Archive from agosto, 2017

Contra tudo e contra todos!

Às vezes, me dá enorme agonia. Nem a população sabe direito o que quer em relação algumas pautas. Quando o assunto chega, a sociedade muda de opinião da noite para o dia. Sempre ouvi críticas sobre o sistema eleitoral atual, onde os votos do Tiririca serviram para eleger desconhecidos. Os eleitores sempre criticaram e afirmavam ‘nós votamos em pessoas e não em partidos’! Aí se propõe o distritão como sistema eleitoral, que é justamente o que o povo já faz e quer, ou seja, votar em pessoas e também acabar com o efeito Tiririca que tanto criticavam. E o que acontece? Somos atacados de novo, sob a alegação de que o distritão facilita a reeleição! Pesquisas apontam que é preciso o fortalecimento dos partidos. Então, se propõe votação pelo sistema de lista pré-ordenada, que seria a única forma de fortalecer os partidos, mas a população também critica esse sistema eleitoral, argumentando que servirá para esconder os ficha sujas.

Vejam bem, criticou-se o financiamento privado de campanhas eleitorais, que acabou proibido. Agora, tenta-se criar o sistema de financiamento público, única opção que resta, mas o povo também protesta. A verdade é que tudo o que vier deste Congresso a população verá com desconfiança, sempre achando que tem algo a mais por trás de qualquer proposta.

Por isso, defendo a instalação de uma Constituinte para tratar da Reforma Política. E precisamos, urgentemente, educar nossa população para a política!

Nada bom, nada bem!

Semana passada foi muito difícil para mim. Peguei uma gripe daquelas, meu pai, Zé de Abreu, foi para o hospital e teve de ser submetido a cirurgia de emergência, bancada parlamentar em conflito, articulações pendentes e a Reforma Política rolando sob enorme pressão. Não estava nada bom e eu não estava nada bem. Minha vontade era largar tudo, e acabei fazendo um pouco isso. Não atendi quase ninguém, deixei meu celular com a assessoria e regressei de Brasília direto para a missa, rezar. Acho que estava distante da minha espiritualidade, muita coisa dando errado. Cancelei minhas agendas do final de semana para ficar com meu pai no hospital e com minha família. Dificilmente tenho crises de estresse, mas desta vez, veio com tudo, e a equipe inteira teve de aguentar meu super mau humor (rs).

Preparando um golpe

Ontem, um deputado falou uma coisa que achei muito verdadeiro. Era sobre senadores, que costumam ser políticos mais velhos, a sabedoria deles e como os deputados estavam fazendo papel de bobos. E mais: que a sociedade tomaria um golpe, sem perceber a manobra. Ouvi com muita atenção o que o parlamentar dizia, e querem saber? Faz todo sentido o raciocínio dele. Veja bem: em 2015, o debate era sobre a proibição do financiamento privado nas campanhas eleitorais, por causa de todos os escândalos que vieram à tona, contratos superfaturados, Petrolão, caixa 2, enfim, tudo aquilo que vocês sabem muito bem. Houve, inclusive, mobilização popular pelo fim do financiamento privado.

Em setembro daquele ano, o Supremo Tribunal Federal decidiu proibir o financiamento privado de campanhas políticas, por entender que as doações desequilibram a disputa eleitoral. Entretanto, uma semana antes da decisão do STF, a Câmara dos Deputados aprovara uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pela manutenção de doações privadas. Coisa que eu sempre fui muito contra, porque acho ser uma relação promíscua e que não preserva a independência dos parlamentares. Sempre fui a favor do financiamento público, por ter mais transparência e mais igualdade entre os candidatos e entre os partidos. Na época dessa discussão na Casa, votei contra o financiamento privado, mas a proposta acabou aprovada em plenário e foi remetida para análise pelo Senado. E o que o Senado fez? Engavetou o texto.

Agora, o mesmo assunto volta à discussão, mas, ao contrário de 2015, a sociedade começa a bater e a criticar agora o financiamento público. Peraí, a gente precisa decidir o que quer. Financiamento privado ou público? Precisa ter um ou outro, não tem jeito. A Câmara está inclinada a aprovar o financiamento público. Feito isso, a proposta irá para o Senado, que virá com o discurso de que o financiamento público é um absurdo e que a sociedade não o quer. Ou seja, como a sociedade esqueceu aquela manifestação do passado, e hoje se posiciona ao contrário, o Senado vai aproveitar o diz-que-diz para aprovar o financiamento privado. Nessa, saem fortalecidos os partidos que têm a máquina administrativa na mão e, por tabela, os acordos com grandes empresas também se beneficiam. E fica instalado o desequilíbrio eleitoral. Entenderam? Esse é golpe!

 

Relatório bem modificado

Primeiro, peço desculpa por demorar a atualizar o blog. Tive um problema familiar, felizmente tudo bem agora, então, vou colocar vocês a par de tudo o que ocorreu semana passada. Reforma Política dominou a pauta e vai continuar a dominar nesta semana também. Como havia revelado aqui, confirmou-se a discordância dos integrantes da Comissão Especial com o relatório do deputado Vicente Cândido. Para não constrangê-lo totalmente, o relatório foi aprovado e depois amplamente modificado por meio de destaques. Nem preciso dizer que ele ficou muito bravo. “Acabaram com o meu relatório”, desabafou. Para que vocês entendam a mecânica da coisa, quando não há concordância há duas possibilidades de ação: reprovar o relatório e alguém apresentar voto em separado, com um texto completamente diferente e o colegiado aprova, ou aprovar o relatório ressalvado os destaques. Isso significa apresentar coisas que têm de ser destacadas do texto do relator e votadas em separado. E foi exatamente isso que aconteceu, destacando-se quase tudo do texto do Vicente Cândido. Aprovou-se também as emendas que deputados apresentaram, inclusive o Distritão como sistema eleitoral, que, é bom ressaltar, não constava do texto apresentado pelo relator.

