nov 24, 2015 - câmara dos deputados    2 Comments

O dinamismo da votação

Ouvi há pouco uma frase interessante de um deputado. Estava conversando com ele se não ficava chateado com as agressões verbais toda vez que a gente vota. Independentemente de nossa posição, a sociedade não tem consenso, quem é contra não respeita a nossa opinião e te ofende mesmo. Esse deputado é evangélico, foi eleito por esse segmento, então ele é a favor do Estatuto da Família, que diz que família é formada pela união de um homem com uma mulher, então, ao se posicionar favorável a esse projeto, ele foi muito atacado. Os contrários ao seu posicionamento escreveram nas redes sociais ‘você não me representa’, e ele respondeu ‘não mesmo, eu represento aqueles que acreditam que família é isso’. Aqui, nesta Casa, os eleitos representam diferentes segmentos da sociedade, há os defensores da diversidade sexual, assim como há os que defendem o conceito homem-mulher como definição única do que é família, e o fazem de acordo com a representatividade popular que os elegeu, estejam certos ou errados. Na verdade, eu acho que não existe o certo ou o errado, mas sim pontos de vista. Lembro que um jornalista me perguntou sobre a votação no polêmico projeto que exige boletim ocorrência de estupro para ter direito ao aborto legal, se eu não tinha me sentido incomodada quando os deputados evangélicos, por questão religiosa, comemoraram a aprovação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça? De forma alguma isso me incomodou, pois eles estão fazendo o papel deles, foram eleitos por esse segmento, e comemoraram a bandeira que defendem, isso é legítimo. Quem sou eu para julgar se é por religião ou não. Essas situações são muito difíceis aqui.

metro vagao femininoVocês não têm noção da dificuldade que é definir o voto, tudo tem um ponto de vista, tudo tem dois lados, quando as pessoas que não estão aqui pegam o projeto ou leem a notícia às vezes não entendem porque a gente muda de voto, muda de posição. É o caso do projeto que determina Vagões Femininos nos Metrôs, do qual sou a relatora. Peguei o projeto, e, óbvio, era a favor, por que alguém iria contra essa proposta? Aí, recebi o pessoal do Metrô e eles disseram que nunca a quantidade de vagões a serem destinados seria suficiente para as mulheres, então, imaginem uma mulher que não conseguir entrar nesse vagão exclusivo e embarca num outro? Poderia parecer provocação da parte dela ou iria correr o risco de ser muito mais assediada. Quando você ouve esses argumentos, faz todo o sentido a dúvida que estou nesse projeto. Então, aquilo que parece óbvio já não o é. Às vezes você chega aqui com uma posição, ouve os argumentos e muda seu voto. É tudo muito dinâmico, não há tempo para refletir, porque são milhares de projetos tramitando ao mesmo tempo, e você tem de tomar decisões muito rápidas, por isso achei interessante compartilhar com vocês como funciona a coisa por aqui.

 

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2 Comentário

  • Deputada, neste caso específico dos vagões, eles não poderiam simplesmente aumentar o número de vagões de modo que atenda a toda a demanda feminina?

  • Na minha opinião o pessoal do METRÔ está com má vontade. Se souberem, como sabem, o perfil dos usuários, eles tem como estabelecer que x% dos passageiros são do sexo feminino e com base nisso estabelecer o mesmo % de vagões. E ainda, podem alterar isso de acordo com o movimento durante o dia. A logística não é simples, claro. Mas não impossível. Má vontade!

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