comissão Especial que analisará o impeachment. Na semana passada, os líderes partidários haviam entrado em acordo para não permitir candidaturas avulsas. No entanto, na segunda-feira, deputados da oposição e dissidentes do PMDB reivindicaram a possibilidade de lançar chapa avulsa. O objetivo da chapa alternativa era compor um grupo com deputados do PMDB que são críticos ao governo Dilma, já que o então líder da bancada na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), apresentou apenas nomes mais em sintonia com o Palácio do Planalto. Eduardo Cunha aceitou os argumentos dos queixosos e marcou para terça-feira a eleição. Já em plenário, integrantes da base aliada tentaram obstruir, com uso de força física, a votação, o que gerou empurrões, troca de ofensas, cabeçadas e depredações. briga na votacao

O PC do B recorreu ao STF para garantir a votação aberta, mas, enquanto a resposta do Supremo não chegava, aliados do governo ficaram dentro das cabines de votação para impedir que os parlamentares votassem. Duas urnas foram quebradas e três desinstaladas. Nos entreveros, alguns parlamentares perderam a compostura, se ofenderam e chegaram a trocar safanões. O plenário parecia arquibancada em dia de final de campeonato de futebol. Gritos de guerra dos dois lados, Pixuleco, bandeiras tremulando, cartazes pró e contra Dilma, um barulho ensurdecedor. No fim, a chapa alternativa de deputados de oposição e dissidentes da base aliada foi eleita por 272 votos a 199. Horas depois o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin suspendeu o andamento do impeachment na Câmara. Fica tudo parado até o dia 16, quando haverá o julgamento pelo plenário do STF das ações de governistas, que questionam o início do pedido de afastamento da presidente.

O clima está pesado demais por aqui e tudo gira em torno do pedido de impeachment. Tem a discussão sobre ter ou não o recesso parlamentar e agora a carta que o vice-presidente escreveu para ela, mostrando claramente que a relação entre Michel Temer e Dilma Rousseff está estremecida. temer e dilmaTrata-se de uma carta pessoal que, estranha e curiosamente, veio a público. O foco da correspondência é o atual cenário político. O vice-presidente escreve que nos últimos dias a presidente tem insistido em falar na confiança que deposita nele, mas a indicação é a de que ela não confia. No texto, Temer enumera momentos em que se sentiu como ‘decorativo’ e reclama da desconfiança da presidente.

Com toda essa história do impeachment, tudo ficou muito complicado por aqui. Os partidos não têm consenso, salvo PT e PSDB, está uma guerra geral. Os deputados do Nordeste, onde o PT acabou fazendo muita coisa por lá, estão bem divididos. Vamos ver o que vai dar. Eu acho que as ruas, a pressão popular, vão dar a destinação desse processo de impeachment. As ruas vão dizer. Aguardemos!

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4 Comentário

  • Na Grécia antiga o conceito de democracia estava muito ligado a participação popular, o povo ia para praça pública e deliberava o que era importante ou não para sua cidade e principalmente deliberavam o que era melhor para seus compatriotas.

    Hoje vivemos em um modelo de democracia representativa, onde a sociedade delega a um representante o direito de representá-lo, e de tomar as decisões que melhor favoreça os interesses de toda a população.

  • Se não se respeitam, deveriam respeitar o parlamento brasileiro!!!

  • O maior comunicador brasileiro, Abelardo Barbosa ( Chacrinha), dizia; “quem não se comunica, se trumbica”.

    Na Bíblia está escrito; “toda palavra deitada em terra fértil, dará bons frutos”.

    Usem as palavras ao invés da violência, sejam mais diplomáticos.

    Violência gera violência.

    São os nossos representantes na câmara, usem as palavras para negociarem.

    São todos excelências, não nos envergonhem.

  • Equilíbrio é fundamental, estão perdendo a cabeça facilmente, seja nas reuniões, em festas, os princípios do relacionamento devem ser respeitados e, acima de tudo os temas tratados.
    São agressões de baixo nível !
    A impressão que temos, que os nervos estão a flor da pele, gerando um descontrole emocional muito grande.
    Nessa hora, a liturgia do cargo que ocupam, como é que fica?
    O povo já não aguenta mais, ver essas cenas na TV, que mais parece filme de faroeste.
    Esses filmes já nem existem mais, caíram de moda.
    E o dialogo, para que serve?
    São espetáculos deprimentes, principalmente nesse momento , onde o equilíbrio é fundamental.
    A crise que atravessamos é moral e de decadência humana, também.

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