mar 27, 2017 - câmara dos deputados    3 Comments

Novos tempos

celularEu, que semanalmente estou  voando pelo céu São Paulo-Brasília-São Paulo, me divirto com alguns hábitos que devem ser bem típicos de brasileiros. Tenho certeza que vocês já repararam nisso, ou até mesmo têm esse ritual. Primeiro, bastam os alto-falantes do aeroporto anunciarem ‘dentro de instante, iniciaremos o embarque’ já se forma um aglomerado. Nem abriu o acesso e a fila está formada. Não sei o motivo disso, não tem o porquê da pressa, cada um tem seu lugar marcado na aeronave. Assim que o avião pousa, o povo já se levanta, pega suas coisas no compartimento de bagagem de mão e forma a fila. A porta nem abriu, mas está todo mundo de pé, um atrás do outro, o primeiro quase grudado na aeromoça que fica lá na frente para agradecer a preferência pela companhia. O engraçado é que mal se levantam dos assentos todos ligam seus smartphones, inclusive eu. Incrível, gente, sem exceção, todo mundo fica com olhos no celular, digitando ou conferindo seus recados. Sabe a imagem que me vem à mente? Robôs! Coincidentemente, me enviaram pelo WhatsApp essa imagem, mostrando como era a nossa comunicação não há muito tempo. Estamos vivendo uma grande revolução, uma nova era na história da humanidade. A era da tecnologia. Acho muito importante a gente se atentar a isso, e como as relações políticas e institucionais vão lidar com a atual sociedade conectada, mas que vive uma crise de representatividade, uma crise institucional, por causa desse novo tempo. Esse é o nosso grande desafio, aproximar o cidadão da política.

 

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3 Comentário

  • Olá Renata!

    Eu não a conhecia, até assistir ao programa da TV Câmara “Expressão Nacional” sobre reforma política.

    Achei que você falou muita coisa coerente e de bom senso. Sua fala me chamou a atenção e me pareceu verdadeira e não demagógica como, por exemplo, no caso de uma situação de votação em lista fechada, onde você colocou a ideia do candidato não aparecer num programa de TV e sim as ideias e os programas dos partidos.

    Você tem algumas ideias realizáveis no curto prazo sobre como aproximar os cidadãos da política e educá-los para uma cidadania plena?

    Abraços

    • Olá, Carlos

      Fico feliz que você assistiu ao Expressão Nacional e pôde conhecer um pouco de minha atuação parlamentar. Sobre a Reforma Política, sempre defendi que a verdadeira reforma precisa ter a participação da população, ela precisa ser ouvida e dividir com a gente as principais decisões deste País.

      Defendo a democracia direta, com transparência e participação dos cidadãos. Não é novidade pra ninguém que vivemos uma crise de representatividade política no Brasil, onde quase 80% dos eleitores se dizem não representados por partido algum. E o que precisa ser feito? Os partidos se modernizarem, se reposicionarem e trazer pra dentro do poder o povo, que tem direito de decidir o que é melhor para ele.

      Neste blog, você pode acompanhar a mudança que estamos fazendo no PTN, que dentro de alguns dias se tornará Podemos. E não tem nada a ver com o Podemos espanhol, como a mídia anda divulgando por aí. O nosso Podemos é inspirado no slogan do Yes, We Can, do Barack Obama, em 2008. Não será nem de esquerda, nem de direita, porque entendemos que esta divisão está superada. As pessoas se movem em torno de causas, que mudam de tempos em tempos, e não em torno de uma ideologia estagnada. Um partido voltado para a transparência, para o respeito, com consultas populares, com as pessoas participando e defendendo causas que podem ser encampadas pelo partido. Uma forma de democracia mais direta. Este é o ensejo de todos os brasileiros, que desde as primeiras manifestações populares, em 2003, querem participar mais da política e dos rumos do País.

