nov 17, 2016 - câmara dos deputados    5 Comments

Pandemônio social

Sabe o que me choca nesse episódio de invadir o plenário, quebrar porta de vidro e tentar agredir parlamentares? É chamar todos os políticos de bandidos, ladrões, salafrários, corruptos. Generalizar é demais! Aqui, há muitos parlamentares do bem, que estão se mexendo para mudar o sistema político, ir de encontro ao desejo genuíno e constitucional do povo de participar do poder, de discutir e decidir conjuntamente com o Parlamento as causas e as questões que dizem respeito aos brasileiros. Isso é democracia em evolução e tem muita gente aqui se empenhando ao máximo para dividir com a população o poder de escolher o que for melhor para a Nação. Agredir física e moralmente quem quer que seja só nos leva ao retrocesso. Quando violência e a arbitrariedade atropelam o diálogo democrático, as cicatrizes são profundas e dolorosas e, muitas vezes, as sequelas são irreversíveis. Pedir a volta dos militares e da ditadura é desejar amordaçar a liberdade de expressão, é decretar o fim do direito de ir e vir sem repressão. Os que defendem os anos de chumbo esquecem ou ignoram o Brasil da época do Doi-Codi, das masmorras nos subsolos de departamentos repressores, dos estupros de mulheres que lutavam por um país livre, das torturas de pais de família que sumiram e nunca mais foram vistos por seus filhos. Dizer que naquela época não havia tanta notícia ruim é esquecer que a imprensa era proibida de relatar o cenário brasileiro. Quantas e quantas vezes edições diárias dos jornais chegaram às bancas recheadas de receitas de bolo, porque as matérias que denunciavam o regime repressor foram censuradas. Teatros, diretórios acadêmicos, fábricas eram invadidos por agentes do governo militar. Artistas, estudantes e trabalhadores desapareciam como o sol ao anoitecer. Temos problemas hoje, sim temos muitos problemas a resolver. Problemas de representatividade política, crise econômica, corrupção, contas fiscais em estado de miséria, mas isso não se resolve com violência. Imaginem se todo mundo for resolver no braço a insatisfação que tem em casa, no trabalho, na sociedade. Vai virar um campo de guerra. Sou defensora da manifestação popular, mas de forma pacífica e pró-ativa. Somos civilizados, temos a boca como nossa maior arma. É discutindo ideias, propostas, participação popular no poder que vamos mudar esse cenário e construir um novo País. Deputados não chegaram aqui por decisão própria, chegaram aqui pelo voto. Então, cobre de seu deputado um posicionamento de acordo com o seu desejo de mudança, debata com ele sua posição sobre o que lhe incomoda, mas invadir a Câmara e agredir parlamentares, assessores ou quem quer que seja, como fizeram com o jornalista Caco Barcellos, impedido de exercer seu trabalho no Rio de Janeiro, não é solução. Quem apela para a violência quer impedir o diálogo. Hoje, invadem o Parlamento, amanhã invadem a casa da família de um político, de um ministro, de um jornalista, de um empresário, de um trabalhador e o pandemônio estará instalado, numa desordem social sem precedentes. Não é esse Brasil que queremos, não é mesmo?

Manifestantes invadem a Câmara e pedem ‘intervenção militar’

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5 Comentário

  • Não me lembro de ter visto coisa igual, é preciso redesenhar a rota das pessoas, perderam a noção das coisas ao invadir o Parlamento Brasileiro.
    Quanto a insegurança causada pela violência é preciso reprimi-los com leis pesadas.
    Essa imagem gerada pela imprensa para todo o mundo, mostra que muitos não sabem viver em um pais democrático.
    Estão confundindo liberdade com libertinagem, por isso devem ser punidos.
    Isso não deve acontecer novamente!
    Foi uma cena muito chocante, de se ver, para quem deseja bem o país.

