Archive from Março, 2017

Novos tempos

celularEu, que semanalmente estou  voando pelo céu São Paulo-Brasília-São Paulo, me divirto com alguns hábitos que devem ser bem típicos de brasileiros. Tenho certeza que vocês já repararam nisso, ou até mesmo têm esse ritual. Primeiro, bastam os alto-falantes do aeroporto anunciarem ‘dentro de instante, iniciaremos o embarque’ já se forma um aglomerado. Nem abriu o acesso e a fila está formada. Não sei o motivo disso, não tem o porquê da pressa, cada um tem seu lugar marcado na aeronave. Assim que o avião pousa, o povo já se levanta, pega suas coisas no compartimento de bagagem de mão e forma a fila. A porta nem abriu, mas está todo mundo de pé, um atrás do outro, o primeiro quase grudado na aeromoça que fica lá na frente para agradecer a preferência pela companhia. O engraçado é que mal se levantam dos assentos todos ligam seus smartphones, inclusive eu. Incrível, gente, sem exceção, todo mundo fica com olhos no celular, digitando ou conferindo seus recados. Sabe a imagem que me vem à mente? Robôs! Coincidentemente, me enviaram pelo WhatsApp essa imagem, mostrando como era a nossa comunicação não há muito tempo. Estamos vivendo uma grande revolução, uma nova era na história da humanidade. A era da tecnologia. Acho muito importante a gente se atentar a isso, e como as relações políticas e institucionais vão lidar com a atual sociedade conectada, mas que vive uma crise de representatividade, uma crise institucional, por causa desse novo tempo. Esse é o nosso grande desafio, aproximar o cidadão da política.

 

Alô, mídia, telefona primeiro

aloSe tem algo que me tira do sério é o comportamento da grande imprensa. Ultimamente tem sido publicado série de reportagens sobre as reformas em discussão no Congresso, apresentando uma espécie de Raio-X de como as bancadas partidárias se posicionam. E a mídia sempre coloca a nossa bancada como indecisa, assim como também outros partidos, mas nunca nos perguntaram qual é a nossa posição. Telefona, imprensa, pergunta o posicionamento da bancada! Não coloque nada sem perguntar pra gente, por favor!

Críticas e elogios

terceirizacao votacaoLembro de minhas aulas na faculdade, onde o professor dizia que um satisfeito o elogia para três pessoas, e um insatisfeito reclama para 11. Na época do impeachment, fui muito atacada nas redes sociais, porque espalharam que eu era contra, embora já tivesse dito aos quatro cantos que era a favor do impedimento da presidente. Na ocasião, fiquei muito mal, chorei, não conseguia dormir, preocupada com essa mentira. Agora, fui muito convicta do meu voto. Tenho independência, não me elegi com o governo e vou votar sempre por aquilo em que acredito, como fiz agora. Obviamente, o pessoal contrário começou a me atacar nas redes sociais. Pensei, nossa, não vou nem entrar na minha página pra não passar nervoso, mas hoje, ao entrar no Face, me surpreendi: tinha muita gente me criticando, mas também muitos me defendendo. Nós, parlamentares, temos de ter consciência que nem todos vão pensar igual a gente. O importante é as pessoas entenderem porque você vota de um jeito ou de outro.

Diálogo com respeito

Diante da repercussão sobre o meu voto, com muitas críticas, mas também muitos elogios, em favor da terceirização trabalhista, estou aqui para dizer duas coisas muito importantes a todos vocês. Primeiro, quero explicar como funciona o processo legislativo em plenário. Nem sempre a gente concorda com tudo o que diz o projeto, mas o processo legislativo exige que se vote primeiro o texto principal e depois os destaques. Destaque é o mecanismo por meio do qual os deputados podem retirar ou destacar parte do projeto para votar em separado, mas isso só pode ser feito depois de aprovado o texto base. Foi o que aconteceu com o item ‘atividade fim’.

Eu defendia que fosse somente para ‘atividades meio’, queria muito que isso fosse mudado no projeto, mas, para isso, o texto principal precisava ser aprovado primeiro. Neste sentido, votei no conjunto da obra, mas, infelizmente, o destaque que defendia (‘atividade meio’) não foi aprovado em plenário. Alguns parlamentares optaram pela abstenção, mas qual o sentido de estar ali se não é para debater e votar pelo sim ou pelo não? Para mim, abstenção é fugir da raia!

