Transparência é pôr a cara a tapa

Como tem feriado nesta semana, o presidente da Câmara antecipou as sessões para segunda-feira, justamente para economizar, já que as passagens aéreas na quinta-feira, véspera de feriado, são mais caras. Imagine mais de 500 deputados voltando para suas casas. Então, estava chegando aqui e me surpreendi com a notícia deste meu blog na Folha de S.Paulo. Foi muito legal a repercussão, o pessoal gostou, mas sempre têm aqueles comentários dos que odeiam política e xingam políticos por serem políticos. Isso é uma coisa que entristece muito, pois colocam nós, políticos, como farinha do mesmo saco. Muitos falaram “como ela tem tempo para fazer isso?”. Explicando: eu gravo esse diário quando eu chego em casa, após o término dos trabalhos parlamentares na Câmara. Gravo em 30 segundos, 1 minuto no máximo, no áudio do celular e depois minha assessoria transcreve para o blog. Rapidinho. Não custa nada prestar contas do nosso mandato. Pedem transparência e reclamam de todos os políticos. Xingam por xingar. Sabe, é muito triste mesmo. Ser revolucionário neste País não é só ir pra Paulista e fazer um selfie, é participar, é concorrer, é chegar aqui e botar a cara a tapa. Hoje em dia, basta anunciar que é candidato e já é considerado bandido. Enquanto a gente não valorizar e estimular que pessoas do bem a participarem do cenário político, vai ser cada vez mais difícil trazer para essas pessoas do bem para dentro da política. Precisamos repensar nossos posicionamentos e valorizar as pessoas boas e criticar as ruins.

 

Essa matemática não fecha

Uma coisa que me chateia demais nessa experiência como deputada federal é a questão de agenda. Eu não canso de dizer isso: algumas pessoas não entendem, demandam muita atenção de você. “Ah, agora que é deputada não atende mais”, reclamam. Estou trabalhando o dia inteiro, muitas e muitas vezes avançando madrugada adentro. As pessoas ligam para pedir agenda, mas eu só tenho horário disponível para maio e junho, porque eu sou uma só, obviamente, não tem como. Essa matemática não fecha. Isso me chateia um pouco, porque algumas pessoas te julgam ou te criticam, mas elas não estão na minha pele, não sabem o que é conciliar essa vida maluca, com parte em Brasília, parte em São Paulo, com filhos pequenos, marido, mãe que quer atenção, empresa para cuidar, base para tomar conta. Conciliar tudo isso não é fácil e as pessoas não são compreensivas. O mais engraçado é as pessoas querendo chamar a atenção, que estão vivas… Então, amigo que é amigo está sempre presente, independentemente de estar a seu lado fisicamente.

 

Semana positiva. E de Festa!

