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O sangue ferveu

Um trator atropelou os partidos menores na Câmara, terça-feira à noite. Colocar em pauta a admissibilidade da PEC 352/13, que trata da reforma política, já na primeira sessão, foi um atentado à democracia. Essa PEC propõe esmagar os partidos pequenos com a cláusula de barreira. Um absurdo, porque as eleições são realizadas em condições desiguais. Quando se concorre com fundo partidário pífio e tempo de TV quase zero, imputar aos pequenos partidos essa cláusula de desempenho é o mesmo que ter uma prova de atletismo entre um velocista e um concorrente com as pernas amarradas.

Não é essa reforma política que o povo quer, tanto que elegeu muita gente dos pequenos partidos, justamente para renovar e oxigenar esta Casa. Diante da fragmentação do Congresso, só posso deduzir que o  que eles pretendem é esmagar qualquer renovação de política futura.

Eu defendo a reforma política, mas não da forma como querem, colocando-a goela abaixo. E já na primeira sessão. Caramba! Foi um desrespeito aos novos deputados, mais de 40% pisando pela primeira vez no Congresso, muitos dos quais ainda sem conhecimento pleno do funcionamento da Casa e muito menos do texto em discussão.

Foram horas de muito sofrimento e tristeza. Fiquei com os nervos à flor da pele, o sangue ferveu e nem mesmo o frio que passei, naquele ar-condicionado ligado no máximo, abaixou minha temperatura. Me senti atropelada, enganada no dia de ontem. É lamentável tentar tirar proveito da inexperiência dos novos.

 

Bancada feminina

Café da manha das mulheres da Câmara, celebrando o início dos trabalhos

Café da manha das mulheres da Câmara, celebrando o início dos trabalhos

Hoje teve café da manhã da bancada feminina da Câmara. Somos 51 mulheres. Senti que todas falam com coração, com a verdade. Têm posições firmes. Por isso, é tão importante defender maior participação da mulher na política. Eu defendo cota feminina no Parlamento, para que o futuro de nossos filhos esteja preservado. Eu vou me empenhar  para unir as deputadas na luta pela cota representativa na Mesa Diretora e nas comissões. Para ter uma ideia, essa é a primeira vez na história da Câmara que uma mulher ocupa cargo na mesa, agora com a Mara Gabrilli (PSDB) e a Luísa Erundina (PSB).

O bottom e a gravata

Esse bottom que a gente tem de usar, uma espécie de crachá de identificação de parlamentar, fura toda a nossa roupa. O apetrecho, certamente, foi planejado apenas para os homens, que têm lapela nos ternos. Para as mulheres, essa identificação deveria vir numa correntinha. Ficaria bem melhor e não estragaria tanto nossas roupas.

Outra coisa. Um de meus assessores acaba de ter negado seu acesso ao salão verde porque estava sem gravata. Sabia que não pode entrar aqui sem gravata? rsrs

Ai, que fome! E meus pés…tadinhos

Estou muito brava agora. Morrendo de fome, os lugares são distantes, o restaurante está lotado. Do meu gabinete ao restaurante tenho de caminhar uns 20 minutos. De salto alto!!! Meus pés estão doendo muito. Toda noite sou obrigada a fazer escalda-pés para aliviar um pouco essa dor.

Você não consegue se locomover. Todo mundo te para o tempo todo, seja a imprensa, alguém pegando sua assinatura, um parlamentar que quer te cumprimentar…

Tenho reunião daqui a pouquinho e a fila do restaurante está assustadora. Acho que vou ficar sem almoço. Tá difícil.

Comigo, não!

Incrível como a desconfiança impregna o ar no Congresso. Basta falar que é favor deste ou daquele para insinuarem que está levando algo. Que pena!

Senti isso. O zum-zum-zum foi forte. Indiquei o PRB para integrar o nosso bloco Renovação. Pois bem, sabe que tem gente achando que minha indicação é porque levei algo deles? Claro que rodei a baiana. Estão pensando o quê?  Não admito esse tipo de insinuação.

É triste, viu! Muitos não acreditam que alguém possa defender um grupo ou um lado da mesma maneira como defende sua família. Isso tem que mudar! Quando tivermos grupos unidos por afinidade e amizade, e não por interesses individuais, daremos um grande passo na política deste país.

Tenho fé que nosso grupo, de 17 deputados federais, vai espalhar pela Câmara esse sentimento de confiança, de ajuda e respeito mútuos, provando que podemos, sim, construir parcerias de forma diferente, com transparência, afinidade e, acima de tudo, com ideal e esperança de um Brasil melhor.

Olha a fila, deputada

Oito elevadores no saguão da Câmara, dois deles privativos, exclusivos para os parlamentares. Vi a fila e, quando a porta de um deles abriu, não perdi tempo e entrei. Não demorou muito para as pessoas reclamarem: “Ei, você, olha a fila. Não pode furar a fila”. Não entendi a manifestação.  Até chegar ao andar do meu gabinete, pensei com meus botões: ‘Por que estão chiando comigo? O que eu fiz?’

Só fui saber o motivo da chiadeira quando comentei com um dos meus assessores. Ai fiquei sabendo que havia entrado no elevador errado. Entrei no elevador público, em vez do privativo. É gente, furei a fila sem querer. Sorry!!!

Posse, eleição, estresse…e emoção

Que dias! Teve emoção, sim, mas foi tudo muito estressante. Jamais imaginaria que fosse assim. Uma bagunça. Você não consegue se mexer, tem uma porta só e um mar de gente querendo entrar e sair ao mesmo tempo do recinto. Um sufoco!

Na hora da posse, quando chamaram meu nome, eu engasguei no “Eu prometo”. É que na hora vi meu pai e mal consegui ouvir meu nome.

Sábado e domingo foram agitados demais. Mal deu pra respirar.  E eu que, após a difícil campanha eleitoral, achava que o pior já tinha passado. Que nada! A pressão na gente é muito forte. Todo um planejamento caiu por terra diante da velocidade com que as coisas rolaram no domingo.

Depois da posse, bloco parlamentar tinha de ser protocolado até as 13h30. E o nosso grupo, formado por partidos pequenos, com deputados de primeira legislatura, só conseguiu registrá-lo às 13h27. Que sufoco!

Parou por aí? Que nada. Às 15 horas teve reunião de líderes. Uma batalha para conseguir o consenso. Todo mundo falando ao mesmo tempo, cada um defendendo esse ou aquele candidato. E o relógio correndo. Às 18 horas começava a votação para a presidência da Câmara e da mesa diretora. Como a disputa pela presidência da Câmara estava muito acirrada, os candidatos tentaram desmontar o nosso grupo de qualquer jeito. Mas a vontade da maioria prevaleceu e decidimos ser independentes. Enfim, saímos de lá direto para o plenário e ajudamos a eleger Eduardo Cunha. Foi a primeira vez na história do Congresso que uma eleição foi tão concorrida. Tenho certeza que a atual legislatura da Câmara será de muita luta e de surpresas.

Quem acha que deputado federal não trabalha, está redondamente enganado. Por pouco não enlouqueci. Queimei mais calorias em 48 horas do que em uma semana na academia (rs). Enfim, de pouquinho em pouquinho vou ganhando meu espaço.

PS 1.: Só fui conhecer meu gabinete à meia-noite.

PS 2.: Hoje, vou protocolar meu primeiro projeto de lei, sobre Educação, minha bandeira. Aguardem!

congresso

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