O sangue ferveu

Um trator atropelou os partidos menores na Câmara, terça-feira à noite. Colocar em pauta a admissibilidade da PEC 352/13, que trata da reforma política, já na primeira sessão, foi um atentado à democracia. Essa PEC propõe esmagar os partidos pequenos com a cláusula de barreira. Um absurdo, porque as eleições são realizadas em condições desiguais. Quando se concorre com fundo partidário pífio e tempo de TV quase zero, imputar aos pequenos partidos essa cláusula de desempenho é o mesmo que ter uma prova de atletismo entre um velocista e um concorrente com as pernas amarradas.

Não é essa reforma política que o povo quer, tanto que elegeu muita gente dos pequenos partidos, justamente para renovar e oxigenar esta Casa. Diante da fragmentação do Congresso, só posso deduzir que o  que eles pretendem é esmagar qualquer renovação de política futura.

Eu defendo a reforma política, mas não da forma como querem, colocando-a goela abaixo. E já na primeira sessão. Caramba! Foi um desrespeito aos novos deputados, mais de 40% pisando pela primeira vez no Congresso, muitos dos quais ainda sem conhecimento pleno do funcionamento da Casa e muito menos do texto em discussão.

Foram horas de muito sofrimento e tristeza. Fiquei com os nervos à flor da pele, o sangue ferveu e nem mesmo o frio que passei, naquele ar-condicionado ligado no máximo, abaixou minha temperatura. Me senti atropelada, enganada no dia de ontem. É lamentável tentar tirar proveito da inexperiência dos novos.

 

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