Feito esse esclarecimento, quem me conhece sabe que estou sempre pronta a responder a todos, porque este é o meu papel como legisladora e representante do povo na Câmara. Jamais me furtei e me furtarei disso. Responderei sempre a todas as críticas com muito carinho e respeito, debaterei sempre com vocês, mas não posso admitir ofensas pessoais só porque penso diferente.

Não há sociedade no mundo em que todos têm a mesma opinião. Isso é natural, é a forma mais salutar de debater ideias e posicionamentos num sistema democrático como é o nosso. Não existe verdade absoluta! Ninguém é o dono da razão! Todos têm suas razões para ser contra ou a favor de algo, mas, infelizmente, de um tempo pra cá a intolerância e o ódio têm dominado parcela da população, que troca o diálogo pelo ataque calunioso. Não podemos agir dessa forma. Temos de evoluir muito como seres humanos. Eu tenho um mantra: posso não concordar com uma só palavra sua, mas lutarei todos os dias de minha vida pelo seu direito de dizê-las.

Vamos fazer um debate de ideias, sem ataques pessoais, com argumentos e contra-argumentos, em alto nível. Quantas e quantas pessoas mudam de opinião quando dialogam ou debatem. Eu mesma já mudei muitas vezes. Assim, neste momento, como milhões são contra a terceirização, milhões são a favor. Hoje, você pode estar triste porque o seu posicionamento não é o mesmo que o meu, mas amanhã pode estar feliz porque o voto num outro projeto era exatamente o que desejava, assim como aconteceu na votação do impeachment ou na cassação do Eduardo Cunha. Às vezes, a gente pode desapontar o outro por causa de um ponto de vista, e outras vezes pode agradar porque agiu exatamente como o outro sonhava. O importante é que a gente dialogue sempre. Eu estou aqui para ouvir e debater com você!

votacao terceirizaxao

Votação do projeto aconteceu na quarta-feira à noite (22) no plenário

 

 

De novo, não!

Dias atrás comentei aqui sobre ter sofrido minha primeira obstrução, lembram? Foi na Comissão ECAD1de Ecad, da qual sou a relatora do projeto que propõe uma regulamentação mais clara dos direitos autorais no País. Pois bem, nesta semana, deveríamos nos reunir novamente para que fosse votado meu relatório. Para isso, conforme as regras, é preciso ter quórum, ou seja, pelo menos 14 integrantes do colegiado com presença registrada, para que a sessão comece a deliberar. Havia nove deputados presentes quando me dirigia ao recinto e descobri que a reunião fora encerrada, sem motivo algum, certamente em mais uma tentativa de prorrogar a votação do parecer. É a segunda vez que fazem isso. Mas não me entrego não, rodo a baiana e faço um fuzuê mesmo. Peguei o presidente da comissão, chamei os técnicos jurídicos e restabelecemos o painel com todas as presenças que tinham sido registradas. Aqui é o seguinte, quando começa a ordem do dia no plenário, você não pode deliberar nada nas comissões, mas nada impede de manter o quórum registrado e, ao término dos trabalhos em plenário, retomar a reunião no colegiado. Enfim, conversei com os demais integrantes da comissão e semana que vem vamos tomar um café para tentar um acordo e evitar tantos dissabores e obstruções.

O problema é mais embaixo

reforma-politica11Nossa bancada se reuniu para discutir Reforma Política, da Previdência e Trabalhista e termos uma posição sobre isso. Eu integro a Comissão da Reforma Política, e o interessante é que você não pode se pautar pelo debate que se tem dentro da comissão. Nela, se tem uma direção mais partidária e uma visão mais ideológica. Já na bancada, a discussão é outra. Na bancada, por exemplo, têm muitos que defendem o voto distritão, no qual se elegem os mais votados no Estado, ou seja, assume-se que o eleitor vota em candidato, e não em partido. Os mais votados entram, simples assim, descomplicado. Sistema que o Michel Temer e o Eduardo Cunha defendiam. Na Comissão Especial, entretanto, se você falar em distritão, o povo te trucida (kkkk). Alegam que vai acabar com os partidos políticos, isso e aquilo, então, é bem diferente você debater sistema eleitoral dentro da comissão e debater com os parlamentares que estão fora dessa comissão. Às vezes, deputados da comissão falam pra mim que a opção de lista fechada está crescendo, mas eu não acho que será aprovada na Câmara, posso estar errada, até porque é mais fácil que votação por maioria simples, mas eu não vejo nos demais deputados esse sentimento de querer ficar na mão dos partidos. E muito menos da população, que já começa a se manifestar contra a votação em lista. Aí tem ainda o debate de cláusula de barreira e de fim de coligações, que querem aprovar como se isso fosse resolver o problema da crise de representatividade política no Brasil. Eu sempre falo: se nós temos um problema estrutural, não será a mudança do sistema eleitoral que vai resolver isso. O problema é muito mais embaixo.