Esta semana está sendo muito gostosa. Segunda-feira teve audiência de Reforma Política na Assembleia Legislativa de São Paulo, que a Comissão Especial organizou, e eu pude falar um pouquinho sobre um item que contraria a democracia, que é a cláusula de barreira. Entre outros assuntos, como o fim da reeleição nos Executivo. Já na terça-feira, o dia foi bem corrido. Eu não canso de dizer que é uma reunião de comissão atrás da outra, é Reforma Política, é Supersimples, é  plenário. Muito cansativo, mas não me queixo, não. Estou com muitas visitas em meu apartamento funcional, hospedando a nossa vereadora Cléo Meira, de Ribeirão Pires, meus coordenadores Reginaldo e Thiago, e meu pai, José de Abreu. Esse apartamento está sempre lotado. Eu adoro receber os amigos. Na quarta-feira, meu aniversário, fiz um encontro, happy hour no Bar do Alemão. Fiquei super feliz, 75 deputados presentes. Você faz amigos também aqui, em Brasília. Estava todo mundo animado, teve até o Tiririca animando a festa. Deputados fazendo duetos. Clarice Garotinho, Fausto… todos viraram cantores. Foi muito legal. Acabou às 2 da manhã.  Foi um ótimo momento de descontração, que eu acho muito importante. A gente está acostumada com aquele clima tenso do trabalho, um xingando o outro, batendo boca … E esses momentos são importantes para reatar os laços, construir, efetivamente, amizades. A vida aqui é tão corrida que não sobra tempo para isso. Antes da festa, o clima estava bem quente no plenário, onde deveriam ser votados os destaques de um projeto polêmico, que é sobre terceirização. Com o avanço da hora, sem perder o entusiasmo, pensei em quebrar o gelo com o presidente com um requerimento informal pedindo a convocação uma extraordinária para após o encerramento dos trabalhos. Mas, desta vez, no restaurante em que organizei uma comemoração do meu aniversário, para que a data não passasse em branco. Numa brecha, lá para o final da sessão, fui despachar com ele e foi muito engraçado, porque o presidente riu e disse: “Você não quer que eu coloque isso em votação?”. Eu respondi: “Se você colocar, vai dar votação unânime”. Foi apenas uma brincadeirinha, pra descontrair mesmo, já que o dia já se encaminhava para o encerramento, com a votação adiada para a próxima semana. E deu para curtir meu aniversário. Deu até para dançar um forró com o maridão.

Educação merece empenho total

Terminei de reescrever meu projeto de Educação. Fiz uma pequena alteração, e reescrevi, eu mesma, a justificativa da proposta. Sai da Câmara meia noite e pouco, quando as luzes se apagaram. Ficou muito bonita a justificativa. Fiquei feliz. Acho que convencerei mais gente a aprovar meu projeto, que inclui Educação Política e Direitos do Cidadão na grade curricular do ensino básico. A Educação merece nosso empenho máximo e jamais me cansarei dessa luta!

Tirolesa no plenário

Com essas votações nominais, que o Eduardo Cunha (presidente da Câmara) costuma puxar à noite, têm deputados mobilizando-se para criar um mecanismo que ponha fim à correria da votação. Isso porque muita coisa acontece ao mesmo tempo, exigindo que os parlamentares estejam em todos os lugares na mesma hora. Com isso, quando é aberta votação nominal no plenário, a cena é dantesca: deputados correndo, e muito, para chegar a tempo de votar. O presidente abre e fecha muito rápido. Por isso, os deputados, em tom de brincadeira, estão se articulando para instalar uma tirolesa no plenário (hahahaha). Imagina parlamentares chegando no plenário numa tirolesa? Ia ser o máximo! Hilário!

Momentos de lazer raríssimos

A volta de Brasília é sempre cansativa. Toda vez que vejo as agendas dos fins de semana parece que não tem luz no fim do túnel. Sinto falta daqueles momentos tranquilos,  com os meus filhos, sem nenhuma preocupação. Os meus momentos de lazer hoje são raríssimos. Sexta-feira fiz agenda em Praia Grande e Bertioga. Fui agradecer os votos nessas cidades, rever nossos presidentes municipais e palestrar sobre a Reforma Política para a população. Domingo, a agenda foi intensa. É que até outubro temos que filiar todos os candidatos para a eleição do ano que vem. E estamos focados em fazer vereadores na Capital e no máximo de cidades possíveis. Então, até outubro, o nosso trabalho de articulação é intenso. É convencer um a um que nosso projeto é a melhor opção. Foi bem cansativo, mas estou feliz com as adesões. Não tenho dúvidas que faremos bastantes vereadores, principalmente na Capital. Sou a favor da unificação das eleições justamente por isso. Mal acaba uma eleição e começa outra. Como o prazo de filiação termina um ano antes das eleições acaba que passamos este ano organizando a eleição do ano que vem. Isso atrapalha o mandato. Seria muito bom ter paz para trabalharmos estes quatro anos com ainda mais dedicação. Além disso, já tem muito deputado em campanha para prefeito na sua cidade. Isso é muito ruim para nosso País. O elegemos para ser deputado, mas esse projeto foi um trampolim para o seu projeto principal, que é a prefeitura. Isso atrapalha muito os trabalhos na Câmara dos Deputados. A unificação das eleições acabaria com isso. O cidadão que se eleger deputado o será pelos quatro anos de mandato, assim como o prefeito, o vereador e etc.

