nov 6, 2015 - câmara dos deputados    9 Comments

Legalizar pra sair do vermelho

bingoNesta semana tivemos a primeira sessão sobre a legalização dos jogos de azar no Brasil. Houve uma grande disputa para a composição dessa comissão especial que vai analisar o tema, tanto para presidente quanto para relator, por isso demorou a ser instalada. Para vocês entenderem, quando um assunto tem grande visibilidade, há uma briga para definir quem vai ser o presidente, quem vai ser o relator, e essa comissão era uma delas. Por que? Porque o relator e o presidente têm a possibilidade de atender os diferentes segmentos envolvidos no tema. Por exemplo, sou relatora na Comissão dos Direitos Autorais (Ecad), então, atendo o setor hoteleiro, as entidades religiosas, as entidades sem fins lucrativos, os artistas, entenderam? Imaginem, por exemplo, nessa discussão Uber x Táxi, o relator tem a possibilidade de beneficiar um ou outro, né, trazendo para si um capital político. Bem, voltando ao assunto principal deste post, a comissão demorou por causa dessa disputa, mas agora está instaurada. Um dos oito projetos em análise é o meu. Logo nas primeiras semanas de mandato, protocolei minha proposta de liberação dos jogos de azar. Lembro que minha assessoria ficou preocupada, dizendo ‘que era uma bucha’, mas, diante da crise no Brasil, precisamos criar alternativas que resultem em aumento de arrecadação. E o jogo tem dados superinteressantes: estima-se, segundo a Associação dos Bingos do Brasil e escritórios de contabilidade que gerenciavam essas casas, uma arrecadação superior a R$ 18 bilhões, cifra considerável para minimizar os problemas de caixa do País. Hoje, as pessoas jogam pela internet ou vão para outros países, levando para fora o dinheiro que gastariam aqui. A legalização estimularia o turismo interno. Se fosse permitida a instalação de cassinos em cidades pobres, distantes dos grandes centros, ajudaria na arrecadação local e, consequentemente, melhoraria a vida de seus moradores. É uma coisa que tem de ser debatida, não pode ser uma caixinha de pandora. Enfim, estou feliz que um dos projetos em discussão é de minha autoria, feliz que tenha dado essa contribuição. Vocês poderiam dar aqui suas opiniões sobre o tema? Gostaria de conhecer a análise de cada um a respeito dessa proposta.

 

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9 Comentário

  • Boa noite. Parabéns, estimada deputada. Desejo que continue firme em seus propósitos e fiscalize para que a legalização ocorra o mais breve possível. É tacanha a ignorância de que os jogos, vídeo-bingo, bingo, jogo do bicho e cassino destruirão famílias. Quem é viciado e quer jogar, evade divisas, joga pela internet em sites de domínio estrangeiro ou frequenta os milhares de bingos clandestinos que existem pelo Brasil. É uma vergonha, uma vez que temos mais bingos clandestinos a padarias em nosso país. Em suma, quem quer jogar está jogando mesmo com os bingos legais fechados. Liberar o jogo atrairá investimentos, turismo, gerará emprego, renda e impostos para o governo. Hoje, o crime organizado já existe infiltrado nas casas clandestinas, e por isso vê-se necessário liberar com fiscalização e segurança, como em qualquer país de primeiro mundo. É chegada a hora de liberar (e fiscalizar isso). Sei de pessoas idosas que se arriscam em bingos clandestinos, poendo ser surpreendidas por assaltantes ou pela própria polícia. Muitos idosos têm no bingo, ou tinham, no bingo sua única distração. Vamos dar dignidade a esta gente. Desejo tudo de bom para a senhora e seu mandato, que Deus a ilumine nesta jornada a favor da legalização.

  • Na questão em que afirma que um relator traz para si um capital político eu vejo isso como uma forma de manobra política “voltada a propina” em detrimento ao favorecimento de alguém como por exemplo: Uber x Táxi

    Muitos políticos querem ficar em evidência para poderem usar essa “evidência” para se reeleger !

  • “Se fosse permitida a instalação de cassinos em cidades pobres, distantes dos grandes centros, ajudaria na arrecadação local e, consequentemente, melhoraria a vida de seus moradores.”

