Votou contra e fez um quase igual

Fui no Senado falar com o Aécio Neves, para tentar apoio para o meu projeto de lei de inclusão de Política e Direitos Básicos nas escolas. Ele vai conversar com o líder do seu partido na Câmara e acho que vai dar certo. Mas eu preciso contar uma. Estou pasma até agora. Tem um partido que votou contra o meu projeto quando a proposta foi a plenário. E hoje eu me deparei com um de seus deputados apresentando um projeto quase idêntico ao meu. Nossa, eu fiquei com muita raiva! Pra quê essa ciumeira? Em vez de a gente se unir e aprovar um projeto que é bom pro País fica nessa picuinha. É dose, né?!

 

Semana cansativa, mas gratificante

Essa semana que passou foi bastante intensa. As atividades em Brasília começaram na segunda-feira, com a antecipação das sessões de quinta, por causa do feriado da Semana Santa. Quando retornei a São Paulo, passei um dia inteiro na Câmara dos Vereadores de São Paulo, visitando os colegas, fazendo articulações de chapa municipal e conversando muito. Quinta-feira, sábado e domingo fiz as ações sociais da ONG que eu cuido, o CTN. Na quinta, estive nas creches; no sábado, nas comunidades e domingo, no CTN. É extremamente gratificante estar nessas comunidades carentes, que depositaram na gente a esperança de um Brasil melhor, e ver aquelas centenas de crianças sorrindo, que você pode fazer um pouquinho para alegrar a vida delas. É isso que me motivou e me motiva voltar para Brasília. Porque aqui, no Congresso, as coisas são bem difíceis de acontecer, depende de muita disponibilidade, muita articulação… muita vontade, efetivamente. Ainda bem que eu sou auto motivável. Isso dá um gás novo. Eu fiquei muito feliz, foi uma semana cansativa, mas extremamente emocionante e gratificante.

pascoa renata (3)

 

Semana de trabalho intenso

Por causa do feriado da Semana Santa, a semana de trabalho em Brasília começou mais cedo e com trabalho em dobro. A sessão de quinta-feira foi antecipada para segunda. Inúmeras reuniões, agendas no gabinete e votações importantes. Eu venho articulando muito, principalmente com os líderes, para aprovar meu Projeto de Lei da Educação. Não é fácil. Se a gente quer que aconteça um projeto de lei no Congresso tem que colocar a proposta debaixo do braço e ir conversar com cada líder de partido, um a um. E as conversas estão fluindo bem. Eu vou conseguir, tenho certeza, e nós teremos Educação Política nas escolas.

Dentre as votações importantes realizadas, uma atraiu muitos manifestantes ao Congresso: a maioridade penal. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), da qual sou suplente, aprovou à admissibilidade da PEC 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Foram 42 votos a favor e 17 contra. No exame da admissibilidade, a CCJ analisa apenas a constitucionalidade, a legalidade e a técnica legislativa da PEC. Agora, a Câmara cria uma comissão especial para examinar o conteúdo da proposta, juntamente com 46 emendas apresentadas nos últimos 22 anos, desde que o projeto original passou a tramitar na Casa.  Terá prazo de 40 sessões para dar seu parecer. Depois, a PEC será votada em Plenário, em dois turnos. E, para ser aprovada, precisará de pelo menos 308 votos (3/5 dos deputados) em cada turno.

 

Vou encerrar a votação

Quando tem votação nominal na Casa, as pessoas que têm interesse no projeto ficam desesperadas em ganhar. E o Eduardo Cunha, presidente da Câmara, é meio terroristinha (rsrs), cria todo um clima. Ele coloca pra votar e, um minuto depois, já começa a anunciar no microfone ‘vou encerrar a votação, vou encerrar a votação’. Ai, todos os líderes que têm interesse na votação começam a articular, pedir voto, fica aquele bafafá no plenário. E ele faz de propósito, sabe, só pra ver a galera correr, se matando, brigando. É muito engraçado porque ele fala ‘vou encerrar votação’ e dá uma risadinha de lado.

Parece casa de doido!

Tem uma coisa muito maluca aqui no plenário. Os líderes dos partidos têm por prerrogativa falar em qualquer sessão, mas têm vezes, em que estamos votando um projeto de lei, com todo mundo discutindo a proposta em questão, que um líder sobe na tribuna e começa a falar sobre um assunto nada a ver. Parece casa de doido! Há de se supor que os líderes subam à tribuna para falar do assunto referente à matéria em discussão e que está sendo votada. Que nada, eles vão lá para falar de outra coisa, de alguma bandeira que defendem, de um tema que lhes interessa, pra se mostrar, pra aparecer. Raramente falam sobre o que estamos discutindo na sessão. É engraçado demais!

