maio 28, 2015 - câmara dos deputados    1 Comment

Financiamento de campanha

Também votamos o financiamento de campanha. Eu sou contra o financiamento privado de pessoas jurídicas, por isso fui muito pressionada, ameaçada, mas mantive minha convicção. É importante lembrar que a proposta foi derrotada na terça-feira, mas depois teve uma manobra regimental colocando na quarta-feira um texto semelhante em votação. Foi um agito só, com muitos deputados reclamando, xingando, foi complicado. O Chico Alencar até ergueu um cartaz, onde estava escrito “Empresa não doa, investe!”. Ai, como muitos colegas sabiam que eu tinha votado contra, um deles veio reclamar comigo: “Como assim, que absurdo. Você não recebeu doação de pessoa jurídica”? Sim, hoje é permitido, falei para ele, emendando: “Você gostaria de ser casado com duas mulheres? Sim? Então, por que não casa? Ah, não é permitido, né? E se fosse”? É a mesma coisa! Proibindo, geraria igualdade econômica para todos. Como hoje não tem, todo mundo sai em busca de financiamento privado, de financiamento de pessoa jurídica, mas, para mim e para a sociedade, não é o ideal. Se fosse proibido para todo mundo, todo mundo teria de se adequar à regra, o que tornaria a eleição um pouquinho mais igualitária, com o poder econômico influenciando menos. Votei duas vezes contra. Até dentro do meu bloco, eu fui uma das que votaram contra esse tipo de financiamento. A gente tem de ter coerência. É uma questão minha, não cedi às pressões e acredito ter me prejudicado muito por isso. Acho que minha fama de teimosa e persistente aumentou ainda mais.

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1 Comentário

  • Ando acompanhando seu diário. Estou no setor público desde 2011, quando trabalhei na Prefeitura da minha cidade. Hoje, trabalhando na CEMIG, uma das maiores empresas do país, e percebo o tanto que egos e dinheiro movem esse setor, trazendo dificuldades mesquinhas, pouco evoluídas, diria infantis.

    Há falta de estrutura filosófica na formação do brasileiro. Questões de família.

    Enfim, acredito na mudança e vivo dizendo que não vou ver o mundo que eu gostaria, mas ainda sim sigo acreditando e vibrando pelas pequenas mudanças que se percebe a cada dia para os meus descendentes distantes. A ciência da informação é uma grande aliada.

    O povo é como uma manada, só vai a uma direção se for interessante para ele, e está sim, infelizmente, alienado em sua maioria do funcionamento dos sistemas político, econômico e outros interligados (em tese ninguém nasce e permanece com a obrigação de sabê-los). Como representante do povo, o governo deveria guiar a ‘manada’ para enriquecer esses sistemas e isso pede uma retroalimentação para a população para ser sustentável, no entanto enriquecer os sistemas de poder, em detrimento daqueles outros, é que parece ser o foco da maioria dos parlamentares. Muito triste.

    De qualquer forma, admiro sua luta. Entendo que, pelos seus desabafos, devem haver posturas que seriam mais eficazes para conseguir implementar suas ideias, que parecem buscar a integridade, nessa casa cheia de nuances sórdidas. Mas só você e os outros parlamentares que buscam essa coerência sabem da dificuldade dessa evolução. Por isso, torço para que melhore essa relação, se critique e cresça todo dia um pouco mais. O Brasil precisa de pessoas que pensam bem.

    Sucesso!

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