Previsão de longas sessões

Espero estar enganada, mas já estou prevendo outra semana de sessões em plenário avançando madrugada adentro. O prazo para que a Reforma Política entre em vigor nas eleições de 2018 termina no próximo dia 7 de outubro. Precisa ser votada em dois turnos na Câmara e depois passar também por duas votações no Senado, mas, por enquanto, está tudo em aberto. E pior: com enorme dificuldade de consenso. Nesta terça-feira, certamente, teremos os debates sobre sistema eleitoral e financiamento de campanha (PEC 77), que não prosperaram semana passada porque os partidos maiores da Casa tentaram incluir os dois temas em uma única votação, só que o plenário não concordou. E com razão: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Também não avançou a discussão posterior, a do substitutivo do relator Vicente Cândido, que propõe o distritão para 2018 e o distrital misto a partir de 2020. Houve tanta obstrução que acabou não tendo quórum mínimo para a votação. São necessários mínimo 308 votos nos dois turnos, e o plenário registrou a presença de 244 parlamentares, insuficientes para realizar a votação.

Amanhã poderemos ter em plenário a votação dos destaques da PEC 282 (aprovada no dia 5), que proíbe as coligações nas eleições proporcionais e prevê uma cláusula de desempenho para limitar o acesso aos recursos do fundo partidário. Mas, como eu já havia dito aqui, neste blog, esses destaques só poderão ser votados após a definição da PEC 77, que, conforme o resultado, pode afetar o texto aprovado semana retrasada da PEC 282. Enfim, estamos diante de um enorme imbróglio!

Ufa, barramos os destaques

Estamos votando a PEC Infraconstitucional da Reforma Política. O relator Vicente Cândido (PT) fez uma distribuição do Fundo Partidário (que nem foi aprovado) concentrando a maior parte dos recursos nos três maiores partidos da Casa. Pode uma coisa dessa? Como vocês que me acompanham neste blog sabem, eu estou na linha de frente, combatendo isso e outras cositas, como fiz em relação a Emenda Lula (lembram?). Pois bem, PT, PSDB e PMDB estavam fechados em acordo. O que fiz então? Peguei todo o resto (PP, PR, PRB etc) para derrotar o texto do Vicente Cândido. No dia que a gente ia votar o relatório, com a orientação de voto já mostrando que esses três partidos iriam perder, veio o aviso de início da ordem do dia em plenário e a sessão na comissão teve de ser encerrada. Ficou estabelecido que na próxima reunião os trabalhos já começariam votando essa questão. O problema é que toda semana era marcada a reunião, eu fazia de novo a mobilização, chamava os demais deputados, ligava um por um, pedindo para comparecer, um trabalho tremendo, mas sempre começava a ordem do dia em plenário e tudo era adiado novamente.

E nessa terça-feira que passou, de novo estava agendada a reunião da Infraconstitucional no mesmo horário que haveria no plenário outras votações referentes a Reforma Política. Achei até que nem haveria quórum para votar na comissão. Para complicar, tive uma crise alérgica gigante, fui dormir às 3h da madrugada e meu voo para Brasília estava marcada para as 7h30. Decidi ir só no segundo voo, mas tinha assento no terceiro voo, ao meio-dia, chegando no Congresso às 14h, bem na hora que começaria a comissão. Quando fui fechar meu texto de voto em separado, os caras se reuniram, deram quórum e votaram simbólico. Quando a gente chegou, já estavam votando os destaques. Deu muita raiva. Que vacilo! Aí rapidinho comecei a mobilizar e, ufa, conseguimos derrotar os destaques da distribuição do Fundo. Que raiva, viu, a gente ia substituir o relatório inteiro. Gente, isso é uma articulação descomunal. Você chama o deputado para a comissão, aí ele quer sair para votar outra coisa em outra comissão, quer sair para comer, aí começa a votação, aí ele não está lá. Derrotamos os destaques por apenas um voto de vantagem, imaginem meu desespero na hora da votação.

 

 

Hóspedes estrelares

Essa foi uma semana de estrelas no meu apartamento em Brasília. Estão hospedados em casa Marcelinho Carioca, o Pé de Anjo do Corinthians, e a Érica Paz, atriz da TV Globo e campeã mundial de jiu-jitsu. O Marcelinho já faz parte do Podemos e a Érica veio especialmente para a Capital federal só para se filiar ao nosso partido. Os dois vão ajudar muito no projeto Podemos, aliás, está muito legal o crescimento do partido, uma coisa que gosto de construir. Mas, gente, dá um trabalho tremendo: cuidar de bancada, de deputados, de articulação, é todo mundo em cima de você, é muito complicado. Eu gosto disso tudo, mas que dá trabalho dá, e muito!

