Função distorcida

E o bastidor político dessa votação sobre o Temer? Foi muita articulação, gente! Nossa, se vocês tivessem ideia do que foi aquilo, pressão demais. Muita gente telefonando, deputado do PMDB, que votaria contra o Temer, escondido, escondido mesmo, porque estava sendo procurado pelo pessoal do governo, governador ligando, a base telefonando pra votar a favor da denúncia (ou contra), ministro oferecendo liberação de emenda parlamentar em troca de voto. O triste foi ouvir de muitos parlamentares o seguinte: “Renata, não importa o que você vota aqui. Esse voto não te dá nem te tira voto eleitoral. O que importa é a estrada que você vai fazer. Se o ministro te liberar, por exemplo, R$ 10 milhões pra fazer uma estrada ou para pavimentar ruas numa comunidade, é isso que o povo quer e vai se lembrar depois”. No fundo, gente, eles têm razão. Triste demais. Eu, por convicção, prefiro não fazer as melhorias, que, aliás, nem são funções de deputado federal (isso é função do prefeito, do governador, do Executivo). A percepção do que a sociedade quer tem que ser mais ampla. O papel do deputado federal é cuidar da legislação do país, nós não podemos ter e nem compactuar dessa visão eleitoreira.

O valor do voto

Quando eu fui votar nessa questão do Temer, fiquei bem nervosa. É um momento em que você pensa o quanto um voto faz diferença. Tem gente que não dá valor ao voto, que pode ser o suficiente pra eleger alguém ou pra manter ou derrubar um presidente da República. Mais do que isso até: o meu voto, naquele momento, representava muito. Foi uma responsabilidade imensa com o futuro da Nação, futuro do Brasil, futuro dos nossos filhos. Eu, como mãe, não tinha como não me sensibilizar e não pensar nisso naquele instante. Não era simplesmente um voto.

Balcão de negócios (2)

Ah, estava esquecendo. Durante a sessão, apareceram várias malas etiquetadas com ‘Fora Temer’ e atoladas de papéis imitando dinheiro, com a efígie do presidente estampada nas cédulas de mentirinha, que foram jogadas no plenário, enquanto cartazes eram erguidos com a seguinte frase: “Apoio comprado é vergonhoso”. Teve também um Pixuleco, aquele bonequinho inflável do Lula, que acabou murchando porque foi mordido por um petista.

Balcão de negócios (1)

E sobre a votação em si, muito saiu na imprensa que deputados da base do governo estavam em plenário de caderninho em punho anotando a troca de voto pela liberação de recursos por meio de emendas ou por cargos. Isso é verdade, viu, estava um balcão de negócios na Câmara. Ridículo! O que me irrita muito é a oposição (leia PT) criticar essa postura do governo. Quando do impeachment da Dilma, eles fizeram a mesma coisa. É muita hipocrisia. Eu sou muito contra esse negócio de oposição a tudo. A gente tem de parar com essa briga de Direita x Esquerda, PT x PSDB x PMDB. Isso é péssimo para o País. É preciso ter coerência.

Têm muitas coisas que o governo propõe que eu concordo. Não se pode ser oposição ao Brasil. Essa inconsistência me irrita muito na política. Têm coisas que o governo vai propor, que são boas pro Brasil, a gente tem mais é que apoiar. Vejam a incoerência do PT: hoje, porque é oposição, é contra as mesmas coisas que apoiava quando era governo.

Contrariou a Executiva

A semana foi dose. Foram dias sem parar um minuto e, sem tempo até pra falar com o marido, entrei em crise no meu relacionamento (rs). Foram dias muito corridos. Estava muito envolvida em nosso projeto majoritário, percorrendo vários Estados com nosso pré-candidato a presidente da República, senador Alvaro Dias. Quem conhece política sabe que é o líder do partido na Câmara quem cuida da bancada. Quando a gente voltou dessa maratona de compromissos pelo Norte do país, reunimos a bancada num café da manhã. E qual a nossa surpresa? O líder já tinha levado muitos deputados nossos a votarem a favor do presidente, contrariando a recomendação da nossa Executiva de se posicionar contra Temer. Resultado: uma crise muito grande na liderança e o partido dividido. Isso acontece muito em todos os partidos também. Após-votação, a bancada voltou a se reunir e entendeu por bem trocar o líder. E ponto final!

Volta em ritmo alucinado

E, encerrado o recesso, já estamos em Brasília, onde a semana promete ser bastante intensa e tensa. Ontem, das 6h até as 20h, fiquei fechada no gabinete escrevendo meu voto em separado da Reforma Política. É aquele sobre a Emenda Lula (ver post do dia 18 de julho), mas tem uma série de outras coisinhas que também não concordo, então, foi um dia muito cansativo, de muito estudo, para embasar bem o meu voto na comissão. Depois, fui à casa da deputada Jozi Araújo (Podemos-AP) pra conversamos sobre campanha presidencial, estratégias e planejamento, enfim, muita coisa pra cuidar. Afe, é muita coisa! E olha que estamos apenas na primeira semana do segundo semestre, que promete fortes emoções.

Filho não disfarça

Meus compromissos em Natal (RN) terminaram no sábado. Aproveitei pra esticar até o domingo e ficar integralmente com os meus filhos, e com o marido também (rs). A minha sorte é que o clima firmou (havia chovido nos dias anteriores) e fomos aproveitar a piscina do hotel. Mas olhem a cara do Felipinho, bravo porque fiquei os outros dias bastante tempo longe dele. Tadinho! Eu entendo essa carinha, porque as crianças sofrem demais com nossas longas ausências e tempo apertado para estar sempre ao lado delas. Ser político é uma missão que exige muito da gente, e a família é a mais prejudicada.

Recesso? Que recesso?

E terminou o recesso de parlamentar. Ao contrário do que muitos pensam por aí, recesso não é férias, não. É período de muito trabalho! Aproveitei para colocar minha agenda em dia. Tinham muitos pedidos de reuniões e eu não estava dando conta de atender, até porque se passa metade da semana em Brasília. Também estive à frente dos eventos nacionais do nosso Podemos. Como estamos com a pré-candidatura do senador Alvaro Dias à Presidência da República, estivemos no Rio Grande do Norte e no Maranhão, apresentando o nosso projeto e o nosso presidenciável ao povo da região Norte. E, lógico, levei meus filhos a tiracolo, porque seria angustiante a saudade deles nessa maratona de compromissos.

O que foi que ele viu?

Quando da votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da admissibilidade da denúncia contra o presidente da República, a gente tem um grupo de jovens na Câmara, que viralizou essa foto do deputado Newtinho (Newton Cardoso Jr) que saiu nos jornais. Olha a cara dele! O que será que ele viu no celular? (hehehehe)

Mesmo com medo de avião…

Pra quem tem medo de avião, peguei cinco voos numa semana. Como teve o enterro do Celso Giglio, uma grande liderança em Osasco, num único dia fiz Brasília-São Paulo, São Paulo-Brasília e depois Brasília-Ilhéus. Giglio foi prefeito e deputado estadual, com importantes atuações tanto em Osasco quanto na Assembleia Legislativa. Fiz questão de fazer um pronunciamento em sua homenagem na Câmara dos Deputados.

 

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