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Plaquinha pronta na mesa

Não canso de rir de uma situação comum no Congresso: eleição para candidato único. O ápice foi na escolha do presidente da Comissão do Supersimples, que é uma comissão especial. Tendo um só candidato concorrendo, a gente precisou votar, em vez de aclamar o indicado. No caso da Supersimples, quando terminou a eleição, a plaquinha dele, de presidente, já estava pronta. E gravada. A dele e a do relator (rsrs). Só rindo mesmo. Terminada a votação, 15 segundos depois a plaquinha já estava ali na mesa.

Trabalho de formiguinha

Continuo na minha via sacra de conquistar voto a voto, apoio por apoio, para o meu projeto de lei de Educação ser aprovado. Dá um trabalho! Acredite… se verem um deputado que tem mais de mil projetos de lei protocolados, sabe como isso acontece? Eu descobri que tem gente que vende projeto de lei. Têm muitos deputados que se preocupam com quantidade, pra falar pra imprensa ‘olha, eu apresentei tantos projetos de lei’. Tem um ranking da Veja, eu nem sabia disso, que avalia os deputados. E os critérios são  número de frentes parlamentares que eles criam e número de projetos de lei. Só quantidade… Isso não significa nada. Por exemplo, tem deputado que cria a Frente Parlamentar de Apoio ao Milho. Aí, coloca um monte de meninas colhendo assinaturas e cria a tal frente parlamentar, que não tem atuação alguma. É só para gerar estatísticas. Isso é fato. É bom conhecer esses bastidores, pra ficar atento. O que vale não é quantidade, mas qualidade e a dedicação com que o parlamentar cuida daquilo que, realmente, quer lutar. É um trabalho de formiguinha, todos os dias falando com os líderes, conquistando um a um. Isso, sim, é lutar por algo que vai mudar a vida dos brasileiros.

Alta frequência

É muito ruim ficar no gabinete. Você não consegue ler um projeto de lei. Não para de chegar gente. E como eu gosto de receber bem as pessoas, a leitura acaba ficando pra depois. Só que não para de chegar gente. É o tempo todo. O povo vem do Brasil todo querendo falar com você. É gente querendo articular projeto, gente que tem interesse no projeto A, B ou C e quer passar o seu ponto de vista. É gente que quer que você apresente um projeto. É gente que quer emenda pra sua cidade. Tem de tudo. De verdade, não tem como trabalhar no gabinete em Brasília. Ai, naturalmente, como eu não gosto de deixar nada pra amanhã, acabo ficando até tarde, pra poder deixar tudo organizado. E, como sempre, acabo encerrando meu expediente no escuro, porque, como já escrevi, no Congresso todas as luzes se apagam à meia-noite.

Nem sabe o que votou

Ah, essa foi demais. Preciso registrar isso. Sabe aquele deputado que votou ‘não’ ao meu projeto de Educação e depois apresentou projeto quase idêntico? Pois bem, o encontrei num dos corredores do Congresso e cobrei a incoerência. “Poxa, vota contra o meu projeto e depois apresenta projeto idêntico”. E ele: “Nós votamos contra o seu projeto? Eu nem vi. Quando foi isso”? Parece piada, mas é sério: algumas pessoas aqui, infelizmente, votam projetos, seguindo a orientação de bancada, mas nem leem o que estão votando. Essa é a única coisa que me deixa muito triste. Elas não sabem a importância daquele botãozinho (que você aperta para registrar o voto no painel eletrônico) na vida de muita gente. Incrível, simplesmente apertam o botão, sem ter conhecimento do que se trata. Isso me deixa triste. De verdade.

Haja fôlego!

São 19 horas. Acabei de sair do plenário, estou cansada, ofegante, mas rindo. É que teve uma votação nominal, o Eduardo Cunha colocou pra votar e em cinco minutos ele já gritou ‘vou encerrar a votação’. Você só vê deputado agitado, correndo de um lado para outro. Eu, mesma, deixei o plenário e estou indo rapidinho para outra reunião. A maratona é intensa. Aqui, realmente, você faz tudo ao mesmo tempo. Chega a dar raiva. Você não consegue se concentrar: está numa comissão, ao mesmo tempo está rolando uma reunião, você bate presença aqui, discute ali, volta pra cá e corre pra acolá. Olha, tem que ter um exercício mental multifuncional, além de preparo físico. Têm vezes que o coração só falta sair pela boca, tão acelerado que fica nesse corre corre doido.

