Archive from Março, 2015

Bateria arriada

Acompanhada de meu pai, José de Abreu, fui à Vice-Presidência da República, falar com o Michel Temer sobre reforma política. Na saída, um imprevisto: arriou a bateria do carro do meu chefe de gabinete, Bruno. Eu estava atrasada para a sessão. Ia ter votação nominal. Eu tinha de chegar logo. Não tive dúvida, parei o primeiro carro que passou pela rua e pedi carona. E lá fomos nós de carona para o Congresso. Ainda bem que ainda encontramos pessoas solidárias em nosso caminho.

O dia que Ulysses venceu Nereu

Foi para votação um projeto de lei para que a BR 282, em Santa Catarina, mudasse de nome, para Rodovia Presidente Nereu Ramos. Estava uma votação tranquila. Todos votando sim, até que um deputado falou: “Gente, a BR 282 chama-se Rodovia Ulysses Guimarães. Quem é Nereu Ramos perto de Ulysses Guimarães?” Ai, os parlamentares ficaram afoitos e passaram a votar não. Lógico que o PL não passou. Foram 274 votos contra, 141 a favor e 5 abstenções. A BR continua sendo Rodovia Ulysses Guimarães. O Espiridião Amin, autor do projeto, ficou louco com a derrota.

Em defesa do próprio umbigo

Estava refletindo e vi que o objetivo dos grandes partidos, que são a maioria, é acabar com os pequenos e isso, agora, está mais acirrado, porque houve uma grande renovação no Congresso, por causa dos pequenos partidos. Eu brigo pela reforma política imparcial, e não existe. Eles podem ser competentes, mas não imparciais. Brigam apenas pelo próprio umbigo. Fico triste com isso, porque não reflete a opinião do povo.

A questão do tempo de TV numa eleição majoritária, por exemplo. Eu defendo que tem de ser igual para todos os partidos. Isso daria reais possibilidades de um cidadão comum, que tenha legenda num partido pequeno, de chegar a ser prefeito, governador e, por que não, presidente. Quando se pergunta ao povo, ele quer isso. Ai, você vem aqui e ouve ‘Renata, não sonha, isso jamais vai passar aqui’. Isso é triste, porque esses representantes deveriam representar a vontade do povo, mas eles defendem o que é melhor para eles. Isso está errado numa reforma política. Então, o povo deveria se mobilizar, deveria ir para rua brigar por isso, brigar por essas regras democráticas, que garantiriam uma renovação política de verdade. Isso me entristece um pouco aqui.

Almoço maravilhoso

 Almoço na casa da deputada Tia Eron

Foi muito legal o almoço da bancada feminina da Câmara dos Deputados. Somos 51 mulheres deputadas federais na atual legislatura e vamos lutar para que esse número cresça cada vez mais no cenário político do Brasil. Eu reforço que é muito importante a gente defender a cota para mulheres, não por questão de feminismo ou puramente de cotas, mas porque melhoraria muito a qualidade da nossa política se a gente tivesse mais mulheres no Congresso. A mulher é mais idealista. Não importa se o partido é da base ou da oposição, ela vota no que acredita. Ah, o almoço foi na casa da Tia Eron, deputada da Bahia, que nos serviu um peixinho com camarão. Deliciosíssimo!

Agenda superlotada

O povo não tem ideia o que é ser deputada. Não dá para ficar no gabinete porque não para de chegar gente. Você não consegue fazer nada. Se quiser ler um projeto de lei que vai ser votado, você não consegue, porque não param de chegar pessoas, com projetos dos mais variáveis possíveis. Gente cobrando agenda. Estou com mais de 100 pedidos de agenda e o povo brigando porque não consigo atender. E eu não paro. Tenho terminado algumas agendas às 3h da madrugada. Quem não consegue acha que ‘agora que ela é deputada, não atende’. É humanamente impossível falar com todo mundo que quer falar comigo. Olha, vou te falar, é difícil, viu!

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