 

À meia-noite, tudo se apaga

Já quwe gosto de trabalhar até tarde, melhor providenciar uma lanterna

Já que gosto de trabalhar até tarde, é melhor eu providenciar uma lanterna

 

Quem me conhece sabe que eu gosto de trabalhar noite adentro, beeemmm adentro.  Ontem, fiquei até bem tarde trabalhando. À meia-noite, descobri que todas as luzes se apagam e a gente fica isolada no prédio. Fiquei na escuridão. Poucas luzes mal iluminando meu caminho na garagem, à espera do carro. Não tinha mais ninguém por aqui. Acho que vou providenciar uma lanterna para ficar na minha bolsa, vai ser muito útil daqui pra frente.

Sem mulher na mesa

Sabe aquele deputado que eu falo que é doido, doido, doido? Aquele que adora sentar ao lado do presidente Eduardo Cunha? Que se inscreve todos os dias para falar na tribuna e que, ao discursar, ninguém entende nada do que ele fala? Pois bem, no dia da votação do segundo turno do projeto de lei da deputada Luiza Erundina, que garante vaga feminina nas mesas diretoras da Câmara e do Senado, todo mundo votou a favor. Foi a maior festa, com a bancada feminina invadindo a mesa diretora e festejando muito, tamanha conquista para as mulheres, importantíssima. Bem, quando olhamos o painel da votação, cinco deputados votaram contra. Um deles, o nosso Delegado Edson Moreira. Loucura!!! Ele é do PTN, o partido que proporcionalmente tem mais mulheres na Câmara. Dos quatro deputados do PTN, 50% são mulheres. E ele votando contra. Vai entender… Só depois que a gente descobriu que ele, quando falou na tribuna, defendeu o ‘não’ à participação da mulher nas mesas. Como fala todo enrolado, ninguém entendeu nada do que ele disse.  Até as meninas que digitam todas as falas colocam a mão na cabeça quando o orador é o Edson Moreira. Elas dizem que, com ele, não fazem taquigrafia, mas sim psicografia. Hahahaha!

Os bons agem nos bastidores

Na Câmara dos Deputados existem vários tipos de parlamentares. Há aqueles que só se preocupam em aparecer e ficar brigando. Só que briga falada não é briga efetiva. Nesta Casa, para as coisas acontecerem, você não tem de subir na tribuna, esculhambando e batendo. Aquele que mais aparece tem muita dificuldade de fazer acontecer. Os bons deputados são aqueles que agem nos bastidores, articulando e fazendo com que seus projetos, suas propostas, efetivamente aconteçam. É importante essa noção da realidade. Quem muito aparece, não necessariamente é quem mais faz.

Hã? O que disse? Como é?

O Delegado Edson Moreira, meu querido deputado, é mesmo muito engraçado. A alegria dele é falar na tribuna e sentar-se à mesa diretora ao lado do presidente Eduardo Cunha. Ele chega todos os dias às 7 da manhã no plenário só para se inscrever para discursar em todas as sessões. Só que, com seu sotaque mineirinho, ninguém entende o que ele fala. Fica todo mundo com cara de interrogação. Ele fala muito enrolado. Depois, ele fica por ali, atrás da mesa, como quem não quer nada, esperando alguém se levantar para, rapidamente, tomar assento ao lado do presidente da Casa. É hilário vê-lo em ação. O culpado é o Augusto, chefe de gabinete dele, que ensinou isso pro deputado: “Ensinei mesmo, mas não era pra fazer todo dia”. Hahahaha. O Delegado Moreira é uma figura!

Rejeitado por ciúme. Lamentável!

Triste e decepcionada! O requerimento de urgência de meu projeto de lei de Educação foi rejeitado. Tive a maioria de votos (204), mas não a maioria absoluta (que seriam 257 votos). Minha tristeza não foi pelo resultado em si, mas pela maneira como aconteceu. Alguns partidos votaram contra. E por ciúme. Isso mesmo: CIÚME. Eu ouvi isso: “Como uma deputada que acabou de chegar consegue colocar um projeto pra votar em plenário?” Como? Simples, com muita dedicação, muita articulação e muita luta. É assim que se consegue. Um outro partido, que se diz defensor do País, se manifestou contra, alegando que é oposição ao governo federal e, se a situação votou a favor do meu projeto, seus deputados votariam contra. Fiquei aborrecidíssima com isso. Até porque não sou situação nem oposição; eu sou representante do povo. Lamentável tudo isso, viu! Ciúme e objetivos partidários não deveriam jamais sobrepor projetos de interesse para o nosso país.

Só que eu não joguei a toalha, não! Pelo contrário. Estou convicta da importância desse meu projeto, que inclui Política, Direitos Básicos, Educação Ambiental e Primeiros Socorros na grade curricular escolar, assegurando a formação de uma juventude politizada e sabedora de seus direitos e deveres. Portanto, a luta continua. Estou reapresentando meu requerimento e agora conversando com cada líder, um por um, mostrando a importância dessas matérias em nossa Educação. Vai dar certo, ou eu não me chamo Renata!