Ratos no plenário

Gente, pânico total no plenário da CPI da Petrobras. Quando o João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, entrava para depor, um homem que acompanhava a reunião soltou ratos no local. Foi um corre corre geral, uns caçando os roedores; outros, fugindo dos roedores. Terça-feira, o clima aqui já estava quente, por causa da regulamentação da terceirização, com manifestações e protestos. Eu estava na Comissão Especial da Reforma Política e lá fora era gente passando de maca, gente gritando, gás de pimenta nos corredores. Eles ficavam gritando “aqui só tem bandido”. Eu pessoalmente não me sinto nem um pouco ofendida, porque a carapuça não me serve. Acho que as pessoas têm essa mania de generalizar, de ‘tô brava com um, tô brava com outro, tô brava com o projeto e é tudo bandido’. Enquanto a gente não soube valorizar cada um com suas diferenças, é muito difícil lidar com o ser humano. Eu sempre trato isso meio que ignorando, mas é triste porque as pessoas não podem e nem deveriam generalizar.

Feliz de estar nesta comissão

Fui escolhida para integrar a Comissão Especial do Supersimples. Uma comissão que eu queria  mesmo integrar, porque trata dos micros e pequenos empreendedores, trata de benefícios para a classe produtiva, que gera riqueza, que dá o lastro de riqueza do nosso país e que gera emprego. Tudo que defende a classe produtiva, para que cada vez mais o trabalhador dependa menos do assistencialismo, me deixa feliz. Eu sempre falo isso: o melhor bolsa família que um cidadão pode receber é um salário digno. O poder de não depender do poder público; de, por exemplo, escolher o médico que quiser. Comissão montada, com indicação do presidente, do relator e dos integrantes. Agora, é trabalhar nesse projeto, que vai ajudar os micros e pequenos empreendedores e, consequentemente, resultará em mais empregos e mais renda.

Clima quente, bem quente

O plenário da Câmara acaba de fechar acordo para permitir a votação, ainda na sessão desta noite, do texto-base do projeto que regulamenta a terceirização. Acho que vamos avançar madrugada adentro. Emendas e destaques para supressão de pontos do texto serão apresentadas até a próxima terça-feira. O clima hoje está mais ou menos sereno, mas ontem foi bem quente por aqui, porque estava na pauta o pedido de urgência para esse projeto. Houve manifestação da Fiesp e da CUT, confronto com a polícia e até manifestantes invadindo o Congresso. Teve até gás de pimenta. Foi difícil trabalhar, porque o efeito do gás era bem forte. Doía os olhos, doía a boca, doía tudo.

 

 

Votou contra e fez um quase igual

Fui no Senado falar com o Aécio Neves, para tentar apoio para o meu projeto de lei de inclusão de Política e Direitos Básicos nas escolas. Ele vai conversar com o líder do seu partido na Câmara e acho que vai dar certo. Mas eu preciso contar uma. Estou pasma até agora. Tem um partido que votou contra o meu projeto quando a proposta foi a plenário. E hoje eu me deparei com um de seus deputados apresentando um projeto quase idêntico ao meu. Nossa, eu fiquei com muita raiva! Pra quê essa ciumeira? Em vez de a gente se unir e aprovar um projeto que é bom pro País fica nessa picuinha. É dose, né?!

 

Semana cansativa, mas gratificante

Essa semana que passou foi bastante intensa. As atividades em Brasília começaram na segunda-feira, com a antecipação das sessões de quinta, por causa do feriado da Semana Santa. Quando retornei a São Paulo, passei um dia inteiro na Câmara dos Vereadores de São Paulo, visitando os colegas, fazendo articulações de chapa municipal e conversando muito. Quinta-feira, sábado e domingo fiz as ações sociais da ONG que eu cuido, o CTN. Na quinta, estive nas creches; no sábado, nas comunidades e domingo, no CTN. É extremamente gratificante estar nessas comunidades carentes, que depositaram na gente a esperança de um Brasil melhor, e ver aquelas centenas de crianças sorrindo, que você pode fazer um pouquinho para alegrar a vida delas. É isso que me motivou e me motiva voltar para Brasília. Porque aqui, no Congresso, as coisas são bem difíceis de acontecer, depende de muita disponibilidade, muita articulação… muita vontade, efetivamente. Ainda bem que eu sou auto motivável. Isso dá um gás novo. Eu fiquei muito feliz, foi uma semana cansativa, mas extremamente emocionante e gratificante.

pascoa renata (3)