 

Paridade de gêneros

paridade de generosReforma Política começa a dominar as conversas na Casa. Muitos debates sobre o sistema eleitoral. Terça-feira, após o Seminário Internacional sobre o assunto, fomos almoçar com os ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e tive a oportunidade de trocar ideias com a ministra Luciana Christina Guimarães Lóssio. Foi muito bom. Uma sugestão dela, inclusive, eu pretendo apresentar na próxima convenção do PTN-Podemos, em julho: que pelo menos 30% das vagas nas executivas municipais, nos diretórios do partido, sejam obrigatoriamente ocupadas por um dos gêneros, estimulando, assim, a paridade dentro das direções partidárias. Com isso, de fato, as mulheres terão mais apoio, mais espaço. Achei bem legal essa proposta, quero institucionalizá-la em nosso partido, e torço para as outras agremiações partidárias sigam também por esse caminho, que será um enorme avanço no País.

Obstrução X democracia

Dias intensos. Cheguei em Brasília com estresse em alto nível, tanto que tive derrame ocular, meu olho está bem vermelho. É muita pressão que a gente tem aqui, pressão de tudo quanto é lado, muita coisa ao mesmo tempo, isso vai estressando mesmo. Terça-feira teve reunião na Comissão de Direitos Autorais, da qual sou relatora e apresentei na semana passada meu parecer. E agora obtive minha primeira obstrução, gente. As pessoas que, geralmente, são contra o projeto partem para a obstrução, que é uma coisa que eu sempre critiquei aqui nesta Casa. Meu, vote! Ganhe ou perca, mas vote, discuta, mas não obstrua. E para obstruir, o que fazem? Não marcam presença para não dar quórum, mandam ler a ata de abertura da reunião, que é pra tumultuar e atrasar a ordem do dia, têm várias maneiras de se criar a obstrução, e é por isso que o processo legislativo é tão moroso. Democracia é discutir, debater e decidir, não travar. Foi meu primeiro processo de obstrução. Quando se é relatora de um projeto, você nem sempre coloca tudo o que quer, porque precisa compor o sentimento do colegiado. Tem muita coisa no relatório que não concorda, mas acaba colocando para que as pessoas da comissão aprovem o documento, para que ele tenha viabilidade. Tem que aceitar um ponto aqui ou acolá, enfim, esse é o grande desafio de todos os relatores.

direitos autorais 1

Querem silenciar os eleitores

Participei ontem, na Câmara dos Deputados, do Seminário Internacional sobre Sistemas Eleitorais com foco nos pontos positivos e negativos das experiências existentes do Brasil, Alemanha, Bélgica, Espanha, Estados Unidos, França, México, Países Baixos e Portugal. Integrei a mesa que discutiu cláusula de barreira como forma de barrar a proliferação de legendas e coligações eleitorais, defendendo a preservação dos partidos pequenos. Uma cláusula de desempenho de 3%, por exemplo, provocaria o massacre das minorias e levaria à morte as legendas menores, silenciando pelo menos 22 milhões de vozes de eleitores brasileiros, que elegeram 97 parlamentares. Assistam o vídeo abaixo e opinem.

Caçando assinaturas

reforma da previdenciaComo o assunto do momento é a discussão da Reforma da Previdência, um monte de deputados resolveu apresentar emendas ao projeto. Como se trata de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), para apresentar uma emenda é preciso colher pelo menos 171 assinaturas parlamentares. Então, foram dias tumultuados, funcionários de gabinetes invadiram o plenário e congestionaram os corredores atrás da assinatura dos deputados. Não se conseguia dar um passo sem ser abordado por um deles. Como sou muito a favor do debate, assinei, sim, toda as emendas da PEC da Previdência para que se discuta todas elas. Ao invés de tumultuar os trabalhos pegando assinaturas, porque não fazer um acordo, colocando todas as emendas para votar, uma a uma? Simples assim, muito mais fácil, muito mais democrático, não acham?

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