    Não seriam os moradores pobres q acabriam com suas vidas financeiras nos cassinos dessas cidades?

  • Não tenho opinião formada sobre o tema. A princípio seria contra, mas se realmente o volume de jogo via internet é grande assim, o que faz do jogo algo inevitável, talvez fosse um projeto interessante.

    No entanto, o que temo é que famílias pobres percam o pouco que tenham, já que há pessoas com tendencias ao vício e tal vício, assim como a droga, destrói não só a vida dos viciados mas também de suas famílias.

    Será que poderia haver jogos em que só se permitisse os ricos jogarem, tipo com apostas muito altas?

    Mas ao mesmo tempo, restringir o acesso somente aos ricos nãos seria um preconceito?

    Não sei… Mas acho que antes de qualquer coisa, psiquiatras que lidam com esse tipo de vício deveriam ser ouvidos. Sobre o tema, só tenho certeza disso.

  • Deputada, sempre que o brasileiro quer falar que as coisas aqui são caras, ele usa como exemplo os Estados Unidos. Pois lá os jogos de azar não só são legais, como são uma atração turística.
    Eu não poderia concordar mais com a sua opinião. Ninguém é obrigado a apostar o seu dinheiro. E sabe muito bem que está correndo um de perder o dinheiro pela chance de ganhar muito mais.
    Se é para ajudar nosso país a sair dessa crise, que se legalizam os jogos de azar novamente!

  • As propostas consideram a proteção contra fraude e roubo pelas casas responsáveis pelos jogos? Porque os eletrônicos são muito fáceis de ser adulterados, e os outros não são tão distantes assim. Considerando que é muito dinheiro envolvido, e que o próprio fato de ser um jogo de azar já é um álibi perfeito, acho que é o ponto mais importante a ser definido.

  • Cara Deputada,

    São muitos as ligações entre o crime organizado e os cassinos. Eu tenho uma imensa dificuldade em compreender como uma situação de crise circunstancial como a que vivemos, possa ser usada como argumento para a legalização dos cassinos. Em algum tempo essa crise terá sido superada mas a brecha institucional para a lavagem de dinheiro ilícito ficará aberta. Não faz tanto tempo assim tivemos um criminoso como Carlinhos Cachoeira agindo em conluio com o ex-senador e também criminoso Demóstenes. O crime organizado já se infiltrou no parlamento por meio de caixa 2 (preciso mesmo citar o Deputado Cunha?). Ao invés de liberar cassinos por que não uma CPMF que serve ainda como uma excelente ferramenta de fiscalização para a receita federal?

  • Tem até um livro que recomendo, “O Rei da Roleta,” sobre a historia de um conterrâneo ilustre; Joaquim Rolla.
    O homem que inventou o Cassino da Urca e transformou a historia do entretenimento no Brasil.
    Joaquim Rolla, foi dono dos Cassinos da Urca e do Cassino Quitandinha em Petrópolis.
    Óbvio, que não é por ser conterrâneo dele, que sou favorável a liberação do jogo no Brasil.

  • Sou totalmente a favor da volta dos Cassinos, guardo na lembrança dos Cassinos da Urca no Rio de Janeiro e do Cassino Quitandinha em Petrópolis.
    Vinha gente do mundo inteiro para jogar aqui no Brasil e, ficavam hospedados nos próprios Cassinos.
    Mas em 1946 a proibição do jogo foi decretada pelo então Marechal Eurico Gaspar Dutra.
    A liberação do jogo, seria uma forma de investir no turismo nacional e os impostos pagos seriam para ajudar nas causas beneficentes.
    Seria uma forma de aumentar a circulação do capital e aquecer o mercado das principais cidades litorâneas e nas estâncias termais.
    Em pouco tempo iria subir o termômetro financeiro do país com o dinheiro vindo de fora, dos turistas estrangeiros.
    A legalização do jogo no Brasil é um processo peculiar!
    Portanto,acho a liberação do jogo, uma boa, não vejo nada de errado nisso.
    Ninguém é obrigado a jogar, joga quem quer e tem dinheiro para gastar no jogo.
    Seria uma atração a mais, na janela do turismo.

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