 

 

Fale comigo em casa

Quando alguém quer falar comigo peço para vir pra Brasília e ficar aqui em casa. Ontem, comecei uma reunião a 1h30 da madrugada e terminei com o sol nascendo. Tem deputado tentando falar comigo há três semanas e eu não consigo uma brecha na agenda para atendê-lo. Não consigo parar. Inclusive, nem me meti muito na discussão sobre o sistema eleitoral porque não tem acordo. Vou tentar projetar alguma coisa em consenso e ver se consigo ajudar na construção de um acordo, mas está difícil aprovar alguma coisa. O problema é que não vai dar mais tempo de colocar a Reforma Política em prática para as próximas eleições.

Mais agitação

Hoje o dia também já começou agitado no Congresso. Agentes da Polícia Federal estiveram cumprindo mandados de busca e apreensão no apartamento do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e no gabinete do deputado federal Ezequiel Fonseca (PP-MT). O sexto andar do anexo 4 da Câmara ficou interditado, tumultuando o ingresso dos funcionários.

 

Gás+pimenta+tosse

Ontem, quando anunciaram para votar em plenário, sai correndo da reunião para ir votar. O Marcelinho Carioca correu comigo. No meio do corredor fomos envolvidos por gás de pimenta, jogado pela polícia legislativa para conter manifestantes da Casa da Moeda que invadiram o prédio. O Marcelinho passou mal e precisamos levá-lo à sala da liderança do PTB para que se acalmasse. Eu, aliás, já estou acostumada a inalar esse gás por aqui (rs). Vou falar até para os médicos pesquisarem seu efeito, porque eu estava com uma tosse insuportável e, ao inalar o gás de pimenta, o desconforto melhorou. Deve ter alguma relação gás+pimenta+tosse (hahahaha).

Sebo nas canelas!

Aqui na Câmara dos Deputados é assim: são tantos compromissos ao mesmo tempo que não dá para esperar no trânsito. O negócio é sair do carro e correr em direção ao plenário da Casa, onde a discussão da Reforma Política continua pegando fogo.

Repondo energia

Feriado para político também é dia de compromissos. Desfile cívico, final de torneios esportivos, visita a entidades, reuniões… Mas, felizmente, consegui tempo no fim de semana para descansar, passear, curtir e me divertir muito ao lado dos meus filhos, marido e amigos. Momentos que fazem muito bem e repõem a energia para enfrentar mais uma semana de muito trabalho em Brasília.

Povo deveria decidir em plebiscito

O valor do Fundo, aquele que se andou divulgado por aí, de R$ 3,6 bilhões, já foi excluído da PEC 77 da Reforma Política. O que se pretende agora é aprovar a instituição do Fundo, que vai ser definido no orçamento da União, o que deveria ter sido feito desde o início, que é o correto. Aliás, todo mundo me pergunta sobre o financiamento público, e eu acho ideal esclarecer. Considero o financiamento privado uma atrocidade. Empresa não vai investir em político se não tiver interesse comercial, e aí os políticos entram no poder comprometidos com causas que muitas vezes não batem com suas próprias ideologias. O poder econômico influi diretamente no poder político, e isso é um erro. Na minha visão, esse é o epicentro da corrupção que estamos vendo hoje. O financiamento público, não nos valores que estão sendo propostos, daria mais transparência – acho que é isso que o Brasil precisa – e mais igualdade de condições para que novos concorrentes entrem na disputa. Isso seria muito bom para o país. Imaginem alguém que está se lançando agora, sem nenhum apoio do setor privado. Se puder ter o mínimo do setor público, esse candidato vai ter mais dignidade para fazer sua campanha. Em qualquer sistema eleitoral, em qualquer democracia é preciso ter algum tipo de financiamento. Defendo o sistema público, mas também defendo um plebiscito para que a população decida qual tipo de financiamento eleitoral quer.

 

Articulações intensas

Ultimamente, Reforma Política é o assunto dominante. Até parece que tem pouca votação em plenário, mas o que ocupa tempo mesmo são as articulações de bastidores. Para chegar ao consenso em plenário dá muito trabalho, porque cada um quer e defende uma coisa, ainda mais quando se trata de Reforma Politica.

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