  • Concordo muito com sua opinião. Violência e depredação não são o caminho. É ruim para os manifestantes, que muitas vezes tem uma causa legítima, mas precisam ser interrompidos acabam não ouvidos. E é ruim para os congressistas que passam a temer manifestantes.

    Agora o que você disse:

    “tem muita gente aqui se empenhando ao máximo para dividir com a população o poder de escolher o que for melhor para a Nação”.

    Eu discordo por que o que eu sinto é exatamente o oposto. Aqui é o único canal que posso colocar um mero comentário. E não entra na minha cabeça que com tanta tecnologia disponível precisemos ir as ruas com placas e gritar pra ser ouvidos pelo congresso.

    Eu queria um sistema oficial do congresso Nacional para solicitarmos mudanças, propormos projetos de lei e irmos contra outros projetos em tramitação. E vocês levariam em conta de acordo com a quantidade de apoiadores na internet.
    Por exemplo:
    10.000 -> Gera um alerta pros congressistas.
    50.000 -> Congressistas chama o autor e mais umas pessoas pra conversar.
    200.000 -> Projeto de Lei precisa obrigatoriamente ser revisto conversando com o autor da ideia e outros convidados.

    Aí sim você colocaria o povo dentro do congresso. Eu por exemplo quero GRITAR contra o projeto de abuso de autoridade do Renan Calheiros e não tenho nenhum canal pra fazer isso.

    • Boa tarde, Denis
      Muito interessante sua visão, que vem ao encontro justamente do que estamos trabalhando, com o reposicionamento do nosso partido. Valendo-se do mundo tecnológico, faremos uso de aplicativos e outras ferramentas digitais para compartilhar com o cidadão as questões a serem discutidas. A internet passa a ser o endereço digital do partido, permitindo, assim, uma maior participação popular nos processos de decisão política e com acesso a mais informações sobre os políticos no poder.

      Em princípio, a atuação direta do povo será em âmbito federal, e, posteriormente, as metas passam a ser expandidas para os campos estaduais e municipais. Uma das ações práticas que faremos diz respeito a projetos de lei de iniciativa popular. Qualquer cidadão que propor um projeto de lei na plataforma digital do partido, e que receba 50 mil apoiadores, um parlamentar federal do partido será obrigado a protocolar, desde que a proposta seja constitucional, não atente contra os valores básicos da sociedade e nem tenha vício de iniciativa. Hoje, um projeto de iniciativa popular exige a apresentação de um abaixo-assinado à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído por, pelo menos, cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Isso significa conseguir em torno de 1,3 milhão de assinaturas. Outra ação é que a população passa a ter a oportunidade de orientar a bancada do partido nas principais questões em discussão na Câmara dos Deputados.

      No próximo dia 10 faremos o lançamento oficial desse novo sistema político, inclusive anunciaremos outras ações e a mudança de nome do PTN, que passará a ser Podemos, trazendo o povo para dentro da política. Espero poder contar com você nesse caminho para construir o país que todos os brasileiros querem, porque Juntos, Podemos Mudar o Brasil!

      • Muito obrigado pela resposta, Renata. Não sabia dessa informação de projeto popular. No Brasil é muito difícil conseguir 1,3 milhões de assinaturas. Que eu me lembre somente o Ficha Limpa e as 10 medidas de combate a corrupção conseguiram chegar nesse número. As pessoas simplesmente não acreditam.

        Com certeza esse novo sistema político vai facilitar muito a participação de pessoas como eu na política. E com certeza você poderá contar comigo. Assim que esse sistema político for divulgado eu irei divulgar em meu Facebook e outros maneiras que eu puder. Quero muito que ele dê certo!!

  • Não é o que eu e vc queremos, mas é o que a turma da ditadura quer. Paradoxalmente é graças à democracia que eles podem pedir livremente pela ditadura.

    Mas não podem, claro, agredir e depredar o patrimônio público.

    No entanto, clamar por ditadura combina perfeitamente com as agressões e violências praticadas. Ditadura foi e é isso.

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