      Valendo-se do mundo tecnológico, o Podemos fará uso de aplicativos e outras ferramentas digitais para compartilhar com o cidadão as questões a serem discutidas. A internet passa a ser o endereço digital do partido, permitindo, assim, maior presença popular nos processos de decisão política e com acesso a mais informações sobre os políticos no poder. Em princípio, a atuação direta com o povo será em âmbito federal, e, posteriormente, expandida para os campos estadual e municipal. Uma das ações práticas diz respeito a projetos de lei de iniciativa popular. Qualquer cidadão que propor um projeto de lei na plataforma digital do partido, e que receba em nível nacional 50 mil apoiadores, um parlamentar federal do Podemos é obrigado a protocolar, desde que a proposta seja constitucional, não atente contra os valores básicos da sociedade e nem tenha vício de iniciativa. Hoje, um projeto de iniciativa popular exige a apresentação de um abaixo-assinado à Câmara dos Deputados subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído por pelo menos cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Isso significa conseguir em torno de 1,3 milhão de assinaturas. Outra ação do Podemos é que a população passa a ter a oportunidade de orientar a bancada do partido nas principais questões em discussão na Câmara dos Deputados.

      Acreditamos muito nesse novo caminho, de reaproximação da classe política com a população, rompendo essa barreira de distanciamento que limita o povo de participar apenas quando da realização de eleições, quando é direito de todos estarem ativos, opinando, sendo ouvidos e participando de todo o processo político. Tenho certeza que a curto prazo teremos excelentes resultados e outros partidos também se reposicionarão mais próximos dos brasileiros, que, enfim, poderão exercer sua cidadania plena.

      Abraços e boa semana!

      • Obrigado pelo retorno Renata.

        Na linha do seu raciocínio da democracia direta, os partidos não deveriam cumprir o seu dever e disponibilizar cursos de política aos cidadãos através de seus institutos com recursos do fundo partidário? Esse, sim, seria um bom uso do fundo.

        Não deveríamos incluir na BNCC aulas de discussão política, ou seja, não de modo tradicional conteudista, mas, sim, debates e discussões desde o primeiro ano do ensino médio?

        Acho que politizar é preciso. A população me parece estar indo na direção contrária, contra a política e os políticos, justamente por não entenderem o papel deles numa democracia de fato.

        Não se deve acabar com eles, mas, sim, fazer com que eles atuem como tal e não com fisiologismo e espaço de barganha como tem ocorrido ao longo dos tempos.

        Não acho que nossa população esteja mais politizada por conta de uma maior participação, embora esta possa induzir aquela. Creio que as pessoas estão mais conscientes de seus direitos, mas muitas vezes “esquecem” de seus deveres.

        Alguns estão mais ativos e participativos exercendo a cidadania do “eu” quando é afetado de algum modo. Isso não é cidadania! Aliás, esse conceito – como vários outros – deveriam ser melhor explicados à população de modo geral.

        Então, poderíamos, de algum modo – cursos nos partidos; cursos online; discussão nas escolas; etc – fomentar a politização da sociedade, não apenas a sua participação reivindicando direitos de modo pontual e de acordo com a necessidade como me parece ser hoje.

        Radicalizar – sendo de esquerda ou de direita sem escutar o outro – e reivindicar o que lhe interessa num determinado momento sem participação contínua e fiscalização dos seus eleitos não me parece “ser politizado”. Acho que não devemos confundir mais participação – por conveniência momentânea – com politização.

        Aliás o termo FLAxFLU, de recente citação nos meios de comunicação, me pareceu muito adequado, ou seja, você defende o seu time sem muita reflexão ou argumentação porque gosta dele e não porque ele é o melhor ou tem mais qualidades.

        O momento, na minha opinião, é bem esse: muito reflexo e pouca reflexão infelizmente. Como resultado, temos radicalizações de ambos os lados. Se houvesse mais politização – não só participação – teríamos mais avanços e menos barulho.

        Quanto a não representação, eu concordo em parte com você. Os parlamentares, de modo geral, não representam seus eleitores por não terem nada a ver com eles, seja em seus pensamentos e reivindicações, seja nas áreas onde atuam – trabalhador x empresário, por exemplo -, mas, por outro lado, os representam porque foram votados por eles.

        Esse é um dos pontos mais importantes. Muitos reclamam de não se sentirem representados, mas não só não cobram seus eleitos – boa parte não lembra em quem votou para poder fazer isso – como, muitas vezes, os reelegem para, depois, reclamarem de novo. É um processo esquizofrênico, não? Com mais politização, teríamos, de fato, mais representação.

        O que você acha das propostas que coloquei por aqui – discussão nas escolas, cursos nos partidos, cursos online, etc – para aumentar o grau de politização das pessoas? Dá pra fazer isso de fato? Seria um início para um processo árduo e longo, mas com isso daríamos um primeiro passo.

        Abraços

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