Distritão: teorias e suposições

Com a aprovação do Distritão, surgiram as polêmicas e as críticas sobre esse sistema eleitoral. Na verdade, quando se criam teorias que não haverá renovação, nada mais são do que teorias, meras suposições, porque o Distritão não está implantado. Ainda vai a plenário! Aliás, muitos estão criticando esse sistema como se por acaso o atual não fosse a mesma coisa. Ficam falando que o Distritão só vai eleger, por exemplo, artistas (e nada contra os artistas, gente). No que o sistema atual impede famosos de se elegerem? Nada!

Quem é contra o Distritão precisa ter um argumento para isso. O deputado Henrique Fontana, entre outros, disse que esse novo sistema eleitoral não permitirá a renovação de políticos, no que foi rebatido na comissão pela deputada Cristiane Brasil: “Se quer renovar, não se candidata, comece dando exemplo”. Não aguentei segurar a risada. Aqui sempre os debates são muitos calorosos e intensos.

Aprovado sem discussão

Como o relator não colocou o Distritão em seu relatório, houve amplo debate que resultou na reconstrução do texto final pelos deputados integrantes da Comissão Especial. Com isso, a sessão estendeu-se por muitas e muitas horas. De madrugada, todo mundo cansado e com fome. Eu também, e acabei pedindo um McDonald’s. A deputada Laura Carneiro entrou no recinto carregando uma bandeja cheia de hambúrgueres. Esse ‘destaque’ (lanches) todo mundo provou e aprovou sem discussão (kkkkkk).

Oi? Como?

Em paralelo aos debates na Comissão Especial da Reforma Política, quinta-feira também teve sessão da comissão da PEC 282, da qual sou a presidente e que trata do Fim das Coligações e Cláusula de Barreira. Incrível, mas as pessoas achavam que eu sabotaria a comissão, porque sempre fui contra a Cláusula. Incomoda isso, porque me olham com desconfiança, mas não é assim que se constrói a política. Eu tinha de ir para Santarém, onde no dia seguinte haveria o lançamento do Podemos no Pará. E só tinha voo de manhã, justamente no horário da sessão. Então, pedi para os dois vices-presidentes da comissão abrirem a reunião para que a relatora Shéridan Oliveira lesse seu relatório. Nesse meio tempo, um deputado me telefona: “Renata, o que a gente tem de fazer mesmo?”. Respondi que era para pedir vista (o projeto é retirado da pauta para análise). “Mas só pode pedir vista uma vez?”, ele perguntou. Opa, peraí, o cara está em sua segunda legislatura e me pergunta isso? Sem mais comentários!

Podemos no Pará

Fui para o Pará, no lançamento do Podemos, mas mal fiz o check-in no hotel e recebi a notícia que meu pai estava passando mal. Embarquei de madrugada para São Paulo e não pude participar da solenidade do partido, que soube ter sido um sucesso. Estamos viajando o Brasil ao lado do senador Alvaro Dias e dos demais deputados federais da bancada, levando o nosso projeto do Podemos e a pré-candidatura do nosso senador à Presidência da República. A receptividade tem sido estupenda e isso me deixa muito otimista.

Eleição em Mairinque

Em São Paulo, os compromissos também não param. Estive em Mairinque, na inauguração do comitê do nosso Rodrigo da Imobiliária, candidato a prefeito. A cidade vai ter nova eleição majoritária, no próximo dia 3 de setembro. A Justiça Eleitoral não homologou o resultado das urnas, porque o eleito estava inelegível e desde janeiro a Prefeitura é administrada pelo presidente da Câmara. É muito estranho fazer campanha eleitoral fora de época, mas é mais fácil, porque não há aquela preocupação com o leque todo (prefeito e vereadores) e o foco fica totalmente direcionado. O que me deixa feliz é que o nosso candidato é uma jovem liderança política com excelente aceitação na cidade.

Todo mundo bravo com o relator

Mesmo com a Reforma Política sendo pauta prioritária neste momento na Casa, o clima está pra lá de conturbado. O Vicente Cândido fez um relatório benéfico ao PT (lembram da Emenda Lula?) e incendiou o ambiente. Agora é que não tem consenso mesmo, a comissão especial vai ter muito trabalho pra derrubar esse relatório, seja por meio de emendas, voto em separado… O embate está nesse pé. Os bastidores, aliás, têm sido um caso à parte. O cara fala uma coisa para o relator e no paralelo articula voto em separado. Aqui é um jogo de duas caras. Pode-se dizer que o presidente de duas das três comissões da Reforma Política, Lucio Vieira (foto) – Comissão Especial e Comissão da PEC 077/03, que trata do tempo e coincidência de mandatos – , é rara exceção. Ele é um baiano que não se faz de rogado e fala o que pensa. Aliás, a grande verdade é que todo mundo está muito bravo com o relator Vicente Cândido e se articulando pra derrubar o relatório dele na Comissão Especial.

 

Páginas:12»