Adicional insalubridade

Algumas coisas que acontecem aqui na Câmara dão razão para um adicional de insalubridade na Casa (hahaha!) Semana passada foi bem tensa. A cada dia uma surpresa. Vou te falar, viu! Ratos correndo pelo plenário, hamster no pé da gente, parlamentares subindo nas cadeiras, correria, pancadaria, gás pimenta, bombeiros acionados. A gente se deslocando apressadamente de uma sala para outra, pra cumprir todos os compromissos, num ritmo aluciante. Isso sem falar nas condições climáticas. A Capital do Brasil é muito seca. Chego a beber três litros de água por dia. Eu vou o tempo todo ao banheiro. O ar é muito seco. Não tem como ficar sem tomar água. É demais.

Plaquinha pronta na mesa

Não canso de rir de uma situação comum no Congresso: eleição para candidato único. O ápice foi na escolha do presidente da Comissão do Supersimples, que é uma comissão especial. Tendo um só candidato concorrendo, a gente precisou votar, em vez de aclamar o indicado. No caso da Supersimples, quando terminou a eleição, a plaquinha dele, de presidente, já estava pronta. E gravada. A dele e a do relator (rsrs). Só rindo mesmo. Terminada a votação, 15 segundos depois a plaquinha já estava ali na mesa.

Trabalho de formiguinha

Continuo na minha via sacra de conquistar voto a voto, apoio por apoio, para o meu projeto de lei de Educação ser aprovado. Dá um trabalho! Acredite… se verem um deputado que tem mais de mil projetos de lei protocolados, sabe como isso acontece? Eu descobri que tem gente que vende projeto de lei. Têm muitos deputados que se preocupam com quantidade, pra falar pra imprensa ‘olha, eu apresentei tantos projetos de lei’. Tem um ranking da Veja, eu nem sabia disso, que avalia os deputados. E os critérios são  número de frentes parlamentares que eles criam e número de projetos de lei. Só quantidade… Isso não significa nada. Por exemplo, tem deputado que cria a Frente Parlamentar de Apoio ao Milho. Aí, coloca um monte de meninas colhendo assinaturas e cria a tal frente parlamentar, que não tem atuação alguma. É só para gerar estatísticas. Isso é fato. É bom conhecer esses bastidores, pra ficar atento. O que vale não é quantidade, mas qualidade e a dedicação com que o parlamentar cuida daquilo que, realmente, quer lutar. É um trabalho de formiguinha, todos os dias falando com os líderes, conquistando um a um. Isso, sim, é lutar por algo que vai mudar a vida dos brasileiros.

Alta frequência

É muito ruim ficar no gabinete. Você não consegue ler um projeto de lei. Não para de chegar gente. E como eu gosto de receber bem as pessoas, a leitura acaba ficando pra depois. Só que não para de chegar gente. É o tempo todo. O povo vem do Brasil todo querendo falar com você. É gente querendo articular projeto, gente que tem interesse no projeto A, B ou C e quer passar o seu ponto de vista. É gente que quer que você apresente um projeto. É gente que quer emenda pra sua cidade. Tem de tudo. De verdade, não tem como trabalhar no gabinete em Brasília. Ai, naturalmente, como eu não gosto de deixar nada pra amanhã, acabo ficando até tarde, pra poder deixar tudo organizado. E, como sempre, acabo encerrando meu expediente no escuro, porque, como já escrevi, no Congresso todas as luzes se apagam à meia-noite.